| Capítulo V|

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— Okay, Okay, já entendi. Vamos fazer uma coisa, se Mahatma estiver de acordo é claro.— o treinador disse para acalmar os ânimos — Eu irei escolher um dos meus melhores pulgistas e se Mahatma se aguentar bem, vocês são obrigados a a respeitar, sem falar que ela terá tratamento diferenciado. Ouçam bem, não disse vencer, eu disse aguentar bem. Se ela provar a mesma competência que mostrou na luta com Augusto ela vence. Tudo bem?

— Sim.

Eu ainda estava de uniforme e tinha o sentimento de que a luta a seguir ia me desgastar.

— Flávio você será o adversário dela!— eu não conheço Flávio, só sei que é veterano e provavelmente no último ano do ensino médio, alto, musculoso e negro.

Olhando para o meu adversário e controlando minha respiração, porque estou com raiva do puto do Augusto. Ele sempre querendo sobressair.

— O que está fazendo Mahatma?— o treinador perguntou preocupado.

— Tentando não estragar meu uniforme.— tirei minha camisa ficando apenas de calça, e por fim prendi fortemente o cabelo. E nesse estante, enquanto meus colegas tarados assobiam, Witsel se aproxima dos veteranos.

— Atrasado como sempre!

— Tive uns imprevistos.

— Sempre.

— O que está acontecendo aqui? Quem é aquela? Show de stripper e nem me chamaram?— seus colegas riram.

Estou apenas de topete e a calca de uniforme, Flávio está de seu calção e sem as luvas.

— Comecem.

Quando Flávio começou a saltitar, eu tive a certeza que a luta não seria fácil como há que tive com Augusto. E em fracções de segundo estávamos desferindo, socos mutuamente, tentou me acertar dois, eu abaixei a cabeça e quando levantei para o socar ele prendeu meu braço.

O treinador apareceu bateu nos nossos braços e nos fez separar, o clima na sala havia mudado, estávamos todos tensos, o treinador estava levado a luta não mas como treinamento, mas como um combate de verdade.

Flávio começou a socar me constantemente, tentando destruir minhas defesas. Dificultando meus ataques, com alguns passos para trás consegui fugir de seu encalço. Dei-lhe um gancho fazendo ele bater se contra as redes, aproveitei essa oportunidade para partir para cima dele com tudo, mas cedo astuto, ele me prendeu num abraço me impedido de o agredir. Novamente o treinador veio nos separar, ele deu um sorriso de lado, satisfeito por ter conseguido evitar o pior.
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Depois que me lavei no banheiro feminino, peguei minha pasta e me retirei da sala. Olhei para o meu celular e são 19:30, isso levou mais tempo do que planejei.

— Mahatma, podemos ir juntos?— Witsel disse aparecendo a minha esquerda.

— Faz o que quiser!

— Onde você mora?

— Em casa.

Ele ficou em silêncio durante algum tempo.

— Mahatma eu te fiz algum coisa?— seus olhos azuis eram o único brilho da noite— Parece que você me odeia, sei lá, não entendo porque me trata com tanta rudeza.

O olhei por alguns estantes antes de passar por ele.

— Eu não odeio você, e não só não vou com a sua cara, quer dizer não vou com a cara de ninguém.— ele demorou alguns segundos antes me seguir.

— Então você só não gosta de mim e ponto?

— Tenho meus motivos. — ele riu.

— Quais.

— Você não é o tipo de pessoa que falaria comigo sem querer algo. — cruzei os braços — melhor me tirar da sua lista de ficantes, não farei parte dela.

Ele começou a rir.

— Você é muito convencida, quem disse que eu te quero?— fiquei em silêncio, ele estalou a língua — Eu não estou apaixonado por você!— revirou os olhos — só quero ser seu amigo. Gostei de você, então sei lá, Gostaria de fazer parte do seu cotidiano.

Foi minha vez de rir, mas um riso sarcástico.

— Você não é o tipo pessoa com qual eu faria amizade. Então melhor tirar isso de sua cabeça.— falei séria.

— Você luta muito bem. Já participou de algum torneio?

— Não, meu pai não deixa.

— Porque?— olhei para ele de cara fechada.

— Adeus Witsel!— disse virando na esquina e saindo de suas vistas.

O Que Me TorneiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora