A exigência de ser amado é a maior das pretensões.
Friedrich Nietzsche
Stanford Pines.
— Droga!— bagunço o cabelo com força.
— Me desculpe, eu devo ter falado algo que não devia!— Sheid diz se sentindo culpada.
Camilla e Ricardo me encaram preocupados, porque nem eles sabem a verdade de como terminou o meu relacionamento com Marisa, foi algo que eu deixei só para mim. Apenas meus pais sabem a verdade, e nem eles comentam sobre isso.
— Mahatma não vê a mãe a 15 anos, é normal que ela reaja assim. — suspiro — Ela sempre se incomoda quando falam sobre Marisa.
É esse o motivo que eu mantive minha filha só para mim. Cortei meu relacionamento com os familiares de Marisa, já que eles apoiaram a decisão de Marisa de abandonar a filha e ir atrás de um novo lar, eles não tem direito de ver minha filha. Meus familiares poucas vezes vêm Mahatma, eles são traiçoeiros, e das vezes que fomos, diziam coisas que magoaram tanto a mim como a Mahatma. Mantenho contato com uma parte da minha família, meus pais e alguns primos. Pessoas selecionadas. Eu seleciono que pode e quem não pode ver minha filha, e até um ano atrás, os Rocha estavam desqualificados. Mas isso pela vergonha que eu sinto, porque ainda me sinto culpado por ter traído Sheid, e sei bem que Camilla nunca irá me perdoar pelo mesmo.
— O que eu fiz! Devo pedir-lhe desculpa, fui indelicada.— Sheid diz querendo ir, mas seguro seu braço.
— Eu é aniversário do seu sobrinho, não estraguemos o momento por coisas não relevantes.
— Mas eu...
— Mahatma só foi refrescar a cabeça, ela ficará bem.
A contra gosto ela se senta. O clima continuo pesado até Camilla lhe perguntar como foi sua estadia fora do país. Nos envolvemos na conversa, e ignoramos o incidente, até que depois de uma hora, quando os jovens tomaram conta do salão e transformam numa boate, Witsel apareceu.
— Mahatma não está aqui?— ele pergunta curioso.
— Ela disse que foi apanhar ar, já faz uma hora! Deve estar por aí com seus colegas!— Camilla.
Witsel da um riso debochado.
— Não a Mahatma que eu conheço — ele olha pelos cantos a procurando — Ela não é fã de pessoas. — mordi o lábio — Vou atrás dela.
— Damn! Fiz merda mesmo.— Sheid lamenta, no mesmo estante os pais de Ricardo e Camilla se juntam a nos.
Me levanto e indo em direção ao bar, perto da agitação juvenil. Estou preocupado com Mahatma, se ao menos Marisa aparecesse e viesse a ver, nada seria assim. Eu não amo Marisa, nem quero o contrário, mas ao menos que ela ame a filha. Mahatma não tem culpa da merda que fizemos.
Após Witsel induzir que Mahatma fosse retirada do clube de lutas, eu a proíbe de ir ao doju. Me senti mal, porque desde que ela era uma garotinha sempre, sempre gostei de a ensinar. Como uma diversão, para sua autodefesa, não para sua autodestruição. Mahatma pensa que eu não percebo, mas eu vejo, eu sei o quanto ela sofre por não ter uma mãe por perto. Gostaria da dar isso a ela, mas eu não posso. E isso foi um dos motivos que me fez evitar relacionamentos sérios pelo longo dos anos. Não quero causar lhe outro sofrimento, se possível serei sempre só para ela.
Às vezes fico paranóico quando saiu de casa, e fico uma semana sem a ver, ou mesmo quando vou trabalhar, não sei quando ela irá se fartar de guardar tudo e se entregar ao abismo.
— Garçom, um drink para mim também. — viro-me e vejo Sheid sentada no balcão ao meu lado.— Peço desculpas de novo.
— Não há porque já disse.— o garçom nos entrega o drink que viramos de uma só vês. — Outro.
— Pisei numa ferida familiar. Eu sou muita coisa, sou egoísta, mas não sou o tipo de pessoa que se alimenta do sofrimento de uma criança. — ela vira, e já se vão três shorts.
— Eu sei disse. Desculpe ter chamado você de egoísta daquela vez, cada um tem seus objetivos na vida. Não tinha como você saber que não estou com Marisa, são coisas que acontecem.
— É, mas... Porquê Marisa sumiu?
— Pelo mesmo motivo que você me abandonou!— inclino o rosto dando-lhe um meio sorriso — Para seguir seus objetivos. — ela fica surpresa sem entender — Casar se com alguém que ama, ter filhos, terminar a faculdade e ser uma mulher amada e independente.
— E Mahatma? Ela é filha dela também!
— E daí se é?
— Como assim e daí? Ela a abandonou! Você está de boa com isso?
— Quando você me abandonou eu não fiquei de boa, mas aceitei, e quando ela dez isso eu também não fiquei de boa mas aceitei.
— Não é sobre nós. É diferente. Vocês tem uma filha juntos.
— Não é não. É tudo sobre amor. — invés de pedir outro short, peço vinho, para adoçar meu paladar. — Eu e Marisa nunca tivemos um romance, aquilo que aconteceu, aconteceu, mas pelos simples fato de termos uma filha, não digo que ela devia abdicar dos seus sonhos, mas incluir sua filha nos mesmo. Do mesmo jeito que foi consigo, você não me incluiu, me excluiu. Não ouve amor, nem de Marisa para Mahatma, nem de você para comigo.
— Eu já disse é diferente!— disse exaltada.— Quem disse que não te amei, te amei sim. Mas você me magoou, teve uma filha. Como queria que eu encarasse isso.
— Certo, como se você nunca tivesse me magoado. Sei que não foi na mesma intensidade, mas aquela foi a única vez, mas de toda as vezes que você me tratou feito nada, em nenhum momento te exclui. Continuei te amando mesmo assim, e agora eu tenho uma filha, se não pode me perdoar, se não pode conviver com esse fato, então sou eu que rejeita esse amor. Porque para me aceitar tem que aceitar minha filha.
— Eu nunca diria para se afastar de sua filha.
— É, e nem eu aceitaria. — ficamos em silêncio por alguns minutos até ela começar a rir.
— Você mudou bastante Ford.
— E você também, Sheid. Em outros tempos já teria cortado essa conversa e me deixado. — rimos.
— Aprendi uma e outra coisa no exterior.— ela bebê outro short — Que se um homem pode te magoar, o outro te enganar e tentar te matar. Não há príncipes e princesas na realidade. Ou você aceita as coisas como elas são, ou você perde tudo e sucumbe.
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O Que Me Tornei
RomansaO óbvio é a verdade mais difícil de se ver. Mahatma foi abandonada pela sua mãe quando ainda era pequena. Desde então sendo cuidada e protegida pelo seu pai. O porquê de sua mãe ter a abandonado e a dor da rejeição é algo que sempre lhe perseguiu. M...
