5:38 AM
Eu e meus pais estávamos nos preparando para sair, a essa altura Sheid já tinha aceitado o trabalho de docente, e estava nas vésperas de encerrar, seu escritório de advogacia. A babá ficava de segunda a sexta, para cuidar de Íris na nossa ausência.
— Mahatma tem alguém buzinando lá fora!— Sheid disse batendo a porta do meu quarto.
Que estranho, não combinei sair com ninguém. Será que Thapelo decidiu vir me pegar? Um sorriso brotou dos meus olhos, peguei meu jaleco branco e meus chinelos medicinais da mesma cor dentro da bolsa, juntando com os cadernos. Peguei o meu celular e desci as escadas correndo.
— Estou indo!— me despedi dos meus pais que estavam tomando café na cozinha. Sai praticamente correndo para fora, não ligando para a marca do carro e quando fui até a janela de motorista para ver quem teve a bondade de vir me pegar — Witsel...— meu sorriso murchou.— O que faz aqui?
— Vim te levar a faculdade, entra.— abri a porta desmoralizada e desconfiada.
— Não precisa!— disse me aconchegando na acento, o carro dele cheira a menta e é bem gelado.
Ele me encarou em silêncio por alguns estantes. Pode parecer brincadeira, eu pouco vejo Witsel ou o restante dos meus amigos. Nós afastamos devido a correria da faculdade, Witsel está diferente, mais alta com maus músculos, os cabelos devidamente organizados e com o semblante sério. Não parece o mesmo Witsel debochado que conheci no ensino médio.
— Não te agrado?— indagou me fazendo sentir mal.
— Não... não é isso. Só estou surpresa. Não esperava te ver.— ele não me responde, aciona a ignição e dá marcha trás. — Não vai se atrasar na faculdade? Estamos em campus diferentes.
— Não, como tem passado Mahatma?
— Bem e você?
— Idem. E o seu namorado como está?
Fique algum tempo em silêncio, analisando sua questão. O que deu nele? Porquê dessa aura obscura? Respirei fundo, tirando toda paranóia da minha cabeça.
— Não tenho namorado!— revirei os olhos — Ainda não!— resmunguei para mim mesmo e ele me encarou arqueado — E a Michelly como está?
— Não sei.
— Não sabe? Não são namorados?
— Éramos!— ele disse como se nada fosse — Não namoro mais.
Dei uma risada cínica.
— Havia me esquecido, você não curte namorar, é só ficar e não se apegar né?
— Não faço mais isso. Tenho coisas mais importantes a realizar do que brincar de ser homem.
Fiquei surpresa com suas respostas. O que me fez o encarar por um bom tempo sem ter nada a lhe dizer.
— Você mudou muito!— solto no ar.
— Uma hora você cansa, e se aborrece com seus próprios atos.
— E as festas!— provoquei.
— Odeio barulho.— ri, ri bastante.
— Você tá tendo comportamento de idoso Witsel.— e nesse estante ele encostou o carro do lado da faculdade — Obrigada pela carona.
— Disponha. Virei te levar. — minha boca se abriu num O queria recusar, mas me contive, só para não ser mal educada.
Minhas aulas decorreram calmamente, quase que nem falei com Thapelo, minha esperança era de colocarmos a conversa em dia na volta para casa, mas meus planos foram ao alto quando vi Witsel prontamente me esperando de lado de fora, com sua camisa azul social, calças castanhas, vans pretas e óculos escuros. Ele desperta atenção de várias garotas. Qual é a necessidade dele sair do carro?
Suspirei. Olhando para Thapelo que entendeu logo minha situação, ele deu um beijo na minha bochecha e se retirou, indo ficar com seus amigos. Quando me aproximei de Witsel ele baixou os óculos e me mediu de baixo para cima, mas não consegui decifrar seus pensamentos.
Ele abriu a porta do carro para mim, de seguida deu a volta e entrou. Dentro do carro tentei relevar e esquecer que ele arruinou meus planos. Logo agora que Thapelo passou a dar atenção a minha pessoa. Mas enfim, foi só dessa vez. Ao meus foi o que eu pensei naquele estante. Na manhã seguinte foi mesma história, ele veio me deixar e me levar, e já tem boatos circulando sobre eu ser uma vadia que dá ensina de dois caras em simultâneo.
Minha Marcy, a ótima de Michelly fez questão de ser a promotora a difamação. Eu roubei o namorado de sua prima. Minha vontade era de rir até chorar. Witsel me rejeitou mais de três vezes, ele nem... sabe quando os pensamentos fervem dentro da minha cabeça, eu fico louca de raiva. Witsel nem me olha como mulher, o cara pelo qual tenho um crush, está esperando que eu dê o primeiro passo. Thapelo sabe que é desejado, ele é do tipo de cara que pensa assim " Porquê tenho de ser eu te pedindo em namoro se você também me quer?" Eu realmente tenho dedo ruim para homens, só me apaixono por homens convencidos.
Mas eu não irei dar o braço a torcer, Thapelo ainda irá me pedir em namoro. Ou não me chamo Mahatma Pines.
— Sabe você não tem que vir me levar a faculdade, eu posso muito bem vir de moto. — já se passam duas semanas e eu já estou farta disso. — Tipo sério. NÃO PRECISA, Witsel. Você está me atrapalhando.
— Te atrapalhando com o que?
Ele não está dirigindo para minha casa, ele está indo em direção a sua faculdade.
— Witsel não se faça de parvo! Você está atrapalhando minha cena.— resmunguei irritada.
— Você prefere ir para casa com seu colega do que comigo?
— Sim.— respondi óbvio. E no mesmo estante ele travo o carro bruscamente — Está maluco?— se não fosse o sinto de segurança eu teria voado pela janela — Quer me matar?
— Você está apaixonada por ele?
— Isso é dá sua conta?
— Óbvio que é.
— Minha vida pessoal não lhe diz respeito. — respondi brava. — Já estava demorando, é muito estranha tanta gentileza da sua parte sem a gente brigar, você é irritante Witsel.
— E você é uma idiota que terra o coração esmagado com um playboy. — ri sem humor.
— Peraí? Está falando do coração que você esmagou? O coração que você esmagou antes e depois de tomar minha virgindade para ti? Não se preocupe, eu aprendi muito bem com o rei dos playboy's a proteger meus sentimentos.
— Eu só não estava preparado para ter algo sério!
— Não estava!— Witsel consegue ser pior que um babaca egocêntrico. Eu reparei em meu celular pousado na gaveta do carro, mas antes deu pegar ele o pegou. — Devolva meu celular Witsel.— ameacei.
— Para você ligar para seu amigo? Não. — Destranquei o sinto de segurança, e tentei lhe arrancar o celular, mas só consegui nós tirar da rota e quase acidentar.— Ele vale tudo isso?
— Mas do que você imagina!
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O Que Me Tornei
RomanceO óbvio é a verdade mais difícil de se ver. Mahatma foi abandonada pela sua mãe quando ainda era pequena. Desde então sendo cuidada e protegida pelo seu pai. O porquê de sua mãe ter a abandonado e a dor da rejeição é algo que sempre lhe perseguiu. M...
