A fórmula da minha felicidade: um sim, um não, uma linha reta, um objetivo.
Friedrich Nietzsche
Sheid.
Formei-me em Direito em Harvard, passei onze anos estudando, fiz licenciatura, mestrado e doutorado, alcancei meus objetivos com maestria.
Ao longo do meu percurso, me envolvi com um e outro cara, mas nenhum deles estava acima dos meus objetivos, por isso meus relacionamentos não duravam. Eles não conseguiam suportar estar em último na minha lista de prioridade. Cheguei a me envolver, Vladimiro, um playboy magnata. Formavamos um casal perfeito aos olhos de quem via.
Vladimiro nasceu numa família bem fadada, seu pai e seu irmão mais velho são homens influentes no mundo do negócio. Tal como eu, eu não estava acima de seus objetivos, e até certo ponto eu não me importava com isso. Namoramos por três anos, eu já havia terminado o doutorado, e já atuava na minha carreira de advogada, estávamos planejando nosso casamento.
Ele foi o homem aquém me entreguei carnalmente, eu gostava dele, mas não de forma obcecada, tal como ele a mim. Apesar de que ele sabia como me colocar para baixo, estava sempre me criticando, porque eu estava acima do peso, porque eu não fica em casa, porque o lugar de uma mulher é atrás seu marido, cuidando da casa. Ele era um tremendo machista, e mulherengo. Eu sabia que ele me traia, e isso não doía tanto. Até eu começar a ver que todos com qual comecei minha vida académica, estavam casados e eram respeitadas pelos seus maridos.
Onde já se viu isso? Uma advogada, que sofre violência verbal? Como assim uma advogada que nem sequer conseguia se defender?
Éramos perfeitos um para o outro, perfeitos para a mídia. Mas não havia amor, nem respeito. Ele me protegia dos outros mas não de si, era muito ciumento, mas eu não podia ser. Tinha que respeitar. Mas não suportei por muito tempo, rompi o nosso relacionamento nas vésperas do casamento e segui e frente.
Eu estava vivendo meu sonho, tinha concluído meu histórico académico, atuo como advogada e tenho meu trabalho reconhecido. Sou solteira sim, não me faltam homens, mas me sento bem assim. Sou a tia rica dos meus sobrinhos.
Bom, pelo menos é assim que eu me sentia até eu me reencontrar com Ford, ele estava como eu havia o deixado, tirando a parte de que se tornou mas sério e pouco tolerante. Me riu só pensar que ele não aceitar ser feito de segredo sujo.
— Sim, ele mudou mesmo. Ele só ficava relaxado quando está com a filha ou com Ricardo e os miúdos. Eu não sabia ao certo o que havia acontecido com Marisa, tou tão surpresa quanto você!— Camilla diz dando de ombros. Passei de sua agência para irmos passar uma tarde de garotas. — Porque o interesse?
Sacudi os ombros, bebendo o champanhe.
— Você ainda tá afim do Ford? Ele tem uma filha sabes? Eu acho que tu mereces um homem que não tenha uma filha, para começarem os dois do zero.
Ri debochada.
— Não pensei que não tentei, Camy.
— Vladimiro foi um babaca, você encontra melhor.
— Camy eu tenho 35 anos, estou envelhecendo e daqui a uns cinco anos gravidez para mim será um risco.
— Agir no desespero não é solução também. Você continua gostosa.
— Já não sou uma novinha e muito menos virgem. — ela ia contra argumentar — Eu sei tudo o que você vai dizer, mas eu já sou bem grandinha para decidir por mim.
— Você quem sabe!— suspirou derrotada.
{•••}
Estou vivendo num apartamento próximo da casa da minha irmã, enquanto penso onde irei construir minha própria casa. Hoje ao acordar notei que não tinha nada na minha geladeira, prendi meus cabelos, usei meus chinelos e fui ao supermercado.
Cruzei com Witsel no supermercado, ele estava com a Sherrim. Estávamos na fila do caixa, quando dois homens mascarados apareceram armados. Gritavam para todos ficarmos no chão, apontando suas armas para nós. Eu segurei na mão dos meus sobrinhos, lhes deixando a minha trás.
— Você aí, tira todo dinheiro que está no caixa agora!— gritou um dos homens.
O jovem estava tirando todo dinheiro caixa, quando de repente uma garota, que estava de boné azul da Jeep, fato de treino da mesma cor, apareceu por trás dos homens e partiu duas garrafas e vinho na cabeça dos homens. Sem dar tempos deles reagirem, bateu em seus braços e chutou as armas para fora do alcance deles. Juntou suas testas os deixando atordoados no chão. Ninguém reagia, ninguém esperava esse milagre. A garota tirou sua corda de saltar e amarrou os homens nela.
Peguei no meu celular e chamei a polícia aflita. A garota transmite uma aura ameaçadora, não sofreu nenhum dando e nem parece que acabou de lutar contra assaltantes.
— Mahatma?— Witsel se desprende de mim — Mahatma. Você enlouqueceu?
Enquanto as pessoas agradeciam a ela, Witsel está bravo e eu entendo porque, ela tomou uma atitude bastante arriscada.
Ela ignorou Witsel e fui até ao caixa.
— Quanto custa as garrafas que parti?
— Não precisa pagar. Vocês nos salvou.— jovem agradeceu. As pessoas estavam felizes, mas não Witsel, em pouco tempo a polícia chegou, demos o depoimento, eles levaram os assaltantes para a esquadra.
— Porque você faz isso? E se tivesse acontecido algo consigo?— Witsel.
— Não aconteceu está? Estou bem.— estamos fora do supermercado e eles ainda estão brigando.
— Sério? Eu irei ligar para o Ford para saber o que ele pensa da sua acção hoje! O que você acha?
— Vá em frente Witsel. Qual é o próximo passo, queres que meu pai me proíba de ir ao supermercado também?
— Se for necessário para você deixar se colocar em risco...— eles começaram a brincar feio, então tive de intervir, antes que virasse um espetáculo na rua.
— Chega crianças.— exalto. — Calma. Witsel para de implicar com ela, ela nos salvou, e Mahatma você foi corajosa mas por favor não volte a se arriscar assim. Se você não tivesse sido certeira eles teriam disparado contra ti.
— Certo. Obrigada, vou para casa.
— Não, espere. Eu te deixo em casa.
Primeiro me certifiquei de que meus sobrinhos estavam dentro de casa e seguros, depois entrei com Mahatma em meu carro, e ela me indicou a direção.
— Não se chatei com Witsel, ele só está preocupado consigo. — começo.
— Eu sei, mas as vezes ele é impossível. Ele acha que tudo que faço é para me ferir, ele nem sequer cogita a ideia de que fiz isso não por mim. Eu vi uma chance de vencer e me agarrei nela. Mas não, ele não quer saber disso, ele pensa que é o secretário do meu pai. Isso é muito irritante.
Ri, achando graça da relação deles. Ela me olhou arqueando as sombras.
— Witsel só é super protetor, ele não faz por mal. — ela cruzou os braços suspirando em derrota. Ficamos em silêncio por algum, estava conduzindo de forma lenta, porque queria ter um tempo com ela, para ter a certeza se é uma boa decisão dar vida ao que tenho em mente. — Desculpa. Desculpe pelo que disse no aniversário de Witsel, eu não sabia. Você deve ter ficado com uma má impressão da minha pessoa.
— Não faz mal. Não tinha como você saber. Já passou.
E de novo ficamos sem conversa alguma.
— Gostaria de saber mais sobre a sua pessoa, é possível?— ela acenou e começamos a conversa saudável até chegarmos a casa dela.
— Obrigada pela carona.
— Não tem de quê. E não se preocupe com o que Witsel disse, eu irei falar com Ford. Ele não irá te proibir de ir ao supermercado.
Ela deu um sorriso meigo antes de agradecer e se despedir.
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O Que Me Tornei
RomanceO óbvio é a verdade mais difícil de se ver. Mahatma foi abandonada pela sua mãe quando ainda era pequena. Desde então sendo cuidada e protegida pelo seu pai. O porquê de sua mãe ter a abandonado e a dor da rejeição é algo que sempre lhe perseguiu. M...
