Capítulo 22 - A senhorita voltou

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Eu estava paralisada, não sabia o que fazer, Raiker estava em pé na minha frente, com uma postura intimidadora e me encarava com uma expressão nada boa.

- Senhorita Hofferson, ainda não respondeu minha pergunta – ele disse sério – o que faz em minha residência, e melhor, o que faz no quarto do meu irmão?

- Esse é o quarto do Viggo? – abri um sorriso sem graça enquanto apontava com o polegar o quarto atrás de mim – Eu estava procurando o banheiro.

- Foi o meu irmão que a trouxe? – ele franziu o cenho – Ele me garantiu que não sabia onde a senhorita estava, a senhorita estava esse tempo todo aqui?

- Quando você diz esse tempo todo, de quanto tempo mesmo estamos falando? – eu só esperava que não tivesse passado tanto tempo desde o disparo.

- Há alguns dias, o Viggo chegou em casa um pouco transtornado, com um vocábulo incongruente sobre a senhorita, no dia seguinte as autoridades vieram, haviam recebido uma denuncia do senhor Haddock de que o meu irmão havia atirado na senhorita, após isso, ninguém teve notícias da senhorita – ele gesticulava com as mãos, mas de repente parou me olhando nos olhos – ele por acaso a sequestrou?

- Por que não conversamos outro dia, não quero que o seu irmão me veja aqui.

- A senhorita parece bem, então não deve ter sofrido nenhum disparo – ele dizia para ele mesmo.

- É o seguinte, o Viggo atirou em mim, mas não acertou, como você pode ver, eu estou bem – apontei para meu corpo – agora eu preciso ir embora, sem que ninguém veja e principalmente, sem que o Viggo me veja, você pode me ajudar?

- Deveras que sim, não compactuarei com as atrocidades do meu irmão.

- Quem olha assim, até pensa que você é bom – resmunguei comigo mesmo.

- Gomes, prepare uma carruagem para a senhorita – Raiker falou com alguém atrás de si, foi quando eu percebi que tinha um empregado no corredor o tempo todo.

O empregado assentiu e saiu, nos deixando sozinhos.

- Não se preocupe, senhorita, meu irmão não lhe fará mal.

- Obrigada – forcei um sorriso.

- Mas devo admitir que estou curioso – ele abriu um sorriso ladino – o que ocorreu entre a senhorita e o meu irmão?

- Por que pergunta?

- O meu irmão não é impulsivo, ele gosta de agir meticulosamente, só estou a indagar o que o levaria a atirar na senhorita ou sequestrá-la, o que a senhorita fez para ele?

- Eu não fiz nada, ele é que é louco – disse irritada.

- Claro, meu irmão às vezes apresenta um comportamento anômalo.

- Será que poderíamos mudar de assunto, estou cansada de falar do Viggo.

- Sim, a senhorita deseja algo, talvez tomar um licor?

- Não, eu quero apenas ir embora.

- Devo admitir, a senhorita não se comporta como uma dama, mas com certeza tem a beleza de uma – ele sorriu galante e eu tive que me segurar para não revirar os olhos.

- Obrigada.

- A senhorita pretende ficar muito tempo em Berk?

- Talvez, ainda não decidi – dei de ombros.

- Espero que fique mais tempo, a sua companhia é muito agradável.

- Com licença, senhor Grimborn, a carruagem está pronta – o empregado retornou e eu agradeci aos deuses por isso, não aguentava mais o Raiker.

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