Mahatma Pines.
Sei que podia ser bem menos complicado, mas se não fosse complicado talvez eu nem estivesse aqui para ver o que seria ser. Agente clama pelo amor, e agente arruma um argumento para fugir desse mesmo amor, quando está perto.
Eu acabava de sair de casa quando recebi a mensagem de Sherrim dizendo que Witsel não estava bem. Eu ia a um encontro com Thapelo, mas mal recebi aquela mensagem, mudei o meu trajeto e cancelei minha presença. Eu sentia que aquele seria o dia em que Thapelo iria me pedir em namoro, estávamos tão próximo, tão pertos do fim. Depois de um ano e um semestre de convivência, para depois na última estância eu retardar o processo.
Eu nem sequer, pensei direito quando subi o ônibus em direção ao apartamento dele. E quando Sherrim disse que ele não queria que eu soubesse me senti culpada pelo o que lhe disse ontem, e se a culpa de seu mal estar fosse minha? Passei da farmácia que fica bem ao lado do seu apartamento e depois corri ao seu encontro. Na verdade, eu pensava que iria encontrar Camilla e Sherrim paparicando Witsel, mas logo na primeira estância, quando abri a porta e a casa estava estranhamente vazia e silenciosa, eu sabia que algo estava errado. Na minha cabeça algo pior tinha acontecido com ele, meu coração estava palpitando descontroladamente, e quando o vi deitado na cama, eu pensei. É agora, tenho de colocar em prática todos os ensinamentos medicinais que adquiri nesses três anos. Só não esperava que fosse uma brincadeira de muito mau gosto da parte dele.
Eu queria o xingar, o bater, porque não teve graça o que ele fez. Usar o número da irmã para me deixar louca se preocupação e me fazer cancelar o encontro que eu tento esperei acontecer. Mas todos esses pensamentos foram evacuados quando ele começou a me tocar e meu corpo começou a esquentar. Eu odeio ser vulnerável ao seu toque depois de todas as refeições que ele me deu. Queria sentir repulsa, ser firme, e sair dali.
Mas não, eu queria estar debaixo de seu toque. Queria o sentir dentro de mim, eu estava com saudades. Com saudades daquelas sensações que ele me fez sentir no casamento do meu pai. Levei meses para deixar de relembrar seus toques milhares de vezes em minha mente. Para depois, como se não nada fosse, como se todo o esforço que fiz para o superar, todo o esforço que fiz para trancar os sentimentos que tinha sobre ele fosse revividos de uma só vez.
Eu me sentia uma boneca nas mãos dele, isso foi o motivo que me fez chorar, porque eu estava gostando daquilo, enquanto eu trabalhei duro para o esquecer. E quando seu olhar cheio de luxúria de dirigiu a mim, enquanto ele apertava meus seios e estocava lentamente. Me senti pequena e submissa, seu olhar tirava toda dignidade que habitava em mim. Me senti pelada de dentro para fora.
É tão natural estar próximo dele, é tão irônico como alguém que ti tira do sério, te deixa depressiva é a mesma que torna seu dia melhor, único e especial.
Como se quisesse se certificar de que eu não iria esquecer aquela tarde, na manhã seguinte ele foi me levar e me deixar na faculdade. Ele fazia o caminho para faculdade parecer mais lento e tortuoso, principalmente quando ele dirigia enquanto metia um pirulito dentro de mim. Desde aquele dia nunca mais vi um pirulito do mesmo jeito, enquanto ele, fazia questão de sempre ter um por perto. Para não me fazer esquecer.
— Mahatma aquele moço que vem te levar é seu namorado?— Thapelo perguntou aleatoriamente.
E eu não subi o que lhe responder, eu estava saído com Witsel, e na linguagem corrente isso não significa que agente está namorando.
— Prefiro não falar sobre isso.— se eu soubesse que essa frase iria erguer uma barreira na minha amizade com Thapelo, eu teria usado outra.
Quando Witsel veio me buscar, a pergunta de Thapelo me martirizava no percurso até para casa.
— Witsel o que eu só para ti?
— Minha mulher e a futura mãe dos meus filhos.— disse contornando a rua.
— Witsel estou falando sério!
— Eu também!— invés de pegar a rua que dá para minha casa. Eles nos levou em direção a um jardim que tem uma lagoa, Jardim Tunduro.
O encarei com raiva, ele é sempre assim. Só me dá respostas vagas. O que ele quer que eu conclua com isso? Aposto que é o que ele diz para todas suas ficantes, só para as iludir.
— Você é um babaca irritante!— esbravejei.— Estou perdendo meu tempo com você, droga! Witsel você não muda, você sabe que eu sou penso em você, e você me faz acreditar que é recíproco, mas você não mostra o concreto. Eu levo a sério mas você desfaz, sei lá o que te dá mas você não está sendo sincero comigo. É mais fácil aprender japonês em braile do que você admitir se dá ou não. Eu não quero ser só mais uma que cai no seus encantos e depois é descartada. Estou ficando farta disso, não brinque com os meus sentimentos!
Ele estacionou o carro, e tirou o sinto de segurança, me encarando inexpressivo. Me fazendo pensar que é agora que realmente essa relação terá um fim. A verdade dói mas tem de ser dita.
Ele suspirou, como se palavras estivessem o consumindo por dentro.
— Eu não queria que fosse desse jeito mais você não me dá outra escolha. — abriu a gaveta do carro e tirou uma caixinha de veludo preta com uma fita vermelha. — Dê-me a sua mão!— não reagi. — Dê-me a sua mão Mahatma, você não disse que quer saber no concreto o que eu sinto por si?— minhas mãos estão soando, sinto uma dormência nelas que mal consigo mover. — Está com medo de saber o que eu sinto por si?— essa é uma das poucas vezes que vejo Witsel sério, sem sarcasmo, sem ironia e sem deboche. Desprendo minha mão da roupa e a entrego.
Ele abriu a caixinha de veludo preta, e tirou um anel, com três paredes de diamante, fina com um designer simples e bonito. Ele colocou o anel no meu dedo anelar.
— Você é a única mulher na minha, a única que eu vejo perto de mim daqui a alguns anos.— disse olhando em meus olhos, consigo sentir o quão difícil está sendo para ele me dizer isso, fico feliz que eu sinta a agonia que é você expressar seus sentimentos por alguém. Porque quando você ama alguém de verdade, nunca será fácil dizer eu te amo. — Isto é uma promessa de casamento Mahatma, eu não quero ser ter namorado, não tenho dúvidas do que sinto por si, e tenho a certeza de que você é quem eu quero até meu último suspiro. Eu sou um homem que se atenta aos detalhes garota, irei deixar você se formar, depois disso irei tirar você da casa dos seus pais.
Olhei para jóia em minhas mãos, os raios solares que entravam em contacto com ela, fazem com que um espiral de cores surjam. Isso faz um sorriso brotar dos meus olhos.
— Então lindo, não precisava!— olhei boba para o anel.
— Não precisava?— me olhou indignado enquanto ria— Você quase me matou!
Ri boba antes de lhe dar um selinho.
— Obrigada, estou muito feliz.
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O Que Me Tornei
RomansaO óbvio é a verdade mais difícil de se ver. Mahatma foi abandonada pela sua mãe quando ainda era pequena. Desde então sendo cuidada e protegida pelo seu pai. O porquê de sua mãe ter a abandonado e a dor da rejeição é algo que sempre lhe perseguiu. M...
