Mahatma Pines.
Meu pai brigou comigo, Witsel cumpriu com sua promessa e contou ao meu pai aquilo que eu fiz. Passei o fim de semana inteira levando bronca e proibida de sair. Pelo lado bom, ele não me proibir de ir ao supermercado. Mas ele ameaçou colocar seguranças a minha trás se eu continuar imprudente.
Segunda-feira. Dia chato, nem devia existir. Estou com raiva de Witsel e pena de Linêsia. Desde ano passado ela anda melancólica, ela diz que superou Mário mas eu vejo que não. Ela o evita, tenta se distrair mas não o superou.
Inclusive vi que no dia dos namorados Mário tentou a presentear, mas ela recusou. Ela ainda está magoada. Eu não sei se Mário está arrependido, ele magoou minha amiga. O que ele fez é imperdoável e inaceitável. Por isso, por mim, Linêsia seguia em frente e deixava esse sentimento para trás.
Já estamos no segundo tempo e nada de ter aulas. Eu vi Witsel vindo em minha direção, me levantei da carteira e sai, como que vai ao banheiro. Linêsia não é a única que está evitando alguém.
Subi até no terraço, quem sabe aqui ele não me encontre. Me apoiei as grades, olhando para escola, e o quão ela é grande. Estou no final do primeiro semestre do meu último ano de ensino médio. Só de pensar que dentro em breve serei uma universitária, maior de idade, me sinto eufórica.
— Mahatma!— suspiro já imaginando a briga que de aproxima. Me viro e encarrando, Witsel está sempre desaprumado, com as calças abaixo da cintura e o cabelo bagunçado.
— Witsel você não imagina o quão você me irrita, qual é a necessidade de tú te meteres na minha vida? Sabes que desde que te conheci meu pai só briga comigo só isso! Qual é o prazer que você sente nisso? Você diz que quer me proteger mais eu vejo o contrário, você só me ferra! Você é uma pedra na minha vida. — eu sou o tipo de pessoa com pavio curto. Sou muito explosiva, uma bomba relógio, acumulo mais chega um tempo que eu não consigo guardar só para mim.
Ele me encarou por alguns estantes sem reação.
— Certo!— sua voz saiu sem vida, então seus lábios se curvaram — Eu vinha te pedir desculpas pelo o que eu disse no sábado. Que você tomou a atitude certa, mas no momento que ti vi, imaginei o que teria acontecido se você não tivesse conseguido neutralizar os assaltantes. Mas... isso já não importa. Pelo menos agora você está sendo sincera e dizendo o que pensa sobre mim, me desculpe por ser uma pedra em sua vida. Nunca mais irei interferir nas suas decisões. Você é livre de fazer o que bem entender. — ele me deu as costas.
Meu coração começou a aquecer, meu corpo tremia, eu abria os meus lábios mas nada saia, eu queria o chamar mais o orgulho era maior. Queria pedir desculpas pelo o que eu disse, por ter sido tão invencível. Mas eu travei, com a vista embaçada vi ele se distanciando mais e mais da minha vida.
— Desculpa!— sussurrei para mim mesma. Mas já era tarde, ele já tinha ido, e novamente o clico estava se repedido, mais uma pessoa que eu amei indo embora da minha vida. Não estava conseguindo respirar e minha visão estava ficando turva, estava tendo uma crise respiratória. Estava respirando com a boca enquanto tenta abrir minha camisa, me amaldiçoado por não ter minha bomba de oxigênio por perto. — Mahatma por favor! Calma, calma, calma. Sempre foi assim. Calma. — disse para mim mesma. Então pouco a pouco fui recuperando o controle da minha respiração. — Eu estou bem. Isso não é nada.
Limpei minhas lágrimas, fechei minha camisa e então sai do terraço. Fui ao banheiro me lavar e quando voltei a sala eles estavam em aulas, olhei para onde estava Witsel e ele nem sequer olhou na minha direção. E aquele foi o princípio, ele passou a ignorar minha existência.
{•••}
Meu pai tem andando estranho, não num mau sentido, mas ele está estranho. Parece um adolescente viciado no celular, está sempre trocando mensagem, ou faz ligações com frequência durante a noite.
Ele parece um idiota apaixonado.
Eu finjo que não vejo, e contínuo minha vida. Até aí estava tudo bem, até ele começar se atrasar bastante para voltar para casa, uma e outra noite ele não dorme em casa. Outro dia ele disse que ia viajar durante o final de semana em missão de trabalho, até aí nada de estranho já que ele tinha hábitos de viajar.
Eu não tenho falado com Witsel e nem ido a casa dele. Até que, numa sexta-feira a noite recebo uma estranha ligação.
— Boa noite de quem é o número?
— Boa noite, aqui é a Camilla mãe do Witsel, como você está?
— Estou bem obrigada. E a senhora?— perguntei num tom desconfiado, já que essa é a primeira vez que ela liga para mim. E olha que essa senhora nem vai com a minha cara.
— Eu também estou bem. Humm, um motorista está vindo te buscar, seu pai pediu para avisar que vai ficar um mês fora, e ele pediu que você ficasse connosco até ele voltar. — neste momento, meus batimentos cardíacos, parecem um instrumental, para cada palavra que Camilla tira da boca.
— ... Não precisa....eu posso ficar sozinha em casa... Não tem porque se preocupar!— não sei porque lágrimas estão vertendo dos meus olhos. Eu não sei.
— Não. Eu não posso aceitar isso. E seu pai brigaria comigo, faça as malas Mahatma.
— Está bem. — encerrei a chamada.
Entrei no whatsapp e vi que a última vez que meu pai esteve online foi a uma hora atrás, ele não costuma publicar nada em seus stories, portanto não tenho pistas de com quem ou onde ele está. Será que ele está com Ricardo? Mas uma viagem em cima da hora? E de um mês? Meu pai nunca ficou um mês fora de casa.
Damn, o que está acontecendo aqui?
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O Que Me Tornei
RomanceO óbvio é a verdade mais difícil de se ver. Mahatma foi abandonada pela sua mãe quando ainda era pequena. Desde então sendo cuidada e protegida pelo seu pai. O porquê de sua mãe ter a abandonado e a dor da rejeição é algo que sempre lhe perseguiu. M...
