Eu estava no campo da casa do Soluço, no mesmo lugar em que eu o encontrei pela primeira vez. Um pouco à minha frente estava o Soluço brigando com alguém, mas eu não conseguia ver quem era.
Eu não entendia o que estava acontecendo, nem o porquê da briga, mas eu sabia que só terminaria quando um dos dois estivesse morto.
Soluço conseguiu fazer seu oponente cair inconsciente e se levantou, ele se virou e começou a andar em minha direção, foi quando eu percebi que ele estava muito machucado. Acho que minha careta denunciou minha preocupação, já que o Soluço abriu um leve sorriso na tentativa de me tranquilizar, acabei sorrindo de volta. Foi quando minha visão periférica captou um movimento atrás de Soluço.
O homem com quem Soluço brigava havia se levantado e apontava uma arma para ele. Eu queria alertar o Soluço, queria correr até ele, mas não consegui fazer nada, fiquei apenas imóvel, enquanto o homem atirava.
Ao ser atingido, Soluço caiu no chão, enquanto o sangue se espalhava por seu corpo e por algum motivo que eu não conseguia explicar, ele começou a desaparecer. Corri até ele, mas a cada passo que eu dava, ele desaparecia mais, quando cheguei até onde o Soluço estava, ele já havia desaparecido totalmente, me deixando sozinha.
Acordei num sobressalto sentindo minha respiração ofegante. Me virei para o outro lado da cama, mas me assustei ao não ver o Soluço. Dei uma rápida olhada no quarto, ele não estava lá. Me levantei apressada e corri para o banheiro, o local estava vazio, fazendo minha preocupação aumentar. Saí do quarto e fui para a sala, Soluço não estava lá, assim como não estava na cozinha.
Meu coração acelerou e comecei a sentir falta de ar. Inspirei e expirei algumas vezes, tentando me acalmar, mas a cada segundo eu ficava mais nervosa, minhas mãos começaram a tremer e comecei a me sentir tonta.
– Astrid?
Ouvi a voz do Soluço e rapidamente me virei em direção ao som. Ele estava na porta que dava acesso a varanda.
Corri até ele e o abracei com força enquanto as lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntou preocupado, retribuindo o meu abraço.
– Eu acordei e você não estava em nenhum lugar, eu pensei que você.. – deixei a frase morrer quando alguns soluços surgiram em minha garganta.
– Está tudo bem, Astrid – ele me apertou com mais força.
Apenas assenti enquanto continuava a chorar.
Ficamos alguns minutos abraçados até eu conseguir me acalmar e parar de chorar.
– Você está bem? – Soluço se afastou, apenas o suficiente para olhar meu rosto.
– Sim.
– Tem certeza?
– Absoluta – tentei soar o mais firme possível.
– O que aconteceu? – ele me olhava de forma preocupada.
– Nada, eu só tive um sonho ruim e acordei um pouco abalada, mas não vamos falar sobre isso, precisamos trocar de roupa para sairmos.
– Não tenho certeza se gosto dessa ideia, tenho um afeto especial pela roupa que está vestindo – ele arqueou a sobrancelha.
Franzi o cenho e abaixei o meu olhar verificando o que eu vestia, foi quando percebi que eu não estava vestindo nada.
– Droga – exclamei enquanto recuava um passo e em um reflexo abracei meu corpo – eu acordei tão atordoada que não me lembrei de vestir nada.
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Antes que você se vá...
Hayran KurguAstrid nunca se considerou uma pessoa romântica, nunca sonhou em viver um conto de fadas ou encontrar o príncipe encantado. Ela sempre se recusou a se apaixonar, para ela o amor só existe em livros, na ficção, nunca poderia ser real, mas será que el...