| Capítulo III |

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Não importa quantos anos se passem, se tem algo que não consigo me acostumar é acordar cedo. Eu já sofro de insónia para poder dormir míseras duas horas de sono, para depois ter o sono interrompido pelo despertador porque hoje é sexta e é dia de educação física.

Viva ao ensino médio.

Saltei da cama e vesti meu equipamento branco, calção e camiseta. Tive de sair correndo porque acordei às 6:00 e a formação começa às 6:30 e para chegar a escola num andar normal eu levo 20 minutos, mas como estou atrasada e não quero falta tenho de fazer tudo a metade do tempo.

E eu corri. E como corri.

— Já sabe para qual clube vai se escrever?— Linêsia diz se alongando.

— Clube??

— Na sua antiga escola não tinha?

— Eu sempre estudei em escolas públicas, e essa escola é o mais próximo de uma escola privada que eu pisei na vida.— digo começando a correr — e se tem algo que você precisa saber sobre escolas públicas, lá não existem clubes, a não ser os que estão relacionados aos campeonatos distritais. Então, não eu não sei do que você está falando.

JAC, a escola na qual estudo é metade privada, houve um acordo com o governo para que eles pudessem receber nos que viemos de escolas privadas. E descobri que Linêsia, junto a quase todos com os quais estudo na minha nova sala, sempre estudaram aqui. Ou seja, vem de famílias bem fadadas.

— Em resumo, aqui temos o clube de literatura, música, artesanato, artes marciais, atletismo e jornalismo. Eu faço parte do grupo da literatura e de jornalismo — deu de ombros — não há limite para o número de grupos que você pode participar, mas se tiver péssimas notas é removido de todos os grupos. Ou seja, não tem direto de participar a nenhum grupo a não ser de

— Matérias auxiliares!— murmurei. Ouvi o diretor falando nisso no início das aulas.— É obrigatório fazer parte de algum tipo de grupo?

— Não!— sorriu sedutora, as vezes eu penso que ela tenta me seduzir — Mas isso aumenta pontos, e e uma formação acadêmica extra.— mas felizmente para mim, não curto homens nem mulheres, simplesmente não sinto nada.

Suspirei já imaginando o cansaço que isso vai me causar.

— Façam colunas de dez, com vinte metros de distância, agora faram corridas de estafetas.— disse a professora de educação física.

— Eu irei pensar sobre isso com calma.

— É já segunda-feira e as inscrições encerram na sexta.

— Certo.

Ao fim de duas horas nos terminamos a aula. Linêsia estava de papo furado com umas garotas e eu querendo beber algo, então fui até a cantina. Tirei a única moeda que eu tinha e coloquei na máquina, mas adivinha, a minha coca cola encravou. Bati na máquina algumas vezes mas nada do refrigerante cair.

— Não fode.— lamentei chutando a máquina, antes de dar as costas e ir beber água da torneira.

Mas só interrompida o percurso assim que ouço alguém me chamar.

— Oi, você deixou sua coca aqui.— virou-me rapidamente, e logo vejo que é um dos meus colegas.

Witsel Rocha, eu o conheço bem, na turma ele é um dos poucos rapazes que se destaca, pela inteligência, altura e fisionomia, branquinha, cabelos pretos, olhos extremamente azuis, como o céu mais puro que pudesse existir, uma pintinha acima do lábio, magro e chamativo.

— Obrigada.— recebo a coca.

— Mahatma nem?— olho para ele desconfiada — seus pais são asiáticos?

— Pareço asiática?

— Não.— deu um riso sem graça. — Eu sou o Witsel.

— Eu sei que você é, estudamos juntos.

— Okay! — fez uma pausa— Tudo bem consigo?

— Obrigada pela coca. — falei me retirando, não dando corda para mais conversa. — McLaren vamos para casa!— gritei a chamando, ela se despediu das amigas e veio até mim.

Eu estudo bem os meus colegas, e sei exatamente com quem devo falar, e com que não devo, sei que não presta e quem presta. E sobretudo, sei quem é predador e quem não é. E se Witsel pensa que sou uma jovem garota inocente que vai cair nos seus charmes, melhor ele ir se ferrar. 

O Que Me TorneiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora