Capítulo 41

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ESTACIONAMOS O CARRO NO FINAL DA RUA DE BARCLAY VIRANDO a esquina. Ninguém pareceu perceber que havíamos
chegado juntas. Fui imediatamente puxada de lado por algumas das garotas que
estavam conversando sobre todo tipo de coisa, o quanto Sadie Sink era gostosa, o quanto os sapatos de Hannah Davies eram cafonas, e até mesmo o quanto elas amavam a música que estava tocando. Depois de algum tempo, encontrei Aliyah no quintal, mas ela estava bem ocupada aos beijos com sua amada. Tomei outro gole da minha lata de Coca- Cola, sentindo-me um pouco inebriada simplesmente pela atmosfera da festa, e voltei para o interior da casa.
Vi que estava na sala de estar, de onde toda a mobília havia sido removida para que o lugar pudesse servir como pista de dança. As lâmpadas estavam apagadas, com exceção de algumas luzes verdes
e azuis legais que alguém havia montado, que piscavam como se fossem estroboscópicas. Aquela ideia foi muito legal. As cores faziam com que tudo parecesse estar debaixo d’água. Era muito esquisito. Comecei a dançar com as
outras pessoas, movendo meus quadris para frente e para trás ao ritmo da batida, jogando as mãos para o alto. Alguém colocou as mãos na minha cintura para dançar comigo e me virei. Pisquei os olhos algumas vezes e vi que era Millie, uma aluna do último ano que fazia parte do time de futebol da escola.
— Millie! — cumprimentei ela. — Ainda não tinha visto você por aqui. Ela riu, cambaleando de lado e sentando-se rapidamente em uma cadeira.
— Ooops! Como estão as coisas, Emma?
— Tudo bem...
— Maravilha. Ei, venha comigo — disse ela, pegando na minha mão.
— Aonde vamos?
— Tomar um pouco de ar fresco. Este lugar está abarrotado.
— Tudo bem.
O ar noturno estava frio, comparado ao calor no interior da casa.
— Aqui estamos. — Millie me abraçou por trás, e o calor do seu corpo fez arrefecer o frio que eu sentia nas costas.
Ri e fiz um gesto negativo com a cabeça para ela. Mas, antes que eu pudesse me afastar e dizer que deixasse de bobagens, senti um beijo no meu ombro. Fiquei parada ali, em choque, por um momento, o meu cérebro
demorando para processar o que havia acabado de acontecer. Em seguida, ela beijou o meu pescoço um pouco mais para cima, com as mãos na minha cintura.
Virei para afasta-la, mas Millie claramente pensou que eu estava ficando de frente para ela, e suas mãos se apertaram ao redor das
minhas costas. Antes que pudesse tentar me beijar, empurrei seu rosto para o lado
com a minha mão e me desvencilhei. Teria sido mais eficaz acertá-la com uma joelhada na virilha, mas, infelizmente, isso não me ocorreu naquele momento. Ela tropeçou quando eu a empurrei (Millie estava bêbada, e não conseguia se equilibrar perfeitamente sobre os pés), mas foi outra
pessoa que a deixou estatelada na grama e colocou uma mão firme em meu braço.
— Cara, você sempre estraga a diversão dos outros — disse Millie com a voz arrastada, levantando-se com dificuldade. — Você é uma estraga-prazeres, Ortega. Por que precisa fazer isso o tempo todo? Ela devia estar bem embriagada, porque estava claramente tentando começar uma briga — e Millie era uma garota bem esperta. Jamais iria fazer uma coisa dessas se estivesse sóbria. Ela foi jogada para trás com um soco na barriga e caiu no chão outra vez, gemendo.
— Mais alguém? — Jenna perguntou com a voz alta e clara, olhando calmamente para o grupo de pessoas que eu não havia percebido que havia se aglomerado no jardim. A maioria voltou para dentro da
casa rapidamente, especialmente quando perceberam que a briga havia acabado.
— Vamos sair daqui. — Ela me puxou pelo braço, levando-me até a lateral da casa de Barcley.
— Ai! Jenna! — protestei. Suas pernas eram mais longas que as minhas, e seus passos eram mais rápidos. Eu tropeçava, tentando
acompanhá-la. — Jenna! — tentei outra vez. — Você está me machucando!
Isso pareceu atrair sua atenção. Ela afrouxou consideravelmente a pressão da pegada, e segurou na minha mão para me puxar para a rua.
Comecei a ficar irritada. Quem ela pensava que era? Ainda não eram nem dez e meia, e a festa ainda duraria algumas horas antes de terminar. Não queria ir para casa. Antes do probleminha com a Millie, eu estava me divertindo. Acima de tudo, não queria ter que explicar ao meu pai por qual motivo
havia saído da festa tão cedo.
Quando finalmente chegamos ao carro, Jenna o destrancou e eu fiquei ao lado da porta do passageiro, com os braços cruzados firmemente diante do peito, olhando-a com cara de poucos amigos. Jenna esfregou as pontas dos dedos sobre os olhos. — Será que você poderia por favor, entrar no carro?
— Eu não vou a lugar nenhum com você. Por acaso é viciada em violência?
Não vou entrar nesse carro com você ao volante depois de ter bebido.
E não me importa a quantidade de álcool que você ache que é capaz de aguentar.
— Eu não bebi nada, Emma Myers! Você acha que sou idiota? E... o quê? Viciada em violência?
Dei de ombros. — Mesmo assim. Não pode me forçar a ir embora. Não sou obrigada a ir a lugar nenhum com você. Vou ficar aqui.
Vi ela apertar os dentes sob a luz fraca. Seu rosto estava encoberto por sombras, o que fazia com que aquela raiva controlada fosse um pouco assustadora. — Você vai embora desta festa antes que alguma outra idiota bêbada tente alguma coisa com você. — A voz dela estava entrecortada, tensa.
Continuei encarando Jenna. — Eu tinha a situação sob controle. Não estava tão ruim.
Ela soltou algo entre uma bufada e uma risada debochada, o que só serviu para me deixar ainda mais irritada. — Não estava tão ruim? —
repetiu ela, com a sobrancelha erguida. __Sua...
— Você está exagerando — esbravejei em resposta. — Está sendo uma cafajeste controladora e desagradável, como sempre. E se acha que vou a algum lugar com você, então...
— Entre agora nesse carro — ela disse, subitamente, batendo com a
palma da mão no teto. O estrondo súbito me fez saltar com o susto...

The Kissing BoothHistórias para pegar e não largar. Descubra agora