| Capítulo XVI |

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As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras.

Friedrich Nietzsche

Linêsia McLaren.

Tive um susto quando acordei num quarto que eu sabia não ser meu, olhei em volta, estava tudo desarrumado com livros e roupas pelo chão. Pelas brechas da janela eu conseguia ver o sol nascer, olhei o relógio e marcava quatro da manhã. Procurei pelo meu celular e nada.

Meu Deus, eu perdi um celular que nem usei seis meses. Prontos, minha mãe vai me matar, ela vai contar para o meu pai que vai ligar e me matar novamente.

Quando olhei para o lado, vi que tinha um garoto do meu lado dormindo, peguei um susto e cai na cama. Comecei a me vasculhar para ver se estou inteira. Mas acabo tropeçando numa bola de basket e caiu né bunda.

— Será que dá para fazer menos barulho!— reconheço essa voz.

— Mário!— me levanto indo até ele — Mário, Mário!— chocalho

— O que foi Linêsia me deixa dormir!— reclama.

— Mário me leva para casa, Mário!— seus olhos dourados se abrem. Mário é loiro, dos pés a cabeça, seus cílios são amarelos, e seus olhos também num tom escuro. Por um segundo fico sem reação, admirando sua beleza. Eu serei sincera, eu tenho um crush por ele, mas o que me faz não correr atrás é porque ele é amigo do cara que desgraçou minha amiga, ele é inteligente mas falta muito as aulas, como se nada o importasse. — Mário minha mãe deve estar me procurando!

Ele olhou para mim por alguns segundos, sem antes dizer nada.

— Está bem. Vou só lavar a cara, certo?— sem esperar minha resposta ele vai até o banheiro onde se lava. Vejo que ambos estamos com as roupas que usamos ontem — as suas sandálias estão daquele lado.

— Obrigada. — corro para ir usar, depois entro no banheiro, que pelo mais estranho que pareça estava arrumado.

Não trocamos muitas palavras, ele não parecia afim de conversar, na verdade, ele parecia até irritado. Como se estivesse incomodado.

— Não há ônibus a essa hora! Não nessa via. — ele respirou fundo. — Espere aqui!— eu estava do lado de fora da casa, ele voltou para dentro, e quando voltou estava em cima de uma Yamaha.  — Suba!

— Tem certeza que é seguro?

— McLaren você quer ir para casa ou não?— quando Mahatma me chama pelo apelido, eu acho fofo e sensual. Mahatma nem percebe, mas sem fazer muito ela é facilmente atraente. Já, agora, com a pronúncia de Mário, senti um descompasso em meu coração, como se fosse a pronúncia mais perfeita.

Então eu subi na moto, agarrando fortemente sua cintura, não levamos nem dez minutos e já estávamos em casa. A essa hora, minha mãe e minha irmã estão se preparando para ir a igreja.

— Essas são horas para voltar? E o seu celular? Estou a horas te ligando e nada de você me atender! Sabe que me deixou preocupada, está de castigo Linêsia, eu irei ligar para seu pai e ele saberá desse seu mau comportamento. E você, rapaz! Você é que fez ela não voltar?

— Mãe não foi isso!

— Cala a boca não estou falando com você. E suba ao quarto agora.

— Mãe!

— Suba!— olhei para ela com raiva, olhei para Mário que nos olhos me dizia para acatar as ordens. Então subi para o meu quarto e bati a porta com força para que a casa caísse. — Você é um irresponsável, tem noção do quão preocupada eu fiquei? Linêsia é criança, tem obrigações e deveres! É uma das suas obrigações é não voltar no dia seguinte!— minha mãe ficou por meia hora falando para Mário.

E a única coisa que ele disse, ao fim disse foi.

— Peço desculpa senhora, não haverá uma próxima vez!

— Acho melhor, caso não o pai dela vai te dar uma surra entende?

— Sim senhora.

Quando ela terminou de falar para ele, ela veio até mim, e me bateu. Algo que não é incomum na minha casa.

Desde que minha mãe se divorciou do meu pai, ela teve de virar mãe e pai. Ela acha que não a respeito porque ela não é o papai. Mas isso não é verdade, eu a respeito de verdade. Como se não bastasse ligou para meu pai que ficou duas horas me dado bronca pelo celular.

Se pudesse meu pai passaria a vir me levar para escola, ficarei sem celular até entrar na faculdade segundo eles.

—  Nunca mais iremos a uma festa!— Mahatma disse e eu concordei.

Eu não esqueci do que Witsel me disse, eu estava convencida de que conhecia Mahatma, mas parece que eu só me enganei. Eu mal tenho coragem de olhar para ela, sinto como se estivesse criando uma barreira entre nós.

— Seus pais são muito rígidos consigo!— ela disse. Ela parece bem. Mas desde que Witsel me disse àquilo, não consigo acreditar nos seus olhos.

Estou procurando por Mário, para me desculpar e lhe agradecer, mas o moleque não para no mesmo lugar. E eu não quero que Mahatma me veja conversando com ele.

— Vai continuar no clube de jornalismo?

— Sim!— deu de ombros. O assunto do clube de artes marciais parece ter sido esquecido por ela, ela parece bem. E leve.

De uns dias para cá, ela tem se dado bem com Witsel, ela não o evita, mas também não o trata do mesmo jeito que nem dantes. Parece que eles se resolveram e a única pessoa que continua estressada com o assunto sou eu.

Mário me contou onde e como me achou, e sinceramente a única coisa que eu realmente quero fazer, é o agradecer. De um jeito ou de outro. O que ele fez por mim, ninguém havia feito. Se ele fosse como qualquer outro cara, ele teria me deixado no portão e se mandado, mas ele entrou e aceitou levar a culpa pelas minhas ações.

O Que Me TorneiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora