Alec foi baleado, ele e Magnus se declararam, entre sangue e desespero, as mães sabiam... Até aí tudo bem. Mas, e agora?
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Não consigo engolir. Algo obstrui minha garganta e eu sinto ânsia de vomito. Abro os olhos e tudo está turvo na minha frente. Tento pedir ajuda, mas apenas me engasgo. Há fios presos em mim e eu tento me mover, mas me sinto como um peso morto, exausto demais para conseguir me mexer. Minha mão direita parece ter vida própria e puxa os fios. Ouço apitos loucos nos meus ouvidos e tudo que vejo são vultos. Me engasgo todas as vezes que tento engolir, por causa do tubo que ocupa toda a minha garganta. Tenho ânsia de vômito e tusso desesperadamente, com esse troço na boca. Meu peito esquerdo dói e sinto várias mãos tocando em mim, tentando me fazer parar. Mas eu nem sei se estou me movendo… ouço vozes, mas não distingo, porque o barulho dos apitos parece mais alto nos meus ouvidos. Tudo gira, sinto frio e caio novamente no abismo em espiral de antes.
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Abro os olhos devagar. Sinto muito sono e uma leve dor de cabeça. Há um peso estranho no meu peito esquerdo e lembranças dos tiros voltam a minha mente junto com a claridade que faz meus olhos fecharem novamente. Sinto alguém fazer carinho nos meus cabelos, mas meus olhos estão pesados demais para abrir, e eu só aceito, sem tentar saber quem é… Minha garganta arde muito e é difícil engolir, mas não há mais nenhum tubo.
Fui baleado, mas estou vivo. Magnus estava lá e disse que me ama. Eu também disse que o amo. É isso mesmo ou foi só um sonho? Não consigo raciocinar direito, mas, se foi preciso ser baleado para ter Magnus de volta, tudo bem, estou no jogo…
Quero vê-lo. Serão suas mãos nos meus cabelos? Quero me manter acordado, mas é cada vez mais difícil e eu caio na espiral, em queda livre.
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Minha garganta está seca, ardendo, e ouço o apito intermitente de aparelhos ao meu redor. Entreabro os olhos e pisco algumas vezes, até conseguir mantê-los aberto. O quarto está a meia luz e é confortável para mim.
Minha mãe está de pé, ao meu lado, sua mão em meus cabelos. _ Que bom, acordou… _ ela sorri docemente. _ Nos últimos dias, tem ficado pouco tempo com os olhos abertos, mas não tínhamos certeza se estava lúcido… Agora parece acordado de verdade… Como se sente?
Últimos dias? Eu dormi tanto assim?
_ Onde está Magnus? _ me pego perguntando sem medir palavras, minha voz pastosa, baixa e rouca, minha garganta ardendo muito. Devem ser os analgésicos que me deixam meio grogue e sem filtro…
Ela se afasta um pouco e posso vê-lo sentado no sofá, me olhando de longe, desconfiado. Ele se levanta, vem até a borda da cama e segura a minha mão. Minha mãe se afasta, como se desse privacidade para nós dois…
_ Oi… _ ele diz, com um sorriso pequeno.
_ Oi… _ devolvo, sorrindo de volta. É tão fácil sorrir para ele, com ele. _ Viu como eu não morri? _ brinco, com minha voz estranha, e ele dá uma risadinha.
_ Só mais um golpe para me ter de volta, Alec? _ provoca, perguntando baixinho.
_ Tenho de usar tudo o que estiver ao meu alcance… _ pisco um olho. _ Deu certo? Porque não tenho mais nada em mente… _ faço uma careta de dor.
Ele faz carinho nos meus cabelos, pega um copo com canudo e me dá um pouco de água. Eu precisava disso!
_ Deu muito certo… Nem precisava tanto… _ ele confirma. _ Vamos ficar só nas brigas com palavrões e pazes com desculpas, ok? _ pede, brincalhão.
Dou uma risada, mas a interrompo logo no começo, porque meu peito dói. Ele faz carinho no meu rosto transtornado de dor. _ Fique quieto, você está todo costurado…
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Donos do Mundo
RomantikCriado desde a infância no Moto Clube Donos do Mundo, Magnus é um membro jovem, aos 26 anos, cheio de vida, dono de si e gay assumido, que nutre uma paixão platônica pelo vice do MC, Alec Ligthwood, de 24 anos, seu verdadeiro oposto. Alec é uma pe...
