Como prometido, o treinador me deu treinamento diferenciado, após ter vencido aquela luta. O que não agradou muito aos meus colegas, mas foi uma luta justa.
— Oi garotas!— Witsel diz se sentando na mesa em que eu e Linêsia estamos. — Como estão?
— Bem e vocês?— Linêsia responde, transferido seu olhar de Witsel a Bartolomeu, a Mário.
— Ótimo! Já fizeram os pedidos?— Bartolomeu diz olhando no menu do dia. A escola é tão chique que até tem um menu diário.
— Ainda não!— Linêsia dá um sorrisinho!
— Então vamos decidir juntos!— Witsel sorri.
— Olha quem vós convidou para sentar aqui?— pergunto incomodada.
Eles me olham por alguns segundos antes de me ignorarem e escolherem o que iríamos comer. Depois o Bartolomeu foi fazer o pedido.
Linêsia conversava fluidamente com Witsel, pareciam velhos amigos. Mas ao mesmo tempo que conversa com Witsel olhava de forma discreta a Mário. Enfim, ignorei isso ficando em silêncio.
— Então, Mahatma como voc— interrompi Mário.
— Olha nem tente Mário, não somos amigos. — olhei-o séria.
Mário olhou para o amigo, e visto que o mesmo estava entretido foi ter com Bartolomeu , depois de dez minutos eles voltaram com as refeições. Suspirei irritada. Gosto quando somos só nos duas, esses barulhentos mal deixam a gente se comunicar.
— Amor!— Patrícia, uma colega nossa deu um beijo na bochecha de Witsel e parou ao seu lado. — Me abandonaste hoje?
— Mudando os ares.
A garota da um riso falso, olha para mim e para Linêsia com desdém.
— Vai a ver uma festa na sexta, estarão?— Patrícia.
— Com certeza!— os rapazes respondem. Nesse mesmo estante, mas duas garotas chegam e começam todos a falar da festa de sábado. Farta dessa situação, me levanto e caminho pelos corredores.
Por ficar muito tempo sozinha, acabo sendo intolerante ao barulho, prefiro conversas calmas e ordenadas. Era para ser uma saída entre amigas após as aulas, mas não, se tornou um círculo barulhento.
Sai do refeitório e caminhei em direção ao meu cassifo, deixei os meus cadernos, troquei as minhas sapatilhas e peguei minha camisola, são quase dezoito horas e a escola só fecha por completo as vinte.
— Indo embora sem se despedir!— dei um pulo para trás quando vi Witsel ofegante a minha frente.
— Que merdas você quer?
— Você, Quital?— sorriu sedutor.
— Pensei que não estivesse apaixonada por mim!— zombei.
— E não estou, mas eu quero ser seu amigo, queira você ou não!— ri sarcástica passando pelos portões da escola.
— Você não manda em mim!— ironizei.
— E eu sei, farei você me aceitar, espere a aprenda!— rimos — Irá a festa?
— Não curto festas, não curto barulho.
— Saquei!— falou como se estivesse se lembrando de algo — mas devia se tornar mas social, não existe só a Linêsia na escola!
— E agora estamos falando sobre minhas amizades, você é o que? Meu psicólogo?
— Sou seu guardião!— ergue o queixo, convincente me fazendo rir.
— Você é maluco!
Conversamos muito, ele me deixou na porta de casa, eu não tenho nada contra Witsel, eu só sou muito desconfiada. Mas eu gosto da conversas que temos, do qual ele é seguro e não faz conversas parvas que nem alguns garotos que conheço.
— Filha, boa noite!— sorri ao ver meu pai de avental. — Nós treinos de novo?
— Não, estava com uns amigos...— a frase ficou no ar porque nem mesmo eu acredito no que acabei de dizer.
Meu pai olhou para mim desconfiado, olhou sério e cruzou os braços. Ele mais do que ninguém sabe o quão odeio pessoas, o quão sou antissocial.
— Mahatma não precisa mentir para mim, se estava treinando é só dizer que estava treinando. Irei ficar bravo, mas prefiro sempre a verdade. — fez uma pausa — não vi a necessidade de te escreves no clube de luta na escola enquanto já treinas no doju. Eu não gosto de te ver lutar desse jeito, você é garota devia fazer coisas de garota. Sério. — suspirou — eu só não quero ver alguém batendo minha filha, minha única filha.
Minha vontade é dizer, ninguém bate em mim, é bem ao contrário eu sei me defender. Quero o contar porque eu insisto com as lutas , mas todas as justificações entalam na minha garganta.
— Eu estava com meus colegas de classe no refeitório, se quiser pode perguntar a Linêsia.— a Linêsia ele conhece, já que ela as vezes dá algumas passadas por aqui, principalmente aos sábados. — Não estou mentindo.
Ele me olha com cara de arrependido, mas não dou tempo dele se justificar e vou para o meu quarto.
Eu faço de tudo para ignorar minhas emoções, e agir de forma mas racional possível. Mas as vezes, chega a ser impossível. Fecho a porta lentamente a minha atrás e logo de seguida lágrimas vertem dos meus olhos. Eu queria saber explicar tudo que estou sentindo, queria poder ser transparente.
Tiro minhas roupas e vou ao banheiro, encho a banheiro com água fria, logo de seguida entro me deitando de costas, deixando meu corpo relaxar e lentamente afundar na banheira.
Sem nenhum som, nenhum pensamento, apenas uma vida que está se esvaindo a cada segundo que passado dentro da banheira.
— Filha, vem jantar, o jantar já está na mesa.— meu pai diz batendo a porta do banheiro — não fique muito tempo no banho vai apanhar resfriado.
Desde que quase me afundei na banheira com os meus dez anos, meu pai ficou com uma espécie de trauma, então se se passam quinze minutos eu no banheiro ele vem me verificar, e se eu ficar mas cinco, ele vai entrar. Emerjo da água e tusso um pouco antes de recuperar completamente o fôlego.
— Como foi seu dia pai?— pergunto enquanto jantamos.
— Me auto dispensei cedo então decidi fazer a janta. — diz orgulhoso de si.
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O Que Me Tornei
RomanceO óbvio é a verdade mais difícil de se ver. Mahatma foi abandonada pela sua mãe quando ainda era pequena. Desde então sendo cuidada e protegida pelo seu pai. O porquê de sua mãe ter a abandonado e a dor da rejeição é algo que sempre lhe perseguiu. M...
