Capítulo 69 - Horas críticas

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Eu ainda não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Eu estava mesmo fazendo uma cirurgia dentro de um livro, em pleno século 19, na representação da minha irmã mais velha e tendo como ajudante o personagem principal do livro que é o amor da minha vida?

Ta, talvez esse último detalhe seja irrelevante para o cenário atual.

Com certeza minha vida já tinha atingido todos os níveis de loucura possível e com certeza eu estaria tendo uma crise de risos se a situação não fosse realmente séria, e é claro, se eu não precisasse usar toda a minha concentração naquele momento.

Eu tinha localizado a bala e para a minha felicidade, ela não tinha atingido nenhum órgão, mas tinha se alojado na 12º costela. Semicerrei os olhos, me concentrando ainda mais no movimento que eu teria que fazer. Enfiei a pinça com cuidado, até chegar na bala e depois, a tirei bem devagar.

Coloquei a bala no recipiente que o Soluço segurava e me voltei para a Heather.

– O que houve? – Soluço perguntou preocupado ao ouvir os apitos do smart check.

– Ela está perdendo muito sangue. – Peguei algumas gazes e pressionei o local do sangramento. – Me passa a pinça hemostática.

– Qual? – Soluço me perguntou confuso.

Olhei para a mesa, onde estavam os instrumentos.

– A terceira de lá para cá.

Rapidamente, Soluço pegou a pinça e me entregou.

– Aperta aqui. – Sinalizei para ele apertar uma área da ferida, enquanto eu pinçava o vaso sanguíneo que estava rompido.

– O sangue diminuiu. – Soluço comentou.

– Sim, agora vamos restaurar o vaso. Segura a lanterna e ilumina para mim.

Soluço assentiu e fez o que eu pedi. Ele estava saindo um ótimo ajudante.

E muito sexy. Devo ressaltar.

Ta bom, outro detalhe irrelevante.

Consegui restaurar o vaso e depois costurei a pele da Heather.

– Pronto, agora é esperarmos ela acordar. – Falei ao terminar o último ponto.

– Terminamos? – Soluço me encarou.

– Sim.

– Graças a Thor! – Ele soltou um longo suspiro.

– Você está bem? – Perguntei o analisando, ele parecia um pouco pálido.

– Sim, estou. – Ele me respondeu, mas não acreditei totalmente.

– Precisamos trocar a Heather.

– O quê? – Ele me olhou desesperado e ficou ainda mais pálido.

– Ela não pode ficar com esses panos todos cheios de sangue.

– Eu concordo, mas acredito que seja melhor chamar a senhorita Thorston.

– A Heather acabou de sair da cirurgia, precisamos ter cuidado para ela não ter nenhuma infecção, o que significa que vamos reduzir ao máximo o contato dela com outras pessoas.

– Mas, Astrid, eu não posso fazer isso.

– Soluço, nesse momento você não é um cavalheiro do século 19, você é o meu assistente, apenas isso.

– Certo. – Ele fechou os olhos com força e respirou fundo.

Acabei rindo do comportamento dele, ele parecia muito desesperado.

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