Emma's pov
Minha irmã mais nova Isabel, ia participar de um campeonato de
futebol, e meu pai provavelmente o tinha levado para comer um
hambúrguer ou algo do tipo depois.
Conectei o meu iPod nos alto-falantes e botei Ke$ha para tocar com o
volume bem alto, para que eu pudesse ouvi-la no chuveiro com a
água rugindo nas orelhas.
De volta ao quarto, enrolada na toalha e examinando o vestido, as
dúvidas a respeito da peça começaram a tomar conta da minha
mente. Eu havia crescido com Aliyah e sem a presença da minha mãe,
então não era uma menina tão cheia de frescuras como as outras;
mas isso não impedia que me vestisse bem para ocasiões como
essa. Fiz um gesto negativo com a cabeça e ralhei comigo mesma. O
vestido era bem mais longo do que algumas das saias que as
meninas usavam para ir à escola, pelo amor de Deus. Não havia
problemas.
Assim, sentei na penteadeira com o kit de maquiagem diante de mim
e coloquei o modelador de cachos para esquentar. Passei a base na
pele e apliquei o delineador com cuidado para ressaltar meus olhos
verdes. Passei um bom tempo cuidando para que os cabelos,
sedosos e com aroma de coco depois do banho, cascateassem pelas
minhas costas em cachos perfeitos e loiros como a luz do sol.
Senti uma certa timidez quando me olhei no espelho - do alto do
meu par de sandálias plataforma com salto de cinco centímetros.
Sabia que haveria garotas que estariam com uma maquiagem bem
mais exagerada, vestidos bem mais curtos e saltos bem mais altos
que os meus. Mesmo assim hesitei, perguntando a mim mesma se
realmente eu estava bonita. Mas, àquela altura, subitamente já eram
oito e treze da noite. O que tinha acontecido com as minhas duas
horas?
Arranquei o celular do carregador e vi uma mensagem que Aliyah havia
enviado, perguntando onde eu estava.
Caminhei cuidadosamente até chegar à casa dela. Meus saltos não
eram muito altos, mas eu sempre me senti mais confortável usando
sapatilhas baixas.
Havia pessoas pelo jardim e a porta da frente estava aberta, deixando
que os graves da música passassem; o som fazia a grama tremer.
Sorri e fui cumprimentando as pessoas enquanto ia até a cozinha
para pegar uma bebida.
Olhei o que havia na geladeira, sem me surpreender por terem tirado
toda a comida para abrir espaço para as bebidas que as pessoas
haviam trazido. Aliyah e Jenna passaram a fazer isso depois que alguns
garotos acharam que seria engraçado usar molho para grudar fatias
de presunto e peru nas paredes alguns meses antes.
Peguei uma garrafa de refrigerante de laranja e a abri na quina do
balcão da cozinha, um truque que o pai de Aliyah havia me mostrado.
- Oi, Emma!
Virei-me e vi um grupo de garotas acenando para mim. Sorri para
elas.
- Oi, pessoal.
- Joy disse que você e Aliyah vão montar uma barraca do beijo no
festival - disse Barclay. - Isso é tão legal!
- Obrigada - sorri.
- Faz anos que ninguém monta uma barraca como essas - disse
Naomi. - É uma ideia fantástica!
- Bem, somos pessoas fantásticas.
Elas riram. - Eu, com certeza, vou passar nessa barraca - disse
Barclay com um sorriso maroto. - Ouvi dizer que a Gwen vai
trabalhar lá
- E Catherine - emendou Johnna.
- Cath vai trabalhar na barraca? - perguntei.
- Foi o que a Gwen me disse - comentou Johnna, dando de ombros.
Naomi riu. - A barraca é sua, Emma. Você devia saber.
Abri um sorriso tímido. - Bem, eu...
- Ei, sabe quem você deveria chamar para trabalhar na sua
barraca? - comentou Barclay. - Ortega.
Por um breve momento, fiquei em dúvida sobre quem diabos era
essa. E foi então que percebi que ela estava falando de Jenna, é claro.
- Acho que ela não toparia.
- Bem, você perguntou?
- Não exatamente...
- Será que ela não faria isso como um favor para a irmã mais nova
pelo menos? - disse Barclay. - Apele para seu sentimento de
culpa. Isso funcionaria.
- Mas acho que já temos as nossas quatro garotas...
- Mas, se vocês tivessem a Ortega, todas as garotas do estado viriam
para o nosso festival - disse Barclay. Ela, assim como quase todas as
garotas, achava que tinha uma chance com Ortega. Bem, até que
tinha, sendo a capitã das líderes de torcida, e Jenna jogando no time
de futebol americano, mas ela nunca olhou duas vezes para ela.
Mesmo assim, ela tinha a reputação de gostar de fazer joguinhos,
ainda que ninguém a visse dando muita atenção às garotas. A coisa
mais esquisita de todas era o fato de que Ortega parecia quase ter
orgulho desse status.
- Sabe de uma coisa? Se conseguir convencer Ortega a ficar na
barraca do beijo, você se transformaria em uma lenda - disse-me
Johnna
- Você tem namorado, Johnna - Joy lembrou-a com uma risada.
- Não pode ir à barraca do beijo.
- E por que não? É por uma boa causa. Qual vai ser a causa desta
vez?
Salvar os golfinhos?
- Acho que fizemos isso no ano passado - eu disse, rindo. - Não,
este ano vamos doar o dinheiro para pesquisas com o câncer.
- Melhor ainda! - exclamou Johnna. - Peça a ele.
- Sim, peça mesmo - insistiu Barclay.
- Você só precisa pedir - implorou Joy. - Por favor, Emma...
- Bem... Não sei...
- Ei, ela está chegando - disse Naomi, repentinamente, me
interrompendo. Ela me deu um empurrão discreto. - Pergunte a ela
só isso.
Se disser "não"... pelo menos você tentou.
- Está bem - suspirei, cedendo. Afastei-me um pouco das meninas
para interceptar Jenna, que estava indo buscar outra cerveja.
Ela me cumprimentou com um aceno de cabeça.
- Você quer trabalhar com a gente na barraca do beijo no festival da
primavera? Por favor. Está difícil conseguir a quarta garota. É para
ajudar instituições beneficentes. Aliyah e eu precisamos de um favor...
Jenna se endireitou, abrindo a lata de cerveja. - Barraca do beijo,
hein?
- Sim.
- Isso é legal.
- Eu sei. Sou uma pessoa legal.
- Melhor do que aquela ideia do pato.
- Haha. Engraçadinha.
Ela deu uma risada e um meio sorriso que fizeram o meu coração
saltitar dentro do peito. - E você quer que eu beije as pessoas? Na
sua barraca do beijo?
- Por uma boa causa? - tentei.
- Acho que não vai dar, Emmy.
- Por favor, Jenna... - implorei, fazendo uma cara de cachorro sem
dono e enfatizando bastante o seu nome.
- Você vai ficar de joelhos e implorar?
- Não - eu disse, devagar. - Mas todas as outras meninas vão. O
que você me diz?
Ela riu um pouco. - É por isso que eu vou dizer não. Desculpe.
Suspirei. - Bem, ninguém pode dizer que eu não tentei.
- Espere aí. Você realmente precisa que eu faça isso ou elas só
querem que eu fique na barraca? - perguntou ela, olhando para o
grupo de garotas que estava mais adiante.
- A segunda opção
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The Kissing Booth
Hayran KurguEmma Myers vive um dilema romântico: Ela está apaixonada pela irmã mais velha da sua melhor amiga, mas não pode ficar com ela, pelo menos é o que ela acha. *Essa história é uma adaptação do livro A Barraca do Beijo* (Jenna é uma personagem intersexu...
