Não importa quantos anos se passem, se tem algo que não consigo me acostumar é acordar cedo. Eu já sofro de insónia para poder dormir míseras duas horas de sono, para depois ter o sono interrompido pelo despertador porque hoje é sexta e é dia de educação física.
Viva ao ensino médio.
Saltei da cama e vesti meu equipamento branco, calção e camiseta. Tive de sair correndo porque acordei às 6:00 e a formação começa às 6:30 e para chegar a escola num andar normal eu levo 20 minutos, mas como estou atrasada e não quero falta tenho de fazer tudo a metade do tempo.
E eu corri. E como corri.
— Já sabe para qual clube vai se escrever?— Linêsia diz se alongando.
— Clube??
— Na sua antiga escola não tinha?
— Eu sempre estudei em escolas públicas, e essa escola é o mais próximo de uma escola privada que eu pisei na vida.— digo começando a correr — e se tem algo que você precisa saber sobre escolas públicas, lá não existem clubes, a não ser os que estão relacionados aos campeonatos distritais. Então, não eu não sei do que você está falando.
JAC, a escola na qual estudo é metade privada, houve um acordo com o governo para que eles pudessem receber nos que viemos de escolas privadas. E descobri que Linêsia, junto a quase todos com os quais estudo na minha nova sala, sempre estudaram aqui. Ou seja, vem de famílias bem fadadas.
— Em resumo, aqui temos o clube de literatura, música, artesanato, artes marciais, atletismo e jornalismo. Eu faço parte do grupo da literatura e de jornalismo — deu de ombros — não há limite para o número de grupos que você pode participar, mas se tiver péssimas notas é removido de todos os grupos. Ou seja, não tem direto de participar a nenhum grupo a não ser de
— Matérias auxiliares!— murmurei. Ouvi o diretor falando nisso no início das aulas.— É obrigatório fazer parte de algum tipo de grupo?
— Não!— sorriu sedutora, as vezes eu penso que ela tenta me seduzir — Mas isso aumenta pontos, e e uma formação acadêmica extra.— mas felizmente para mim, não curto homens nem mulheres, simplesmente não sinto nada.
Suspirei já imaginando o cansaço que isso vai me causar.
— Façam colunas de dez, com vinte metros de distância, agora faram corridas de estafetas.— disse a professora de educação física.
— Eu irei pensar sobre isso com calma.
— É já segunda-feira e as inscrições encerram na sexta.
— Certo.
Ao fim de duas horas nos terminamos a aula. Linêsia estava de papo furado com umas garotas e eu querendo beber algo, então fui até a cantina. Tirei a única moeda que eu tinha e coloquei na máquina, mas adivinha, a minha coca cola encravou. Bati na máquina algumas vezes mas nada do refrigerante cair.
— Não fode.— lamentei chutando a máquina, antes de dar as costas e ir beber água da torneira.
Mas só interrompida o percurso assim que ouço alguém me chamar.
— Oi, você deixou sua coca aqui.— virou-me rapidamente, e logo vejo que é um dos meus colegas.
Witsel Rocha, eu o conheço bem, na turma ele é um dos poucos rapazes que se destaca, pela inteligência, altura e fisionomia, branquinha, cabelos pretos, olhos extremamente azuis, como o céu mais puro que pudesse existir, uma pintinha acima do lábio, magro e chamativo.
— Obrigada.— recebo a coca.
— Mahatma nem?— olho para ele desconfiada — seus pais são asiáticos?
— Pareço asiática?
— Não.— deu um riso sem graça. — Eu sou o Witsel.
— Eu sei que você é, estudamos juntos.
— Okay! — fez uma pausa— Tudo bem consigo?
— Obrigada pela coca. — falei me retirando, não dando corda para mais conversa. — McLaren vamos para casa!— gritei a chamando, ela se despediu das amigas e veio até mim.
Eu estudo bem os meus colegas, e sei exatamente com quem devo falar, e com que não devo, sei que não presta e quem presta. E sobretudo, sei quem é predador e quem não é. E se Witsel pensa que sou uma jovem garota inocente que vai cair nos seus charmes, melhor ele ir se ferrar.
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O Que Me Tornei
عاطفيّةO óbvio é a verdade mais difícil de se ver. Mahatma foi abandonada pela sua mãe quando ainda era pequena. Desde então sendo cuidada e protegida pelo seu pai. O porquê de sua mãe ter a abandonado e a dor da rejeição é algo que sempre lhe perseguiu. M...
