AINDA ESTAVA DECIDINDO O QUE VESTIRIA ÀS SETE DA
NOITE. Aliyah chegaria dali a quarenta e cinco minutos. Eu estava me
arrumando há duas horas, e já havia trocado de roupa mais ou menos
umas cinquenta vezes.
Aquela semana havia passado rápido demais; já era o dia da festa de
Warren.
Estava em pé com as mãos nos quadris diante do meu armário,
analisando criticamente todas as minhas roupas de novo. — Sabe de
uma coisa? — disse a mim mesma. — Desse jeito, vou acabar indo à
festa só de sutiã e calcinha.
Não queria usar um vestido ou uma saia para ir à festa —
basicamente porque havia esquecido de depilar as pernas —, e isso
limitava consideravelmente minhas alternativas no quesito “roupa de
festa”.
O que eu realmente queria vestir era uma blusinha preta transparente
que praticamente não tinha a parte das costas; em seu lugar, havia
uma trama de tiras que se entrecruzavam. O decote era reto e ficava
na altura da minha clavícula; estava longe de ser longo. Apenas não
sabia se aquela peça era adequada para uma festa.
Suspirei, passando a mão na altura da clavícula (não queria estragar
a maquiagem). Será que eu realmente me importava com a
possibilidade de não estar vestida adequadamente? Eu sabia o
verdadeiro motivo pelo qual queria estar bem vestida. Queria
impressionar Jenna.
Mas isso era bobagem. Para o inferno com tudo. Eu iria usar a
blusinha preta, e se não combinasse com a festa, que mal haveria?
Peguei meu jeans. O tecido azul-claro artisticamente rasgado nas
pernas.
Vesti a blusinha também, e sentei-me diante da cômoda para terminar
de arrumar os cabelos. Ainda não estava realmente com humor de
festa, e o prendi em um rabo de cavalo no alto da cabeça.
Resolvi retocar o rímel. Ainda tinha alguns minutos para queimar
antes que Aliyah chegasse.
Foi então que recebi um telefonema.
— Aliyah, o que houve? — perguntei imediatamente, pressentindo que
havia algo errado. Por que outro motivo ela iria ligar?
— Olhe, eu... bem, me desculpe por pedir isso, mas será que você se
importaria se...
— Fale logo de uma vez — ri.
— Bem, Mickey acabou de pedir se eu podia levá-la para a festa. A
amiga que havia prometido a ela resolveu não ir, e por isso...
— Você quer saber se pode dar o cano em mim para levar sua
namorada, já que é a minha melhor amiga, essa pessoa maravilhosa?
— eu disse, secamente, mas estava sorrindo, e ela provavelmente
sabia.
— Na verdade, iria somente perguntar se você se importa de irmos
juntos buscar Mickey. Eu não deixaria você na mão! Me dê um pouco
de crédito.
— Bem, vou pedir ao meu pai para me levar. Assim deixo você e a
Mickey em paz.
— Você não precisa fazer isso, Emmy! Não seja boba.
— Não, Aliyah, está tudo bem. Eu realmente não me importo — disse,
honestamente. — Não tem problema.
Em outras ocasiões, os relacionamentos de Aliyah terminaram porque
nós éramos próximas demais, e suas namoradas não gostavam de
não ser a mulher número um na vida delas. Eu não queria estragar as
coisas entre Aliyah e Mickey.
Ela pensou por um momento. — Bem, posso pedir a Jenna que leve
você à festa. Ela ainda não saiu de casa.
Ouvi Aliyah gritar para a sua irmã enquanto eu dizia: — Não, Aliyah, não
precisa... Está tudo bem, sério... — Terminei a frase com um suspiro.
— Emma? Emmy, você ainda está por aí?
— Hein? — Eu havia me distraído completamente, e mal ouvira Aliyah
falar comigo.
— Jenna disse que pode levar você, sem problema. Daqui a uns vinte
minutos ela será toda sua.
— M-mas... — protestei em voz baixa, fracamente.
— Obrigado, Emma. Fico te devendo uma. Até mais tarde!
— Tchau...
Suspirei, deixando o celular escorregar para a cama e apoiando o
rosto nas mãos. Fiquei em pé e me olhei criticamente no espelho.
Havia deixado a maquiagem bem simples, com exceção do batom
vermelho- vinho bem escuro. Os jeans ressaltavam os contornos da
minha silhueta; a blusinha enfatizava as minhas curvas e exibia quase
toda a extensão das minhas costas. Eu me sentia ótima. Jenna
provavelmente tentaria encontrar algo inapropriado em meu look,
entretanto.
Mas não era essa a razão pela qual eu estava preocupada; pensava
mais nas fofocas e rumores que começariam a se espalhar quando as
pessoas nos vissem chegando juntas. Bem naquele momento, a campainha tocou. Enfiei o celular no bolso de trás da calça e desci as
escadas enquanto ouvia meu pai chamar meu nome.
Ele abriu a porta, e vi quando ele examinou por um momento a
pessoa que estava ali. — Jenna.
— Oi, Emma. Já está pronta? — perguntou, de um jeito
surpreendentemente cortês.
— Ah... — Meu pai se virou para trás para me chamar outra vez, e me
viu.
Pareceu confuso. — Só um segundo, Jenna.
Ele me puxou para a cozinha. — O que ela está fazendo por aqui? —
perguntou, discretamente.
— Aliyah foi buscar a namorada e pediu que ela me levasse para a
festa.
— Ah, que bom. Por um instante pensei que vocês duas estivessem
namorando.
Forcei uma risada. — Ah, claro.
— Mas tome cuidado, entendeu? Ainda não tenho certeza se consigo
confiar nessa garota. Todas aquelas brigas em que ela se mete... e
aquela moto...
— Sim, eu sei, pai. Mas Jenna é uma garota legal. Não se preocupe com
isso.
— Dei um beijo rápido em sua bochecha. — Tchau!
— Nada de beber! — ele gritou quando eu saía da cozinha.
Voltei para a porta da casa, fechando-a atrás de mim. Sorri de
maneira bem casual para Jenna. — Pronto para ir.
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The Kissing Booth
FanfictionEmma Myers vive um dilema romântico: Ela está apaixonada pela irmã mais velha da sua melhor amiga, mas não pode ficar com ela, pelo menos é o que ela acha. *Essa história é uma adaptação do livro A Barraca do Beijo* (Jenna é uma personagem intersexu...
