| Capítulo XXV |

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Witsel Rocha.

A cirurgia foi um sucesso, ela recebeu alta no dia seguinte. Meus pais pagaram as despesas como se estivessem pagando por mim e Sherrim. Estão realmente preocupados com ela.

Bato a porta do seu quarto antes de entrar, ela está deitada de costas assistindo TV.

— Oi, como se sente?— digo me aproximando da cama.

— Estou me sentindo menos morta. Daqui a nada conseguirei voltar ao normal.— ela bate a cama do lado para eu me sentar.

— Eu sei, só espero que não se esforces desnecessariamente.— ela dá um pequeno sorriso, apesar de ter dito que não iria me importar mais com ela, eu não consigo, dá um certo desespero quando a vejo mal.

— Subi que não foi a escola por minha causa. Desculpa.

— Eu também não estava afim de ir a escola. — ficamos em silêncio, um silêncio pesado. Daqueles que ambos sabemos que temos muito a dizer, mas com orgulho em excesso para dizer.

— Humm Witsel... Você já se apaixonou por alguém e ficou com vergonha de dizer?

— Não. Eu nunca me apaixonei — ela me encarou surpresa — o fato deu me envolver com uma e outra garota não significa que estou apaixonado. Eu não misturo prazer com amor, e nem quero amor. A única coisa que me interessa é atingir meus objetivos, ser independente dos meus, ter meu próprio dinheiro e sexo.

— Ahh...

— Porque? Está apaixonada Magadi?— provoquei.

— Eu não sinto isso... Não gosto de pessoas, sabes bem.

Ri.

— Eu sei. Somos quase que iguais, tirando a parte que você é puritana. — ela revirou os olhos, como sempre fazia quando falávamos de sexualidade.

Mahatma melhorou, apesar de ter ficado segunda e terça em casa. Nos voltamos a nos falar, como amigos. Mas pelo meu próprio bem, prometi a mim mesmo que não iria me intrometer nas suas decisões por mais arriscadas que fossem.

Quem tem andando estranho é Mário, ele quase que já nem comparece aos convívios, segundo ele, não tem graça. Ele só diz isso porque levou um pé na bunda. Suspiro. Vivi para ver meu amigo apaixonado.

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Mário.

Já se vão meses que não consigo tirar, Linêsia da minha cabeça, preciso dela. Tivemos um trabalho de química, que tínhamos de ficar em grupo de dois, o grupo era feito em ordem alfabética, e para minha sorte fiquei com Linêsia.

Combinamos de fazer o trabalho na minha casa já que eu tenho computador e ela não. Ela falou de trazer os manuais que ela tinha para nos ajudar na investigação.

Caprichei na organização do meu quarto. Eu era um cara meio desleixado, só arrumava meu quarto em situações de necessidade maior, ou quando uma das garotas com que fiquei decidia fazer isso por mim, menos Bianca, ela nunca foi fã de trabalho doméstico.

Mas a partir do momento que me relacionei com Mahatma e ela fazia questão de vir duas vezes por semana para ajudar minha irmã com as tarefas, ou organizar meu quarto comecei a sentir-me diferente. Era como ter uma mulher em casa que vela pelo bem estar do marido.

Confesso que no princípio não me importei, mas quando se tornou constante. Comecei também a sentir certa necessidade de a surpreender, pois quanto mais tempo ela levava organizando meu quarto. Menos tempo eu tinha para ficar com ela, de certo modo ela me mudou.

Mesmo da vez que encontrei a mãe desamparada na metrópole, não me importei com as coisas horríveis que ela me disse na primeira vez que nos conhecemos, pois a filha valia por mil. Nada que ela dissesse me afetaria, pois sua filha mostrava que eu não era aquilo que eu dizia.

O Que Me TorneiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora