Mahatma Pines.
— Eu sei que não sou a única pessoa que passou por isso, mas é a minha dor!— digo com a voz falha — É a minha dor droga! E você não tem direto de a diminuir, você não tem esse direito! — respiro fundo tentando estancar as lágrimas — Você podia muito bem ter abortado e me livrado desse fardo.
Ela olhou para mim com malícia depois deu um riso de pena.
— É, podia, mas seu pai não quis. E se tem algo que aprendi de Ford é a não fugir dos meus problemas.
— Mas você fugiu, você me deixou.
— Não, eu te deixei com seu pai. E fui atrás da minha felicidade, eu sei que vai parecer malvado, mas era a minha felicidade que está em jogo, e eu era nova. Imatura demais para ser mãe.
— Então porque voltou?
— Porque consegui alcançar minha felicidade, e estou vindo concertar a outra parte da minha vida que foi mal resolvida.
— Para ti tudo se trata de concertar, correr atrás, seus objetivos sua felicidade. Você é egocêntrica, só pensa em ti. Eu já não preciso de si, cresci, e hoje sou forte o suficiente para cuidar de mim.
— Não me parece!— ela cruzou os braços e me olhou com carinho — Você continua com um coração de criança, sinto muito por ter sido eu a feri-lo, mas um dia você irá entender, quando realmente amar alguém, você irá aprender a sacrificar algo que eu seu por direito, por um sentimento incerto. Saberá que escolhas egoístas por vezes são necessárias para se alcançar certa estabilidade na vida. E quando você entender isso Mahatma, com certeza terá se tornando uma mulher.
— Eu não quero receber lição de moral logo com você, você não é o exemplo de moralidade.
— Ao menos sou uma mulher realizada.
Eu passei por ela, não suportando mais manter essa conversa, passei pelos corredores apressada, quando passei pela sala de estar, vi que todos continuavam entretidos em suas conversas e que o som alto da música deve ter abafado minha conversa com Marisa. Abri a porta, e sai de casa.
Comecei a correr sem direção, eu só queria me perder, me livrar dessa dor. Subi em direção a zona alta, e fui contornado casas, e arbustos. Passei por uma casa que parecia mal assombrada, e só quando comecei a sentir formigueiro nos pés é falta de ar e quando parei de correr.
Olhei para o céu, cobertura pelo véu de estrelas.
As ruas estão vazias e com pouca iluminação.
— Chega Mahatma!— disse para mim mesmo, olhando para as ruas. E tento decidir qual caminho pegar de volta para casa.
Eu estava tão preocupada, em não me perder que por um estante. Me esqueci da dor que sentia. Estava caminhando, quando vi alguém vindo em minha direção com a luz do celular acessa. Me afastei um pouco da direcção da luz, por causa do incómodo, mesmo assim a pessoa voltou a ficar em mim. Me fazendo fechar os olhos.
— Mahatma!— meu coração disparou quando ouvi a voz dele, e logo de seguida fui envolvida por abraços. — Estava te procurando.
— Eu estou bem. — falo olhando para ele, e tentando travar o choro que quer voltar a sair.
— Ei, somos amigos tá? Não precisa fingir para mim. Posso não saber dizer as palavras certas para te confortar mas não precisa fingir. — ele disse agarrando o meu rosto com carinho — Não precisa me dizer o que aconteceu, você só tem que aceitar que eu cuide de suas feridas.
Comecei a chorar, chorei muito porque tenho tanto acumulado no coração, eu queria não demostrar, mas não consigo. Isso dói muito, preciso de paz dentro de mim. Me sinto uma bomba que esteve guardando inutilmente para ser desarmada.
Witsel me abraçou, ele não disse nada, apenas ficou comigo, e no momento era disso que eu estava precisando. Que ele mostrasse que se importa.
Quando voltamos para casa a festa estava um pouco parada e alguns convidados tinham ido embora. Witsel disse aos pais que voltaria na manhã seguinte, meu pai não disse nada, mas parecia arrependido de ter chamado Marisa. Witsel dormiu comigo, quer dizer, me assustou dormindo, porque na cabeça dele, eu podia fazer algo arriscado. Não digo que não cogitei fazer isso, mas só o fato dele estar ali me desarmava.
Witsel estava sentado e eu estava dormindo no meio de seus pés enquanto ele me fazia cafuné.
— Witsel...o que devo fazer?
— O você quer fazer?— perguntou suave.
— Não sei...— a cada segundo me entregava ao sono — mas dói muito, ela reduziu minha dor a nada, e me deu broca como se eu agisse assim por querer atenção. Eu não quis lhe dizer que tudo que sou hoje é graças a ausência dela, Porque em tudo que ela disse me senti menosprezada.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
— Não precisa a perdoar se não quiser. Ninguém é santo , todos cometemos erros, às vezes negar o perdão é como dizer que você é perfeita. Mas por vezes dar perdão com o coração acanhado é se entregar ao abismo. Não olhe para o abismo Mahatma, senão ele te encara de volta. E não fique muito tempo lutando contra seus demônios internos, senão se tornará parte deles, sem perceber você se tornará igual a sua mãe. Descanse, não pense muito sobre.
Na manhã seguinte, me deparei com Marisa e sua família, eles não tinham ido embora, por outro lado, Witsel teve de ir pois tinha teste na faculdade. A criança descobri se chamar Lucas, diferente de mim, ele é mais parecido com seu pai do que com Marisa. Passei o fim de semana trancada no quarto, pois não queria lidar com a toda poderosa Marisa.
— Mahatma!— Sheid disse entrando em meu quarto — eles já foram.
Continuei fingindo que estou dormindo, não sou obrigada a lidar com ninguém.
— Vai ficar com febre se continuar deitada. Ford pensou que estava fazendo o bem aceitando a presença dela, e ele se arrepende. Não queria te ver assim.
Não a respondi, então ela desistiu de tentar né animar, quando ela estava prestes a sair do quarto a chamei.
— Se fosse consigo? Também deixaria Íris para ir atrás de sua felicidade?— perguntei sem a encarar.
— Sendo sincera, não. Eu ia preferir levar ela comigo, do mesmo jeito que seu pai está fazendo. Antes de alguém me aceitar, tem de aceitar, minhas condições e a minha filha. É acho que é assim como toda mulher devia pensar.
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O Que Me Tornei
RomanceO óbvio é a verdade mais difícil de se ver. Mahatma foi abandonada pela sua mãe quando ainda era pequena. Desde então sendo cuidada e protegida pelo seu pai. O porquê de sua mãe ter a abandonado e a dor da rejeição é algo que sempre lhe perseguiu. M...
