Capítulo 56 - Pelo plano

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– O quê? – Soluço me olhou confuso.

– O que? – o encarei.

– Podemos conversar um momento? – antes que eu pudesse responder, ele já se levantou. – Com licença, voltamos logo.

Ele disse para ninguém em específico e saiu da sala, eu o segui.

Ele andou até a sala de visitas e assim que eu passei pela porta, ele a fechou.

– Você não gostou da ideia? – perguntei. – Pensei que queria o casamento. – fiz bico.

– É claro que eu quero, mas que eu saiba você não quer, não desse jeito, você mesmo me disse isso agora há pouco – ele arqueou a sobrancelha.

– Eu sei que eu tinha dito isso, mas vai ajudar no plano.

– Podemos pensar em outra coisa, não quero que você faça algo que você não queira fazer, só para pegarmos o senhor Grimborn.

– Não era assim que eu queria que as coisas acontecessem, mas acho que é a nossa melhor chance.

– Eu acredito que não – Soluço soltou um longo suspiro, parecia preocupado.

– Por que não?

– Porque você tinha razão, o nosso casamento não deve ser realizado por um motivo assim.

– Soluço, não é só isso – segurei suas mãos – me diz.

– O senhor Grimborn a ameaçou apenas pelo fato de estarmos próximos, temo pelo o que ele possa fazer quando souber sobre o noivado.

– Ele não vai fazer nada contra mim – tentei soar o mais sincera possível, mesmo eu estando mentindo na maior cara de pau.

– Não temos certeza, estamos falando de um assassino – ele cerrou os punhos.

– Por isso mesmo precisamos fazer isso – o olhei nos olhos – é a única forma de pegarmos ele. Não se preocupe, não vai acontecer nada comigo.

– Assim espero, porque eu não sei o que sou capaz de fazer, se algo lhe acontecer, Astrid.

– Eu vou ficar bem, prometo.

Soluço segurou meu rosto com as mãos e me beijou, um beijo carinhoso e demorado.

– Lembre-se, você prometeu – ele abriu um leve sorriso.

– Acho melhor voltarmos, eu e você sozinhos em uma sala fechada, não é uma boa ideia.

– Eu acho uma ótima ideia – ele me beijou de novo, dessa vez um beijo mais intenso e eu, é claro, retribuí, mas para a minha infelicidade, ele parou.

– Hei – reclamei.

– É melhor irmos, antes que alguém venha atrás de nós – Soluço me deu um rápido beijo – ou antes que eu perca a cabeça e faça algo que eu não deveria.

Soluço sorriu e foi em direção a porta, a abriu e sinalizou para que eu saísse da sala.

Respirei fundo e saí da sala de visitas, indo para o escritório, Soluço me seguiu.

Ao entrarmos no escritório, todos nos encararam, esperando algo.

– O que decidiram? – Heather perguntou.

Soluço sorriu e segurou minha mão.

– Vamos nos casar.

Pela reação de todos, acho que ficaram felizes pela notícia, só não sabia dizer se o motivo da felicidade era pelo plano, ou pelo fato do nosso noivado abafar o escândalo. Independente de qual fosse o motivo, me peguei sorrindo, acho que eu também estava feliz com a notícia.

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