FINALMENTE A SEMANA TINHA TERMINADO NA ESCOLA. Eu não vi Jenna tantas vezes, exceto nas ocasiões em que passamos uma pela outra na hora do almoço ou nos corredores a caminho das aulas ou quando eu a via enquanto estava com Aliyah.
Era noite de sexta-feira. O sol começava a se pôr, manchando o céu de cor- de-rosa e vermelho antes de ficar preto como nanquim e estrelado. Estava bastante pitoresco e bonito.
Os garotos estavam pulando na piscina com estardalhaço, desafiando uns aos outros para ver quem conseguia espalhar a maior quantidade de água ou fazer a pirueta mais maluca, e todas as outras coisas idiotas que os homens sempre fazem. Eu estava deitada em uma das espreguiçadeiras com Mickey e Lisa, a namorada de Cam, que fazia uma das aulas comigo. Elas estavam conversando sobre ir fazer compras, mas eu estava perfeitamente feliz simplesmente por ficar deitada ali e fechar os olhos, estava completamente relaxada, mexendo um dos meus pés no mesmo ritmo da música que tocava nas caixas de som instaladas no deck da piscina. O tempo ainda estava agradável o suficiente para eu me sentir confortável usando um biquíni. Não era realmente o melhor clima para tomar sol, especialmente nesse horário, mas era agradável poder simplesmente ficar deitada ali.
— Ei, garotas, vocês vão entrar na água? — Abri os olhos, preguiçosamente, quando Moosa chamou, afastando os cabelos molhados da frente dos olhos enquanto se apoiava na beirada da piscina.
— Talvez daqui a pouco — eu disse.
— Hmmm, talvez — disse Lisa. — Não sei...
— Pois é, não estou muito a fim de molhar o cabelo — admitiu Mickey, com um sorriso tímido. Moosa revirou os olhos, mas eu sorri.
— A água não está fria? — perguntou Lisa, em dúvida.
— Venha experimentar — desafiou Millie, surgindo ao lado de Moosa.
— Não, obrigada — riu Mickey. — Estamos bem aqui fora.
Millie olhou para mim, com expectativa. — Você vai cair na água, Emma ?
— Talvez... — respondi, preguiçosamente, deixando que meus olhos se fechassem outra vez.
— Emma, o que está rolando entre você e Ortega? Tipo... de verdade? —
perguntou Mickey, em voz baixa. Eu ouvi uma cadeira ranger quando Lisa se aproximou de mim também.
Dei de ombros. — Nada.
— Mas você age de um jeito... não sei. É estranho. Você parece ficar muito normal quando está perto dele.
— Sim, mas isso não é nada surpreendente — argumentei. — Cresci junto com Aliyah, e Jenna estava sempre por perto. É por isso que eu não o chamo de Ortega. Mas também porque sei que ela fica irritada quando a chamo de Jenna.
Ouvi Lisa rindo discretamente e sorri. Mickey disse: — Ela é tão superprotetora em relação a você que achei que talvez houvesse alguma coisa... você sabe...
Neguei ligeiramente com a cabeça. — Não. Esse é somente o jeito dela.
Nada que seja tão importante. Não era exatamente uma mentira, mas...
— Se você diz — disse Mickey.
— Eu acho que seria muito fofo vocês duas juntas — comentou Lisa.
— Vocês são tão diferentes que seria, quem sabe, um par perfeito.
Você não acha?
A única coisa que consegui fazer foi bufar de maneira dúbia. — Nós discutimos o tempo todo. Se acabássemos ficando juntos... Não que isso algum dia vá acontecer. Por Deus, não, jamais. Acho que acabaríamos nos matando. As duas riram e, em seguida, começaram a conversar sobre algum novo filme. Acabei me distraindo, contente e sonolenta demais para deixar que aquilo me distraísse por muito tempo.
Depois de alguns momentos de paz, senti alguma coisa segurar meu tornozelo. Outra coisa segurou na minha outra perna, e meus braços grudaram às laterais do meu corpo. A espreguiçadeira desapareceu debaixo de mim também, tudo no espaço de um segundo. Meus olhos se abriram rapidamente e vi Aliyah, Moosa, Millie e Doohan, todos rindo da minha expressão horrorizada. Comecei a me debater enquanto eles me carregavam. — Me soltem!
Me ponham no chão! Eles continuaram a rir. Aliyah disse: — Não vai dar, Emmy.
— Me ponham no chão! Vocês vão me deixar cair! Me ponham no chão!
— Se você realmente quer... — disse Doohan, os garotos me balançaram para frente e para trás, uma, duas... Eu gritei, rindo sem conseguir me conter. — Não! Tarde demais. Eles já haviam me jogado. Caí bem no meio da piscina, fazendo uma onda enorme e ouvindo todas as pessoas rindo quando atravessei a superfície. E senti, mais do que ouvi, quando os garotos mergulharam logo em seguida. A água estava congelando! Voltei à tona tentando tomar ar, com os cabelos encharcados grudados no rosto e no pescoço. Meus dentes batiam ligeiramente. — Otarios, odeio vocês! — eu gritei, mas estava rindo. Eles riram, e eu olhei para as outras garotas, que gargalhavam incontrolavelmente.
— Não vai ser tão engraçado quando eles jogarem vocês na piscina daqui a pouco — disse a elas, e as duas riram com ainda mais força. Comecei a nadar na direção da escada para sair da piscina.
— Não! Você acabou de entrar. Não pode sair tão cedo! — protestou Millie, e mergulhou em minha direção, tentando me puxar para longe da escada. Eu ri e me apressei para tentar sair, mas era como
tentar atravessar o melaço; senti Millie me puxar para trás outra vez.
— O que significa toda essa gritaria?
Subi pela escada bem no momento em que Millie tentou me agarrar. A parte de cima do meu biquíni se soltou na mão dela, e todos ficaram em silêncio quando Jenna me encarou com um olhar de desaprovação. Cobri o peito nu com os braços, sentindo as bochechas ardendo.
Oh, meu Deus. Que humilhante!
Minhas bochechas estavam ardendo, embora o resto do meu corpo tremesse de frio. Em seguida, ouvi alguém começar a rir. Aliyah. Eu reconhecia muito bem aquela risada. Quando Aliyah quebrou aquele silêncio esquisito e constrangedor, todo mundo começou a rir, também.
— Millie, eu oficialmente odeio você! — falei, virando-me para olhar para ela quando tive certeza de que estava completamente coberta.
Ela estava com um sorriso malandro no rosto, e em seguida disse: —Desculpe, eu não queria ter pegado... não tive a intenção de arrancá-lo de você.
— Você é uma idiota completa — eu disse, com uma risadinha.
— Você vai querer essa parte de volta ou...? Olhe, não vou reclamar se você não quiser — provocou ela. Dei uma risada sarcástica.
— Minhas mãos não estão exatamente livres para que eu possa ir aí buscar — disse, sem me abalar.
— Ah, é mesmo. — Ela riu outra vez e jogou a parte de cima do biquíni para mim. Com um estalo úmido, ela caiu no chão. Moosa se aproximou nadando dela e empurrou sua cabeça para baixo da água, segurando-a ali por alguns segundos antes de deixar que voltasse à tona para respirar.
Eu ri junto com todos os outros. — Dei o troco nela por você! — disse Moosa, orgulhosamente, fazendo um sinal com o polegar.
— Espere até eu colocar minhas mãos nela. Aí ela vai se arrepender de ter nascido — ameacei, mas ainda estava rindo demais para que alguém me levasse a sério.
— Espere até que Ortega coloque as mãos nela, você quer dizer, né?
— ouvi Doohan murmurar, e quando virei para o outro lado, vi Jenna olhando para todos com uma expressão séria no rosto.
Suspirei. Lá vamos nós de novo...
— Não — sibilei para Jenna, severa, passando por ela e entrando na casa.
Por sorte, os pais de Aliyah haviam saído para jantar antes de ela nos convidar para vir até a casa, e ainda não haviam voltado. Se estivessem aqui, seria bastante constrangedor entrar para procurar
uma camiseta de Aliyah com os braços ao redor do corpo cobrindo meu peito nu. Minhas roupas estavam ao redor da piscina, é claro, mas eu não estava com as mãos livres para pegá-las. Revirei as gavetas de Aliyah e encontrei uma camiseta de um show que tínhamos ido assistir há uns dois anos, e a puxei desajeitadamente para cobrir meu corpo molhado.
Ouvi alguém pigarreando atrás de mim. O barulho me fez saltar quase até o teto; eu não havia nem mesmo escutado ninguém subir. Jenna estava encostada no batente da porta com os braços cruzados diante do peito, e uma expressão no rosto que deixou as palmas das minhas mãos um pouco úmidas. Sua expressão estava neutra, mas
era a sombra em seus olhos brilhantes que aumentou a minha ansiedade.
— O que foi? Por acaso você quase quebrou a costela de Millie, de novo?
— disse, com a voz severa, encobrindo meu nervosismo com o tom irritado.
— Não —respondeu ela, com as sobrancelhas se juntando.
— Ah. O que foi, então? A perna dela? Um braço, talvez?
Ela deu dois passos em minha direção. — Não. Acho que entendeu o recado para se afastar somente com a olhada que dei para ela —disse, com arrogância.
— Mas você... você não chegou a dizer nada para Millie, não foi? E também não fez nada, não é? Meu Deus, eu devo ter entrado em algum universo paralelo.
Ela riu, ironicamente. — Não precisei fazer nada. Ela já entendeu o recado. Balancei a cabeça ligeiramente para mim mesma, ainda me recuperando do choque.
— Além disso, até mesmo eu sou capaz de compreender que foi um acidente — completou, relutantemente.
— Ninguém viu nada.
— Exceto eu.
— Bem, sim, mas... digo... você já... Você sabe o que eu estou querendo dizer.
Ela abriu seu sorriso malandro quando percebeu meu rosto vermelho e minha confusão.
— E, de qualquer maneira, é você quem usa a cueca do Superman.
— Podia ver o elástico daquela peça aparecendo por cima da cintura do seu jeans. Eu me lembrava de como havia conseguido fazê-la corar quando a vi usando aquela cueca.
— Não importa — disse ela, colocando um ponto final na conversa, mas sem conseguir me olhar nos olhos. Sorri triunfantemente, sabendo que havia conseguido deixá-la envergonhada.
Quando saí do quarto de Aliyah, passando por Jenna e deixando meu corpo se esfregar ligeiramente no dela, disse de maneira bem casual:
— Imagine o que as pessoas diriam se descobrissem que Ortega, a mais popular, a alfa, usa cuecas do Superman...
— Você não faria isso.
Olhei por cima do ombro com um sorriso inocente, mordendo o lábio como se a desafiasse a duvidar de mim. Quando ela tentou me agarrar, soltei um gritinho e corri para o quarto mais próximo — que, por acaso, era o dela. Não conseguia decidir se aquilo era um golpe de sorte ou de azar, mas agora eu estava presa no quarto de Jenna, e ela fechou a porta
atrás de si, sorrindo para mim. Recuei, mas a cada passo que eu dava ela avançava um, mantendo constante a distância entre nós. Quando as minhas costas tocaram a parede e não havia lugar nenhum para onde pudesse me virar, Jenna aproveitou a oportunidade e subitamente me prensou contra a superfície, com aquele hálito quente fazendo cócegas no meu rosto.
— Às vezes, Emma... — sussurrou, com os lábios roçando bem de leve nos meus — ... você é irresistível demais, e isso não é bom para você. Senti uma ligeira descarga de emoção correr pelo corpo.
Ela arrastou os lábios pelo meu queixo, fazendo minha pulsação acelerar e minha respiração ficar presa na garganta. Quando não consegui mais aguentar aquela provocação, segurei seu rosto e a
beijei. Dessa vez, não bati meus dentes nos dela. Horas e horas de prática transformaram isso em algo definitivamente deixado pra trás.
Ela se afastou quando eu estava totalmente sem fôlego, e meus olhos se abriram bem lentamente para fitar os dela. Jenna afastou uma mecha de cabelo ainda úmido que estava diante do meu rosto e passou a mão na minha bochecha, carinhosamente.
— Você é mesmo maravilhosa, Emma. Sabia disso? — disse com ternura, deslizando o polegar pela minha bochecha. Vi seu sorriso malandro quando enrubesci. Era tão esquisito... as garotas haviam me dito algumas vezes que eu era bonita, e os rapazes às vezes me provocavam dizendo que eu era gostosa, mas quando Jenna disse aquilo, meu coração deu cambalhotas estranhas dentro do peito.
— Adoro fazer você corar. — Eu quase conseguia ouvir o riso em sua voz.
— Cale essa boca — murmurei, colocando as mãos em seu peito e empurrando sem muita força.
— É melhor você voltar — murmurou. — Antes que o pessoal comece a estranhar sua demora.
— Ou antes que Aliyah pense que estamos nos matando.
Jenna riu. — É, acho que isso é mais provável.
Mas ela não recuou. Eu poderia sair dali se realmente quisesse, mas nós duas continuamos exatamente onde estávamos, com o polegar de Jenna ainda acariciando minha bochecha. Meus olhos percorreram uma trilha que passava pelos contornos das maçãs de seu rosto, pelo queixo, pelas ondulações do nariz perfeito, pelo comprimento dos seus cílios, pelas sardas quase invisíveis que ela tinha no ponto em que o nariz se unia à testa... Todas as pequenas coisas que eu nunca havia realmente percebido antes.
— Jenna...
— Sim?
— Eu realmente preciso ir.
Falei aquilo com bastante relutância; minha voz traía os meus verdadeiros sentimentos. Mas ela suspirou e se afastou, baixando a mão. O ar estava tão denso que podia acabar me sufocando. Tudo que eu queria fazer era ficar ali com Jenna, mas sabia que não podia. Virei o rosto e desci as escadas. Minha bochecha formigava no lugar onde ela havia colocado a mão; e ainda conseguia sentir o sabor de seus lábios. Tive que parar por um momento e recompor a minha expressão para que ninguém percebesse que alguma coisa havia acontecido. A parte mais difícil era sufocar meu sorriso.
— Ortega parecia estar com um humor horrível — disse Mickey, em voz baixa, quando voltei para junto dela. — O que foi que ela disse?
— Não a vi — menti. Detestava o quanto era fácil mentir para ela.
— Você devia ter visto a cara de Millie — disse Lisa, entre risos. Ela pegou o celular, tocou em alguns botões e me entregou o aparelho. Uma foto do rosto de Millie encheu a tela: ela estava branca como um fantasma, com os olhos esbugalhados e a boca aberta, aterrorizada.
Eu ri. — Ah, meu Deus, essa foto ficou fantástica! — E ficou nisso. Suspirei por dentro, sentindo uma onda de alívio. Parecia que ninguém suspeitava que Jenna e eu estávamos juntas.
Decidi empurrar todos os pensamentos relacionados a ela para o fundo da minha mente e curtir o resto da noite de sexta-feira com meus amigos.
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The Kissing Booth
Fiksi PenggemarEmma Myers vive um dilema romântico: Ela está apaixonada pela irmã mais velha da sua melhor amiga, mas não pode ficar com ela, pelo menos é o que ela acha. *Essa história é uma adaptação do livro A Barraca do Beijo* (Jenna é uma personagem intersexu...
