Capítulo 30

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Ela me levou até o seu carro, atravessando o estacionamento vazio, e
entramos. A tensão era quase insuportável. Não sabia o que dizer ou
como agir agora. Eu havia beijado Jenna. E aquele beijo havia sido
bem intenso, aliás.
Não tinha sido nem mesmo um resultado da bebida. O que eu devia
fazer agora?
— Você se importa se passarmos em minha casa antes? —
perguntou ela. — Meu pai comprou um jogo de videogame que achou
que Isabel iria gostar.
Preciso entregá-lo a você.
— Ah, claro — assenti. — Sem problemas.
— Certo.
Depois de mais alguns minutos, ela perguntou: — E então, quanto a
barraca de vocês conseguiu faturar?
— Seiscentos e quatorze dólares.
Ela soltou um assobio baixo. — Uau.
— Eu sei. Ganhamos mais do que a barraca de cachorro-quente.
Ela assentiu, e o silêncio voltou. Eu aumentei um pouco o volume do
rádio para tentar aliviar a tensão, mas não deu muito certo.
Tudo estava muito estranho. Forçado.
Olhei para Jenna pelo canto do olho. Sua cabeça balançava
ligeiramente ao ritmo da música, e o sol iluminava o lado esquerdo do
seu rosto, jogando sombras sobre o lado mais próximo de mim.
O beijo provavelmente não tinha significado nada para ela, tentei
dizer a mim mesma. Jenna gostava de joguinhos; o que era um beijo
para ela? Somente um beijo. Provavelmente, eu estava imaginando todo aquele embaraço e a tensão no ar, criando uma situação muito
maior do que realmente era, porque aquele havia sido o meu primeiro
beijo.
Mesmo assim... foi ela que transformou aquilo em um beijo de língua.
E depois pareceu tão perdida quanto eu. Mas talvez tenha sido
porque eu beijava muito mal, e ela não disse nada para me poupar do
constrangimento, quem sabe?
Minha mente estava disparada, rodando a dois quilômetros por
segundo. Eu estava confusa, preocupada, queria beijá-la outra vez
e...
Não. Isso não vai acontecer. Você não vai beijar Jenna outra vez,
Emma Myers, porque ela é Jenna Ortega . Ela é a irmã mais velha de Aliyah. Ela é
A cafajeste responsável pela inexistência da sua vida amorosa, e que
lhe falou que só a vê como uma irmã mais nova. Lembre-se, você
devia estar louca da vida por ela ser tão superprotetora, irritante e por
interferir na sua vida, não é? Você não devia estar pensando em
beijá-la. Você está brava com ela...
não está?
Aquela linha de pensamento não estava me ajudando.
Eu ainda queria beijá-la outra vez.
O trajeto se estendeu pelo que pareceu uma eternidade — e ainda
não havíamos nem chegado no meio do caminho. Suspirei. Senti que
ela me olhava, mas estava ocupada demais com a minha batalha
interna para prestar atenção nela.
Queria beijá-la outra vez — para ter certeza de que não havia fogos
de artifício explodindo dentro de mim, justifiquei. Mas eu não devia
fazer isso.
Aposto que ela ainda pensava em mim como a amiga da sua irmã
mais nova, a menininha com quem ela cresceu... Mas o que pensar daquele momento depois da festa na sua casa, quando caímos da
cama? Tinha certeza de que senti alguma coisa entre nós. Bem,
talvez eu estivesse apenas me iludindo.
E, provavelmente, também estava me iludindo ao pensar que ela
estava me olhando com desejo quando entrou no vestiário e me viu
somente de sutiã.
Mas talvez houvesse algo mais, que simplesmente não havíamos
percebido ainda. Quem sabe mais um beijo para provar que eu
estava errada. Ou certa.
Será que seria tão ruim assim?
Não. Eu não podia beijá-la de novo. Não podia...
Ou será que podia?
Suspirei outra vez, conforme o carro subia pela rua onde ele morava.
O que eu ia fazer?
Finalmente estacionamos diante da casa dele.
— Vou entrar e pegar o jogo para Isabel — anunciei. — E voltar
andando para a minha casa daqui.
A verdade era que eu não queria passar mais nem um minuto dentro
do carro com ela.
— Claro. Você é quem sabe.
Saímos do carro e o segui até a cozinha, ficando junto à porta
enquanto ela procurava por entre uma pilha de papéis no balcão,
mordendo o lábio nervosamente.
Ela virou-se com um novo jogo do Mário e me entregou. Não chegava
a estar a meio metro de mim. Apenas alguns centímetros de ar nos
separavam.
Antes que tivesse consciência do que estava fazendo, fiquei na ponta
dos pés e pressionei meus lábios contra os dela.
Imediatamente percebi que estava agindo como idiota e recuei, com
as bochechas ardendo e o coração acelerado.
Jenna piscou os olhos, aparentemente chocada. Estava me olhando
fixamente com uma expressão impossível de identificar.
— Ah, meu Deus — balbuciei, apressadamente, sentindo-me
totalmente humilhada. — Desculpe. Eu só... digo... eu só... ai, cara,
eu...
Jenna deu um passo à frente e calou a minha boca com bastante
eficácia, esmagando os lábios contra os meus. Qualquer resistência e
tensão desapareceram do meu corpo (devido ao choque ou a alguma
outra coisa, não tinha certeza), e meus braços se fecharam ao redor
do seu pescoço.
Esqueci-me do papel de idiota que havia acabado de fazer e comecei
a retribuir o beijo. Suas mãos estavam nas minhas costas e no meu
cabelo, esmagando-me contra ela de tal maneira que parecia que
cada pedaço dos nossos corpos estava se tocando. E, só para
constar: definitivamente havia fogos de artifício estourando dentro de
mim.
Com as mãos nos meus quadris, ela me ergueu até me sentar sobre
o balcão da cozinha, com minhas pernas ao redor da sua cintura. Ela
veio beijar meu pescoço, e foi então que a minha cabeça começou a
se desanuviar um pouco e percebi exatamente o que nós estávamos
fazendo ali.
— Jenna, nós... nós não podemos fazer isso — disse, ofegante e
trêmula.
Ela suspirou, recuando um passo e passando a mão nos cabelos. Eu
não fazia ideia do que ela estava pensando; sua expressão era
indefinível.

Seu olhar cruzou com o meu outra vez, e tive a sensação de que ela
queria uma explicação.
— Eu... eu não vou ser somente outra garota com quem você dorme
e depois não telefona na manhã seguinte — falei, empinando o
queixo. — Não vou arriscar minha amizade com Aliyah somente por
isso.
Jenna me observou por um longo momento. — Você acha que é isso
que eu faria? De verdade?
— B-bem... — Deixei a frase morrer no ar. Não era?
Ela se aproximou até haver somente um palmo de distância entre
nós. Se eu pudesse recuar, teria feito isso, mas ainda estava sentada
no balcão.
— Vamos esclarecer certas coisas — disse ela, com a voz baixa e
firme. — Em primeiro lugar: você tem ideia de quantas garotas eu
beijo em uma festa que no dia seguinte dizem que dormiram comigo?
Depois: apesar do que todas essas garotas acham, elas nunca
querem realmente namorar comigo. Dizem que querem, mas pense
um pouco. Quem vai querer namorar com alguém que é conhecido
por se envolver em brigas ou que gosta somente de relacionamentos
casuais?
Observei seu rosto e rapidamente decidi que ela estava falando
totalmente sério.
Jenna podia ser uma cafajeste, com certeza — mas mentir nunca foi o
seu forte.
Percebi o que ela queria dizer. Mesmo que as garotas não quisessem
nada a longo prazo, elas não se importariam em ter algo mais casual
com uma garota gostosona com histórico de violência. Sempre achei
estranho o número de garotas que diziam ter dormido com ele
quando parecia que Jenna havia passado a noite sozinho; Aliyah e eu nunca quisemos fazer muitas perguntas a respeito, de qualquer maneira.

The Kissing BoothHistórias para pegar e não largar. Descubra agora