Capítulo 17

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Ele deu de ombros. — Acho que posso assumir esse risco por uma
garota legal como você.
— Bem, falando desse jeito... — falei com um sorriso. — Por que
não?
— Sério? De verdade? — Seus olhos brilharam.
— Sério, de verdade.
— Legal. Bom, ligo para você então.
Concordei com a cabeça. E foi então que me dei conta: — Não tenho
o seu número.
— Aqui está. — Ele tirou a tampa de uma esferográfica com os
dentes e segurou no meu braço, virando-o para o outro lado. E
demonstrou todo o seu talento para anotar o número desde o meu
cotovelo, escrevendo cada algarismo de cabeça para baixo.
— Você podia simplesmente ter digitado no meu celular.
— Mas então não seria nem um pouco divertido.
Eu ri.
Enquanto isso acontecia, o professor entrou na sala. — Certo,
pessoal, fiquem quietos e sentem-se. Temos bastante trabalho hoje.
Abram os livros na página cento e trinta e sete. Na aula passada,
estudamos a produção do etanol, seus usos comerciais e implicações
sociais...
— Isso mesmo — disse um dos garotos, provavelmente Oliver,
atraindo a atenção para si. — Como fazer Emma tirar a roupa!
Senti o rosto corar e rebati: — E o que você viu? Você já estava
apagado àquela hora, fracote!
— Boa — riu Doohan, aprovando minha resposta; os outros começaram
a vaiá-lo, mas abri um sorriso.
Aliyah não se importaria quando eu lhe falasse que teria um encontro
com Doohan. Ele o conhecia um pouco melhor do que eu, também. Era
Jenna que me preocupava.
— Ei — disse Doohan, quando o sinal tocou e eu estava prestes a sair
correndo para a minha reunião sobre o festival.
— Sim?
— Me ligue. — Ele piscou o olho, rindo.
Eu sorri. — Tchau, Doohan.
CHEGUEI À REUNIÃO AO MESMO TEMPO QUE ALIYAH. — EI, VOCÊ
NUNCA vai adivinhar o que acabou de acontecer na minha aula de
química.
— Você foi convidada para sair.
Meu sorriso se transformou em um beicinho. — Como você soube?
— Farmer me mandou uma mensagem. Disse que alguém ali estava
disposto a arriscar o pescoço. Doohan, não é?
— Isso mesmo — respondi, com um sorriso enorme. — Será que
você pode ficar um pouco mais animado por minha causa, Aliyah? — Eu
o cutuquei no braço em tom de brincadeira. — Vou sair para um
encontro! Você não está feliz por mim?
Aliyah riu. — Estou, Emmy! — Ela me deu um abraço, mas talvez só
tenha feito isso para me fazer parar de saltitar de um lado para outro
pela empolgação. — Doohan é um cara legal. Só estou imaginando o
que a minha irmã vai dizer quando alguém contar isso a ela.
Eu ri. — Não se preocupe, vai ficar tudo bem.
— Se você diz...
— Então, Aliyah e Emma — disse Tyrone, o presidente do grêmio
estudantil, dando início à reunião com um simples bater das suas
palmas enormes. Ele estava sentado na cabeceira da mesa, com Gen
ao seu lado, papel e caneta a postos para registrar a minuta. Ela
desempenhava sua função de secretária do grêmio estudantil com
bastante seriedade. Todos olharam para Tyrone e imediatamente
fizeram silêncio. — Soube que vocês finalmente tiveram a ideia para
sua barraca.
— Sim — dissemos em uníssono.
— Uma barraca do beijo.
— Aham — concordamos em coro.
Ele nos olhou com uma expressão preocupada. — Vocês não acham
que isso é... um pouco arriscado?
— O quê? Como assim, arriscado? É só dizer que, se a pessoa
estiver gripada, não pode vir à barraca do beijo. Não vai ser um
grande problema, Tyrone.
— Não é isso. A questão é... bem, vocês não acham que isso é uma
ideia meio vulgar? Soube que algumas pessoas não estão muito
felizes com ela.
— Mas nós já começamos a fazer a placa! — argumentou Aliyah,
levantando a voz. — Já temos as pessoas que vão trabalhar na
barraca! Todo mundo adorou a ideia!
— Tyrone, ninguém está pensando desse jeito — argumentei,
calmamente, cutucando Aliyah com o cotovelo. — Além disso, muitos
festivais têm uma barraca do beijo. E sempre podemos estabelecer
algumas regras. Como aquelas restrições de acordo com a altura das
pessoas nas montanhas-russas...
Podemos estabelecer um limite de idade, se é isso que o preocupa.
— Há uns dois professores que não estão muito contentes com isso.
Pessoalmente acho uma ótima ideia. Só não tenho muita certeza se é
o melhor a fazer.
— Vai dar tudo certo — prometi a ele, abrindo um grande sorriso.
— Bem, se vocês já estão com tudo planejado, é melhor começarem
a trabalhar na barraca. O festival é no sábado que vem. Tudo tem que
estar pronto até sexta.
— Sim, nós sabemos. Vai estar tudo pronto até lá — disse Aliyah.
— Fantástico. Vamos em frente, então. Kaitlin, você tem o telefone da
fábrica de algodão-doce?
— Lembre-me de perguntar a dua irmã se ela vai passar na nossa
barraca —sussurrei para Aliyah. — As meninas estão falando disso o
tempo todo, sem parar.
— Você sabe que ela vai dizer não.
— Sim, mas tenho que perguntar assim mesmo.
— O que foi que eu lhe disse, Emmy? — Aliyah sorriu, dando um
peteleco no meu nariz e fazendo com que eu retorcesse o rosto. —
Você é gentil demais.
ALIYAH TEVE QUE CORRER PARA O SUPERMERCADO COMPRAR
ALGUMAS coisas para sua mãe. Por isso, ele me deixou diante da
sua casa, pois íamos trabalhar na playlist das músicas da barraca do
beijo. Eu pensei em começar a procurar algumas músicas românticas
enquanto ele não chegava, e entrei na casa. A porta já estava
destrancada. Vi o carro de Jenna, que ela mesmo havia consertado,
diante da garagem.
— Nossa mãe disse que você precisa ir comprar mais leite. Estamos
sem nada — eu a ouvi dizer.
— Ela já foi — respondi. — Sou eu.
Entrei na cozinha bem quando Jenna estava saindo — e ela trombou
comigo, derrubando um copo de água que molhou toda a minha
blusa. Para piorar as coisas, a água estava gelada e eu gemi, dando
um salto enorme para trás.
— Jenna! — gritei, puxando a blusa. Ela ficou totalmente colada na
minha pele, e o fato de eu estar usando um sutiã cor-de-rosa por
baixo, já que todos os meus brancos estavam sendo lavados, não
melhorou a situação. Suspirei.
Tinha que ser comigo.
Encarei Jenna com uma expressão irritada. Vi um músculo estremecer
no queixo dela, e suas sobrancelhas se juntaram.
— O que foi? O que significa esse olhar? — perguntei, sentindo meu
mau humor entrando em ação. Como Jenna não disse nada, passei
por ela e entrei na cozinha pisando duro para pegar algo para beber.
— Ei, o que é isso no seu braço?
Não respondi.
— É verdade que você vai sair com um cara da escola?
Coloquei o copo vazio sobre o balcão. — Que droga, Jenna! Isso tem
importância? Já não basta Aliyah me dizendo que sou gentil demais.
Você não precisa ficar me controlando também!
— Você não respondeu à minha pergunta.
— Você também não respondeu à minha.
— Perguntei primeiro, Emma Myers.

The Kissing BoothHistórias para pegar e não largar. Descubra agora