Capítulo 62 - Almas gêmeas

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Não sei exatamente qual foi a reação do doutor Thompson ao ouvir a revelação do Soluço e não sei se ele falou algo também. Minha mente estava muito confusa, eu não conseguia ouvir nada e minha visão estava embaçada.

A dor aumentou, assim como o aperto e a queimação no meu peito. Senti algumas pontadas em meu estômago e em minha cabeça e meu corpo inteiro começou a tremer.

Senti meu corpo girar e as coisas começaram a passar por mim, muito rápido. Senti quando a cama ficou mais confortável, assim como o travesseiro embaixo da minha cabeça. As luzes ficaram mais claras e intensas e senti o ar mais frio.

Ajustei minha visão, percebendo que eu estava de volta ao quarto de hospital.

Eu continuava me debatendo na cama, devido a dor e devido a falta de ar. Eu só queria que o smart check tivesse voltado comigo e tivesse funcionando, pelo menos assim, algum enfermeiro seria notificado das minhas alterações vitais, mas não, eu estava morrendo de dor e nem podia gritar para avisar alguém.

Com muita dificuldade estendi o braço até a lateral da cama e apertei o botão, torcendo para que alguém aparecesse.

Depois do que pareceu horas, alguém entrou no quarto. Não vi quem era, já que minha visão estava tomada de pontinhos pretos dançantes.

Ouvi uma comoção e percebi que mais pessoas entraram no quarto. Não sei bem o que fizeram, mas começaram a trabalhar em mim, aplicando remédios e fazendo procedimentos.

Aos poucos a dor diminuiu e o sono tomou conta de mim.

Acordei com dor na garganta e um mal estar no estômago.

Devagar abri os olhos, percebendo que eu ainda estava no quarto. Olhei para o lado, percebendo que haviam me conectado a outro smart check, aparentemente meus sinais vitais ainda estavam um pouco fracos, mas nada que eu precisasse me preocupar.

Senti algo do meu outro lado e virei a cabeça, Cami estava sentada em uma cadeira e debruçada sobre uma parte da cama.

Levei minha mão até o cabelo dela, o acariciando. Ela se mexeu e ergueu a cabeça, me fitando.

– Asty, você acordou. – Ela se endireitou na cadeira. – Você está bem?

– Acho que sim. – Minha voz saiu fraca.

– Eu fiquei tão preocupada. – Ela segurou uma das minhas mãos. – O livro te levou de novo.

– Sim, mas agora estou bem. Não precisa se preocupar.

– Como se isso fosse possível. – Ela sorriu, mas seus olhos estavam marejados.

Ergui a mão e toquei o rosto dela.

– Sinto muito.

– Não foi sua culpa, Asty, a culpa é daquela sonsa da Emily e do livro que te puxou quando não deveria. – Ela fechou a cara.

– O pior já passou, deu tudo certo.

– Deu tudo certo? – Ela aumentou o tom de voz. – Asty, você precisava de repouso e observação médica e não ser teletransportada para outro tempo e outra dimensão. Sem contar que a Emily tentou te matar de novo, o Ryker queria te levar para sei lá onde e você quase morreu sem ar.

– Ta bom, pelo jeito não deu tudo certo, mas eu estou aqui agora e é isso o que importa.

– Tem razão. – Ela respirou fundo. – Eu só estou um pouco cansada.

– Dá para perceber, sua cara está horrível. – Sorri.

– Eu sei, não dormi muito bem nos últimos dias.

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