| Capítulo XVIII |

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As vivências terríveis fazem-nos pensar se o seu protagonista não é, ele próprio, algo de terrível.

Friedrich Nietzsche

Linêsia McLaren.

Meses se passaram Mário, Witsel e Bartolomeu passaram a fazer parte do nosso ciclo. Mahatma até onde eu via, ela tinha deixado para o passado o fato de ter sido expulsa no clube por culpa de Witsel. Eles não são os melhores amigos, apenas se dão bem, isso é pelo fato de suas famílias serem sociais. E por vezes, o pai dela inventa dela ir a casa de Witsel para não se sentir sozinha.

Mahatma disse que a mãe de Witsel não vai com a cara dela, e ela nem sabe porque, é como se a julgasse pelo simples fato de sua existência. Por isso ela faz o máximo possível para evitar ir a casa de Witsel. Mesmo que o pai do Witsel, seja o senhor legal e social.

Quanto ao Mário, aquela não foi a última vez que fui a casa dele. Certa vez ele faltou a escola por dois dias, sem contar a ninguém eu inventei de ir a casa dele. Ele só estava gripado, não era nada demais.

Mas, eu passei tempo com ele, e eu já disse que gosto da sensação de ser tratada como se fosse a namorada dele? Bom eu gosto. Naquele mesmo dia a gente se beijou e transou. Não era a minha ideia perder a virgindade com alguém que está gripado enquanto sua irmã e seu sobrinho estão em casa. Eu não sei se eles ouviram, e isso foi muito constrangedor. Mas eu gostei.

Os preliminares foram a parte que mais gostei, ele estava venerando o meu corpo. Depois disso, no dia seguinte ele apareceu a escola. Não contamos nada aos nossos amigos, e mantemos um relacionamento secreto.

— Mãe porque tanta demora?— é quase meia noite de sábado e minha mãe ainda não voltou para casa.

— Fui assaltada, roubaram minha carteira e eu nem sei como irei voltar a casa, aqui onde estou não tem transporte. Estou a tentar entrar em contacto com alguém para ver se me enviar dinheiro de chapa ou o que?

— Mãe, chama uma táxi e agente paga quando a mãe chegar a casa.

— Linêsia, não temos dinheiro para gastar com capricho. Irei dar um jeito de chegar aí.— a chamada encerrou. É essa é a minha mãe, mega economista. Só para não dizer mão-de-vaca, ela prefere ficar no relento, correndo perigo invés de gastar um pouco.

Uma hora se passou e nada da minha mãe chegar. Minha irmã já está dormindo, após se cansar de perguntar aqui horas mamãe volta. Eu estou sentada na sala, apanhando frio, sem conseguir dormir, esperando ela voltar. Pego meu celular, entro na lista de contactos, e eu acho melhor eu avisar o meu pai. Eles não estão juntos eu sei, mas ele a única pessoa que eu posso recorrer ajuda.

Mas de repente ouço o som de moto ao lado da casa. E eu bem conheço esse som. Só não sei o que ele está fazendo a essa hora no portão da minha casa.

Me levanto da cadeira, estou se vestido longo vinho e camisola branca. Uso os chinelos e destranco a porta, caminho até a varanda para abrir o portão quando vejo minha mãe descendo da moto dele.

Mário está de jacket preta, cabelo bagunçado, sapatilhas e calças jeans. Minha minha está com seu cabelo afro preso num coque, um um plástico em suas mãos.

Abro o portão menor.

— Mãe! Me deixaste preocupada!— nos abraçamos.

— Linêsia o que me aconteceu, eu sei dizer como aqueles jovens me tirar a bolsa, eles estavam a controlar meu movimento não é possível. Mal sai da loja me arrancaram a bolsa e correram, e eu maluca que sou, invés de pegar o único dinheiro que tenho para voltar para casa e fui para o banco pedi para bloquearem minha conta antes deles usarem o único dinheiro que temos.

— Mas mãe saiu às dez, e no banco fecham as 17h como é que mãe está a chegar agora que é quase duas da madrugada?

Ela riu sem humor.

— Hoje era meu dia se azar!— minha mãe estava prestes a se explicar quando Mário se pronuncia.

— Senhoras, eu já estou indo.

— Muito obrigada moço, sério obrigada! — minha mãe diz olhando para ele, por dentro estou rindo dessa situação, a lei do karma. Após tudo aquele que ela falou para ele, olha sem que lhe ajudou. — Se fosse qualquer pessoa teria me passado e me deixado a rasca!

— Teria mesmo! Principalmente depois daquilo que mãe andou a lhe dizer injustamente!— alfineto só para ver a cara dela de constrangida.

— Não guardo mágoas.— Mário disse dando de ombros — Linêsia nos vemos na segunda. Boa noite senhora.

— Muito obrigada meu filho!— Mário desaparece em sua moto e eu gargalho entrando na casa.

— Filho? Tá sei!

— Linêsia você também só mete água! — diz mamãe — sabe não acreditei quando ele parou e me perguntou se precisava se carona.

— É a lei do Karma!

Naquela noite dormimos tarde, minha mãe voltou a me contar como tudo aconteceu, enquanto ela tomava banho e jantava. Por outro lado, esse foi um bom acontecimento, caso eu apresente Mário como meu namorado algum dia.

{•••}

É recreio e estamos na lanchonete comendo e conversando, eu Mahatma e algumas garotas da sala. Quando aparece uma garota que eu só a conhecia de vista e começou a me atacar.

— Quem te deu autorização de você se envolver com meu namorado? Você não se valoriza? Eu não esperava isso logo de ti sabe, mas fazer o que a raça negra trás maus hábitos!— essa tal garota que fui descobrir que se chama Bianca da sala 20, começou a me ofender, e eu nem sabia o que lhe responder — Sabes a quantos anos estou com Mário? Para depois eu ouvir que uma qualquer tem ido a casa de meu namorado e feito trabalhos caseiros? Estás a tentar conquistar meus sogros e minha cunhada? Você é estúpida!

Bianca é tão alta como eu, mas magra, loira ao estilo Barbie girl. Mahatma olhava de ela para mim sem entender nada, e eu não conseguia responder a não ser encarar Bianca e aceitar. Ela ergueu sua mão, já que sua comitiva dizia que ela devia me bater.

Mahatma se levantou e dobrou o braço dela, se colocando a minha frente.

— Já te bateram moça? — Mahatma perguntou. Uma das amigas de Bianca tentou ir contra Mahatma mas recebeu um tapa e cai de bunda no chão sangrando. Outras tentaram a segurar e Mahatma chutou em seus ventres. Todo mundo só prestava atenção na briga e alguns correram para chamar o diretor. — Eu saí do clube de lutas, mas não significa que sou fraca tal como vocês. E se tentarem tocar em Linêsia irão se arrepender amargamente. Entendeu?

— Eu entendi...me solta por favor!— Bianca disse gemendo.

Mahatma a soltou e nesse estante apareceu o diretor, que quis saber porque Mahatma agrediu quatro alunas.

— Elas me irritaram!— Mahatma disse levando a culpa para si.

— A diretoria agora.

Mahatma seguiu o diretor a diretoria, junto das agredidas.

— O que está acontecendo? Porquê Mahatma bateu aquelas garotas?— Witsel apareceu sem entender a situação, junto de Mário.

— Mário porque você não me disse que tinha namorada? Qual foi a necessidade de esconderes isso? Viste o que causaste? Por sua culpa Mahatma pode vir a receber suspensão ou ser expulsa?

— Minha culpa?— Mário indagou — Sempre tem que ser culpa de alguém menos a sua é isso? Alguma vez me perguntaste o mesmo? É mas fácil dizer que eu fiz Mahatma lutar do que você admitir que ela só está nessa situação por tentar te defender!

Lágrimas começaram a verter dos meus olhos. Perplexa do que ouvia.

— Antes pensei que você era um homem de carácter, agora vejo que você é só um moleque. Você tem meu total desprezo Mário.

O Que Me TorneiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora