Capítulo 11

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PASSEI A MAIOR PARTE DO DIA JOGANDO MARIO KART COM
ALIYAH
— Estou bastante surpresa por Jenna ter cuidado de mim — admiti
para Aliyah
Ela riu. — Você não é a única. Eu teria cuidado, se estivesse por ali.
Mas fui emboscado no caminho...
— Sim, você me falou sobre Farmer . Por acaso você beijou alguma
outra menina ou só ela? É melhor você se cuidar ou vai acabar
ficando igual a sua irmã
Aliyah revirou os olhos. — Pelo menos eu não arranquei a roupa em
cima da mesa de sinuca. Formamos um belo par.
— Eu estava bêbada.
— Eu também. Um pouco.
— Jenna não estava, aparentemente.
— Acho que ela estava, se cuidou de você desse jeito. Ela
geralmente não é tão... gentil.
Eu ri. — Para dizer isso de uma maneira gentil.
— É verdade. Ei, talvez ela esteja retribuindo aquele crush que você
tinha por ela.
Olhei para Aliyah com uma expressão séria.
— Não diga besteiras. Já superei aquela fase faz alguns anos, como
você bem sabe.

Aliyah torceu o nariz. — Seria bem esquisito, na verdade.
— Se você diz. — Eu a empurrei, fazendo com o que o kart dela
saísse da pista, mandando Yoshi rumo a uma longa queda por cima
da cachoeira enquanto assumia a liderança com Luigi.
Voltei para casa por volta das cinco da tarde; tinha algumas lições
para terminar. Fiz com que Aliyah me levasse para casa, porque havia
pegado uma calça jeans emprestada com ela e não queria ser vista
em público. Corri até a porta, ouvindo minha melhor amiga rir de mim.
— Ei!
— O que foi? — gritei, virando-me para trás.
Ela atirou o meu vestido para mim, e consegui pegá-lo logo antes que
caísse no chão. — A gente se vê amanhã de manhã!
— Tchau, Aliyah!
Fechei a porta da frente e ouvi: — Emma, é você?
— Sim! Oi, pai.
— Venha até a cozinha um minuto.
Suspirei, imaginando se iria levar um sermão ou não. Sempre tive
pavor de encarar meu pai bravo comigo.
Ele estava digitando em seu notebook na mesa da cozinha, e ouvi
Isabel jogando no Wii na sala de estar.
— Oi — eu disse, ligando a cafeteira.
— Pode fazer uma xícara para mim também, já que está aí.
— Claro.
— A festa foi boa?
Fiz que sim com a cabeça. — Sim, ótima.
— Você não bebeu demais? Nem fez nada estúpido? — Ele me
encarou com uma expressão severa por cima do aro dos óculos;
estava falando sobre garotas.
Não sei por que ele se incomodava em fazer isso. O fato de eu nunca
ter tido uma namorada e nunca ter beijado uma garota não era algo
realmente confidencial.
— Eu... eu não fiz nada muito diferente... só fiquei um pouco bêbada.
Ele suspirou, tirou os óculos e esfregou a bochecha. — Emma Myers...
você sabe o que eu lhe disse sobre beber.
— Ficou tudo bem, de verdade. Além disso, Aliyah e Jenna cuidaram de
mim.
— Jenna cuidou de você?
Até mesmo o meu pai ficou suficientemente surpreso para se
esquecer de falar sobre bebidas por um momento.
— Pois é... também achei estranho.
— Hmmm. Bem, de qualquer maneira, não mude de assunto,
mocinha. Você sabe o que eu disse sobre beber.
— Eu sei. Desculpe.
— Hmmm. Da próxima vez que isso acontecer, você vai ficar um mês
inteiro de castigo, entendeu? E não pense que não vou descobrir.
— Mensagem recebida. Alto e claro.
Ele não parecia estar totalmente convencido, mas deixou passar. Não
era como se eu saísse para beber noite sim e noite não; era uma daquelas coisas que acontecem de vez em quando.
— E então, você e Aliyah conseguiram pensar em uma boa ideia para a
barraca? O festival é daqui a duas semanas.
— Sim. Vamos fazer uma barraca do beijo.
— Isso é... diferente — disse o meu pai, rindo. — Tem certeza de que
vão deixar vocês fazerem isso?
Dei de ombros, enchendo duas xícaras com café. — Não vejo motivo
para proibirem.
— Bem, é melhor do que ficar jogando bolas em cocos. Ah, tem outra
coisa.
Preciso que você cuide de Isabel amanhã, está bem? Vou trabalhar até
tarde.
— Claro. — Depois de acrescentar uma tonelada de leite ao meu
café, eu o engoli. — Vou tomar um banho e fazer a minha lição de
casa.
— Certo. O jantar é às sete. Temos bolo de carne.
— Legal.
Eu odiava segundas-feiras. Eram um saco. Não havia nada de
positivo nas manhãs de segunda-feira. Sempre programava o
despertador para tocar vinte minutos antes do necessário, porque
detestava ter que sair da cama.
Finalmente consegui me levantar e tirei a calça preta do guarda-roupa.
Nossa escola foi construída por volta de mil novecentos e pouco, e,
por algum motivo idiota, ainda mantinha a tradição do uniforme. Não
era o pior uniforme do mundo, mas eu gostaria que não fôssemos
obrigados a usar isso.
E, como se as segundas-feiras já não fossem suficientemente ruins, a
minha estava prestes a ficar bem pior.
Raaaaasg!
Fiquei paralisada, com o pé chegando até a metade da perna da
calça.
Rapidamente tirei-a e dei uma olhada no estrago. Na semana
passada, havia somente um buraquinho na costura da parte interna
da perna direita. Agora havia um rasgo imenso.
— Ah, merda — resmunguei, jogando-a no chão. Eu não era muito
boa com costura, mesmo que estivesse em um dia bom, e meu pai
jamais iria conseguir consertá-la. Teria que comprar uma calça nova
pela internet, que deveria chegar lá pela quinta-feira, pelos meus
cálculos. Mas, até que isso acontecesse, teria que usar a minha velha
saia.
Detestava a saia do uniforme da escola. Era um modelo pregueado,
feito com um tecido xadrez azul e preto. Era preciso usar meias com
ela. Não podia usar uma legging, nem ir com as pernas à mostra.
Meias até a altura do joelho. A combinação ficava bem em algumas
pessoas, e eu havia aceitado aquilo e usado a saia durante algum
tempo no ano passado antes de decidir que jamais iria encostar a
mão naquela peça de novo.
Mas eu não tinha escolha.
E o pior: agora, aquela saia estava meio curta para mim.
Suspirei outra vez. Não havia outro jeito. Não era como se eu tivesse
outra opção. Revirei uma gaveta até conseguir encontrar um par de
meias que havia comprado para usar com a saia no ano passado.
Encarei meu reflexo no espelho com uma careta antes de descer para
tomar o café da manhã.

The Kissing BoothHistórias para pegar e não largar. Descubra agora