| Capítulo XIX |

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É mais difícil ferir a nossa vaidade justamente quando foi ferido o nosso orgulho.

Friedrich Nietzsche

Witsel Rocha.

— Eu disse que essa merda ia acabar mal seu idiota!— disse mal Linêsia saiu chorosa. O sinal tocou e tivemos de ir a aula.

— Não enche. Como eu ia adivinhar que aquela vadia louca da Bianca iria armar um escândalo?

— Você devia ter ao menos ter sido sincero, dizer que tinha uma namorada de cinco anos, não deixar Linêsia no escuro. Como ela ia adivinhar que você tinha uma namorada de vai e vem?— o que mas me irrita nisso tudo é Mahatma ter que pagar pelos atos deles.

— Witsel não me fale de sinceridade, você não é a porra de um santo para falar disso!

Mahatma só foi aparecer no penúltimo tempo, ela só pegou sua pasta e saiu da sala. Pelos vistos pegou suspensão. No final das aulas, Linêsia só pegou seu material e saiu. Mas no portão da escola, Bianca e suas amigas estavam a espera dela para a humilhar.

E não é a primeira vez que Bianca faz isso, ela e Mário tem um relacionamento tóxico. Mário por vezes é indiferente e não se deixa afetar pelo comportamento, ao mesmo tempo que não consegue por ponto final no relacionamento deles.

Linêsia com sua pasta atrás das costas, parada as encarou. Como se não sentisse medo, mas eu sei no fundo é bem o inverso.

— Bianca para com isso! Você não cansa de dar show? — Mário se intromete.

— Agora vai defender sua amante?

— Já percebeste que tu é que podes ser a amante?— Bianca o encarou atormenta. E os nossos colegas começaram a vaiar de Bianca, visto que ela está bancado a parva da história agora — Não me recordo de em algum momento dizer aceitar ser seu namorado, como também em nenhum momento escolheria namorar alguém com um comportamento tão negativo. Assuntos de casais se resolvem em particular, não ao público como estás aí a fazer! Esse show é para que? Queres provar o que? Que és superior a Linêsia? Mas bonita e destemida? Não não és, nem em um milhão de anos sérias. Ela ao menos de carácter e princípio, não corpo insuflável para oferecer.

Linêsia olhou para ele, depois para Bianca que estava vermelho de raiva. Parece que hoje é o dia que Mário dará o ponto final a esse relacionamento tóxico. Mas Linêsia não parou para assistir os desfecho. Visto que agora era entre Mário e Bianca, Linêsia se misturou na multidão e desapareceu.

— Que essa seja a última vez que fazes isso, estou cansado desse teu comportamento egocêntrico.

Depois disso, nos também fomos para casa, diferente dos outros dias não paramos para conversar. Ninguém estava com paciência para tal.

{•••}

Mandei mensagem para Mahatma e nada dela me responder, ela andava offline já a uma semana, o mesmo período o qual não veio as aulas. Por outro lado, Linêsia começou a nos evitar, eu, Bartolomeu e Mário, mas uma vez estou sendo julgado sem justa causa.

— Para onde vai?— minha mãe pergunta da janela do segundo andar.

— Dar umas voltas, e não irei voltar tarde!— reviro os olhos.

Que tipo de festa minha mãe acha que começa ao meio dia? Affs, sério que saco.

Em pouco tempo cheguei a casa de Mahatma que abriu a porta com cara de sono.

— Você me bloqueou!

— Eu sério?— ironiza me dando as costas.

— Ford, não te levou o celular eu sei disso. Eu só não entendo porque caralhos está me ignorando. — ela se vira e me encara.

— Quer por ordem alfabética ou cronológica?

— Não envolva nossa relação com àquilo que aconteceu entre Mário e Linêsia.

— Mas você sabia que eles estavam ficando ao menos me contar!

— Sua amiga te contou? Não. Quem sou eu para te contar? E eu não sou o pai de Mário, não sou a consciência dele, não fui eu que disse para ele agir como um otário. Então pare de nós colocar nesse problema conjugal.

— Não existe um nos...— revira os olhos — Não fale como se existisse um nós. Eu sou eu, e você é você. O único nos, é na minha amizade com Linêsia e não consigo.

— E voltamos a estaca zero!— falo sem humor — Quantas vezes tenho que dizer que escolhi você? E se você continuar me rejeitando um dia eu irei me afastar de verdade.

— O que significa escolher Witsel? O que você quer dizer com isso?— diz com a voz falha.

Me aproximo dela encurtando a distância. Toco em seus cabelos curtos emaranhados.

— Quer dizer que você é minha garota e não farei nada para te magoei. Não intencionalmente. — seus olhos caem — Eu sei que você acha que falo isso porque quero me envolver com você romanticamente, mas isso não é verdade. Faço isso porque gosto de você, sem qualquer outra intenção...

— E se... Eu eu quiser que você me olhe de outro jeito... O que vai fazer? — ela disse com alguma hesitação. Me pegou de surpresa, nunca esperei essa reação por parte dela.

Mordi o lábio, e segurei a mecha de seu cabelo, deslizei minha mão pela curva de seu seio. E foi a vez dela de reagir com surpresa.

— E se eu disser para você tirar essa camisola que esconde seus seios, seu short e ficar completamente nua para mim, você irá o fazer?

Consigo sentir seus batimentos por trás da camisola, suor se formando em sua testa. Seus corpo está trémulo, então num ato de desespero ela dá um tapa em minha mão, marcando distância.

— Essa resposta deve ser o bastante para ambas as questões não acha?— a encaro num misto de superioridade e diversão. Passo minha mão pelos ombros da cadeira e de seguida pela mesa preta, onde se encontra o seu celular. — Desbloqueie o meu número, eu já disse que não gosto quando me evita. — ordeno antes de lhe dar as costas e sair da casa.

Esse foi o ano mais turbulento da minha vida, até ao final do ano as coisas terminaram tensas. Estávamos cheios uns dos outros, meu pai convidou Ford a passar o dia da família connosco. E como ele já não tinha como negar, eles passaram. Sherrim e Mahatma se dão bem, isso se deve a Sherrim ser uma faladeira e Mahatma uma boa ouvinte. Eu ainda não entendi porque minha mãe olha para Mahatma com desgosto, mas irei descobrir. Infelizmente, tivemos de passar o final do ano em outro Estado, na casa dos meus avós paternos. E só voltamos nos finais de Janeiro.

O Que Me TorneiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora