|Capítulo XXXII|

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Mahatma Pines.

Thapelo é um garoto bastante atraente, e com conversas inteligentes. Ou seja, é tudo que eu gosto em um rapaz. A única coisa na qual ele me irrita, é suas faltas. Thapelo tem um certo desinteresse pela faculdade, como se não tivesse presa alguma de a concluir, diferente de mim, eu tenho.

Está é a segunda vez que sinto algo por um garoto, só que diferente da primeira vez, ele nem sequer liga para minha presença, não tenta ser meu amigo nem nada. Nós cumprimentamos como bons colegas, raras vezes temos conversas longas. Diferente de Witsel ele simplesmente não me dá atenção, não tenta se aproximar, isso faz murchar minhas esperanças de um futuro romance.

— O que te faz não abrir um escritório de advogacia oficial por aqui?

— Dinheiro. — ela revira os olhos frustrada — É difícil ter de hipoteticamente recomeçar minha carreira de advogacia por aqui. Tenho certo prestígio por vir do estrangeiro, mas diferente de onde eu estava, aqui os advogados não são assim tão procurados. Estou seriamente pensando em aceitar a proposta de dar aulas, na faculdade em que Witsel está.

Sai com Sheid, para fazermos o rancho. Ela estacionou o carro, então entramos no supermercado que fica um pouco distante do bairro em que estamos, ela estava me contando sobre o como está ficando irritada por receber casos pequenos.

— Sabe o que é alguém me contactar porque quer tirar um dos seus filhos do testamento? Ou porque descobriu a mulher o traído e quer se divorciar e a deixar sem nada? Eu fico tipo, sério mesmo? — havíamos deixado Íris com a babá e saímos só nos duas.

Quando terminamos de colocar as coisas na carrinha, fomos em direção ao caixa.

— Mahatma, como está?— cruzei com um dos meus colegas na bicha do caixa.

— Estou bem e você?

— Também estou bem.

— Mahatma já paguei podemos ir!— Sheid se aproximou de mim.  Olhou para mim e depois para o meu colega.

— Sua irmã?— ele questionou e nos rimos.

— Não, minha mãe. — essa foi a primeira vez que eu disse essas duas palavras em voz alta. São tão natural, tão simples. Sheid também olhou para mim, estava surpresa e comovida, parecia que ia chorar. Eu a entendo perfeitamente, foi inesperado.

— Uau, vocês parecem da mesma idade e são tão parecidas que parecem irmãs. Acho que não sou o único que diz isso!— Sorriu sem jeito.

Eu acho que é o que dizem por ai, quanto mais você convive com alguém, mais vocês se parecessem.

— Mãe, esse é meu colega Thapelo, Thapelo essa é minha mãe Sheid Pines. — o dia de hoje está se revelando ser bastante abençoado, porque neste momento eu sinto que minha alma definitivamente a aceitou como membro fundamental da minha vida.

— Senhora Pines, sou Thapelo Paulo, muito prazer em conhecê-la.— ele estendeu a mão e ela recebeu.

— O Prazer eu meu Thapelo!— Sheid sorri cordial.

Thapelo olhou atrás das vidraças do supermercado e um senhor acenou para ele.

— Tenho de ir, foi um prazer conhecê-la senhora Pines mais uma vez. Mahatma — ele tocou em meu ombro, esse é um dos pouquíssimos toques que recebo dele, e é sempre no mesmo lugar — nós vemos na faculdade. — suas covinhas se mostraram então se retirou.

Nós também saímos do supermercado, afinal as compras já tinha sido guardadas no carro.

— Seu colega é educado.

— É...— minha voz saiu num suspiro, que não passou despercebido.— Ele é inteligente também, acho que é o único garoto que tem intelecto nato e ainda consegue ser charmoso.

Eu estava falando só no automático, enquanto meus olhos procuravam por algum vestígio dele no estacionamento.

— Você parece gostar dele...— ela soltou no ar.

— Nada ver, só admiro o seu intelecto.

{•••}

Estávamos nas vésperas do final do ano, o frio se fazia sentir com bastante rigor, para minha infelicidade e continuava indo as aulas, sendo que meus exames só terminam no dia 14 de dezembro, e logo a seguir vem a recorrência. Portanto, as aulas só terminam no dia 24 de dezembro.

Alguém esta tocando a campainha com bastante persistência, enquanto estou na sala com minhas mantas assistindo Death Note. Hoje é dia 10 de dezembro. Se eu fosse boa estudante, estaria estudando para o exame. Mas como sou uma excelente estudante, dispensei todas as cadeiras.

Me levantei do sofá e fui abrir a porta.

— Marisa?— ela nem me deixou continuar e foi entrando com o garoto a sua trás. O garoto trazia uma mochila nas costas e Marisa segurava uma mala — Boa tarde, para você também!— disse seca.

— Boa tarde, estou a dez minutos tocando a campainha. — ela diz tremendo. A encaro com desdém — Eu falei com Ford e Sheid, Lucas pediu para passar férias aqui, eu só vinha o deixar. Tenho um compromisso.

— Tem certeza que não está abandonando seu filho Marisa!— zombei. — Não me diga que ainda não atingiu seus objetivos.

Ela deu um riso sarcástico.

— Engraçadinha você. Lucas tem trabalho das férias, se você não o pressionar ele não fará, Lucas tem alergia a amendoim, virei o levar nos finais de Janeiro.

— Tenho cara de babá Marisa?— cruzei os braços indignada. Ela ignorou minhas falas, abriu sua bolsa e tirou uma caixa embrulhada a vermelho, por cima da mesma tinha uma pequena caixinha embrulhada de veludo. Ela deixou no balcão.

— Seu presente de Natal.

— Não te pedi, não quero.

Ela deu um beijo na testa de Lucas me ignorando. Depois olhou para mim e sobrou um beijo no ar.

— Se comportem crianças. — abriu a porta e saiu.

— Ela é sempre assim?— olhei para o garoto indignada.

— Não escuta ninguém além do papai e — disse tirando a mochila das costas — faz o que quer. Sim.

— Como você aguenta?— peguei a mala dele e fui subindo o lance dos degraus.

— Você se acostuma com o tempo ou finge que não vê.— ele deu de ombros.

Eu levei a mala dele até o quarto de hóspede que fica logo ao lado do meu. O ajudei a organizar suas roupas, ele disse que estava com fome, e calhou na hora que meus pais acordaram, tomamos o café da manhã juntos. Após isso, meus pais tiveram que sair para trabalhar me deixando com duas crianças.

— Death Note? Eu gosto do Light!— olhei surpresa para o garoto.

— Sua mãe deixa você assistir isso?

— Ela não sabe!— deu de ombros — Você não gosta da mamãe porque ela te abandonou?

— E porque ela é irritante.

— Mas sabe, vocês são tão parecidas. Até no comportamento. — dei um peteleco na sua testa.— Aí!

— Não diga coisas estranhas garoto!— bufei inconformada e ele riu.

O Que Me TorneiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora