É pelas próprias virtudes que se é mais bem castigado.
Friedrich Nietzsche
Linêsia McLaren.
Com o passar dos dias minha mãe perdoou o incidente da festa. As coisas haviam voltando ao normal, ao menos em casa. Porque com Mahatma, eu não estava conseguindo encontrar coragem suficiente para a encarar.
Mário hoje não veio a escola, e pelo lado bom da coisa só tivemos uma aula. Witsel e seus amigos desapareceram das vistas, eu e Mahatma seguimos nosso caminho, mas invés de eu ir à casa peguei um atalho para chegar a casa de Mário.
Quando cheguei fui recebida, por uma garota baixinha loira que carregava uma bebê no colo.
— Boa tarde. Eu sou a colega de Mário, gostaria de saber se ele está?
A garota me mediu, talvez pensando que sou uma das namoradas de Mário. Elas não deu vida ao seus pensamentos só deu espaço para eu entrar.
— Você já deve saber onde fica o quarto dele, pode ir. — enguli a vontade que eu tinha de lhe responder.
Segui na direção de seu quarto que está no último corredor e separado dos demais quarto.
Quando abri a porta, ele não se encontrava no quarto. Estava tudo desarrumado, como da primeira vez que entrei aqui. Como se nada tivesse sido alterado até então. Por outro lado, nada de encontrar o Mário. Olhei o relógio e ainda marcava três da tarde.
— Você pode me emprestar uma vassoura?— a garota me olhou surpresa.
— Está do lado de fora.
Peguei a vassoura e o mope, comecei a organizar o quarto como se fosse o meu próprio quarto. Eu não sou a pessoa mais organizado do mundo, mas eu sou perfeccionista nas minhas coisas. E uma forma que eu encontrei de demostrar seu agradecimento foi, limpar seu quarto, coloquei as roupas dele para lavar e após estarem secas, organizei tudo em seu armário.
Quando dei por mim, já havia se passado uma hora, e até então nada dele voltar.
— Oi, eu já estou indo. Tenho que ir para casa cozinhar. Eu só peço para dizeres a ele que Linêsia esteve aqui, e..agora estou sem celular senão dava-lhe sinal.
— Vocês estudam juntos?
— Sim. Mas ele não fica quieto na escola.
— Humm, tá certo. Irei lhe informar.
O damn, a garota deve estar pensando que sou a namorada dele, e cara nada ver. Apesar de que eu gostei de me sentir como se fosse, mas haaaa nada haver mesmo. Eu só queria o agradecer. Hoje é sexta, portanto terei que aguardar até segunda para falar com ele.
Peguei o ônibus de volta para casa, estou exausta, mas prefiro cozinhar primeiro e só depois descansar. Na despensa nada tinha, então tive de pegar o dinheiro de rancho e ir até a praça de alimentação.
— 25kg de arroz, 5 litros de óleo, 2kg de açúcar, 1 kg de leite, uma lata de café, dez pacotes de massa e uma lâmina de peixe. Isso dá 3567...— lhe entreguei o cartão da minha mãe, coloquei o pin e o valor foi subtraído.
Minha irmã ainda não voltou da escola, portanto não tenho quem me ajude a empurrar a carinha para casa. Estou ofegante só de pensar o trabalho que isso vai ser. Até que Witsel, ainda de uniforme escolar aparece querendo entrar no supermercado.
— Linêsia, tudo bem?
— Estou bem e você?— se Mahatma está se dado bem com ele quem sou eu para fazer o contrário.
— Também estou...essas compras são suas?
— Sim!
— É muita coisa para uma garota! Onde você vive?
— Ao virar a esquina, na última casa.
Sem dizer mais, ele tirou o saco de arroz e colocou na cabeça, reduzindo grande parte do peso para mim. Ele me ajudou com a carga, e talvez eu tenho o julgado mal, tanto ele como Mário e talvez também Bartolomeu. Eu pensei que eles eram mauricinhos que não sujavam as mãos. Mas agora vejo completamente o contrário.
— Sobre Mahatma...— começo — a razão é a mãe né?— devago — Stanford é um excelente pai, não consigo o ver como a razão de seu transtorno.
— Humhum!
— Ela parece estar aceitando melhor o fato de não praticar lutas agora...eu não esperava...ela parece não depender tanto do boxe agora como dantes... você tem alguma coisa haver com isso?
— Mahatma gosta de fazes doces, Quital vocês usarem isso como passatempo aos fins de semana?
Eu não sabia disso. E mal tenho coragem de verbalizar. Mahatma esconde muitas camadas dentro dela.
— Onde deixo o saco?
— Na despensa por favor!
Ele guardou o saco, sacudiu a poeira em sua cabeça e logo de seguida se despediu. Sinto que ele não gosta de mim, eu acho que é pelo o que eu lhe disse, semanas atrás.
Segunda-feira.
Eu estava conversando no recreio com Mahatma mais algumas garotas da turma, quer dizer, eu e Mahatma estávamos ouvindo nossas colegas falando de suas aventuras amorosas. Já que nos, praticamente não temos nenhuma.
Quando vi Mário na porta acenando para mim.
— Já volto!— disse me levantando e indo até ele — Oi!
— Olá, tudo bem?— caminhamos pelo corredor
— Estou bem e você?
— Também estou bem!— paramos de andar subi que esteve na minha casa. — É sério, não precisava. Você fez muita coisa que uau, sei lá, nem sei como te agradecer.
— Na verdade eu é quem preciso agradecer, já faz uma semana que estou tentando falar consigo. E assim que não tenho celular só fica complicado!— fiz uma pausa — estou lhe muito agradecida pelo que me por mim no domingo. E peço desculpas por todas as coisas horríveis que minha mãe disse! Sério, Mário peço imensas desculpas.
Ele cruzou os braços então suspirou.
— Então é isso!— ele deu uma pequena risada — Não tem porque se desculpar, eu até já havia esquecido. Só estava preocupado com que sua mãe pudesse fazer consigo.
Nesse momento eu agradeço, minha melanina que não permite que ele veja qualquer tipo de rubor em meu rosto.
— Nada que uma mãe não faça!— dei de ombros — Está tudo bem em casa. Eu só estou agradecida, e queria que você sentisse o quão estou.
Ele olhou para mim, suas orelhas ficaram vermelhas, diferente de mim, Mário é tão branquinho que uma mini picada de mosquito faz um grande estrago.
— Você daria uma ótima esposa McLaren!— ele pisca para mim, antes de segurar no meu ombro e se retirar.
Eu coloquei minha mão no peito, para tentar segurar o meu coração antes que ele saísse.
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O Que Me Tornei
RomanceO óbvio é a verdade mais difícil de se ver. Mahatma foi abandonada pela sua mãe quando ainda era pequena. Desde então sendo cuidada e protegida pelo seu pai. O porquê de sua mãe ter a abandonado e a dor da rejeição é algo que sempre lhe perseguiu. M...
