Capítulo 31

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— Você está me entendendo, não é?
Concordei com a cabeça. — Sim. Mas... mas você nunca faria nada
com uma garota. Você não é assim.
— Sim, mas isso não parece contar para elas.
— Então... espere um pouco. O que é que você está tentando me
dizer? — falei, erguendo as mãos espalmadas e sentindo-me mais do
que um pouco confusa. — Que você não tem culpa por gostar de
fazer joguinhos? Ou pelo menos por ser essa sua reputação?
— Certo.
— E então...? — Deixei a pergunta no ar.
Ela mordeu o lábio. Será que Jenna Ortega realmente parecia estar...
nervosa? Não, eu com certeza estava imaginando aquilo. A única vez
em que já o tinha visto com aquela expressão foi quando a peguei
usando a cueca do Superman e a fiz corar.
Ela respondeu, lentamente, olhando para o balcão em vez de me
encarar. — Só estou dizendo que não a trataria como lixo, da forma
que você parece pensar que eu faria.
— Ainda não entendi o que você está tentando dizer, Jenna.
— Eu também não — disse ela, com uma risada súbita, esfregando a
mão no rosto. — Mesmo assim...
Ela se aproximou de novo. Agora havia somente uns dois centímetros
entre nós, e suas mãos estavam sobre as minhas coxas. Minha
respiração começou a acelerar, e meu coração batia com força no
peito. — O que eu sei com certeza é que quero beijar você de novo.

Uma parte de mim queria dizer não, empurrá-la firmemente para
longe. Eu não estava disposta a arriscar a minha amizade com Aliyah
apenas para continuar beijando Jenna. Além disso, não conseguia
realmente visualizar nós duas como um casal. Isso para não
mencionar que eu não era exatamente o tipo de garota que sai por aí
beijando garotas a torto e a direito. Era a romântica inveterada.
Ou pensava que era, pelo menos.
Mas, quando Jenna baixou a cabeça lentamente na direção da minha,
dando-me todo o tempo que precisava para empurrá-la para longe,
não fiz nada. Em vez disso, deixei que ela juntasse os lábios com os
meus, e a beijei pela terceira vez naquele dia. Eu estava ficando com
Jenna Ortega, entre todas as pessoas possíveis. De manhã nunca
havia nem chegado a beijar alguém.
Jenna enlaçou minhas pernas ao redor da sua cintura e coloquei os
braços ao redor do seu pescoço, brincando com os cabelos em sua
nuca. De repente, não conseguia me saciar dela — seu gosto, seu
toque. Não conseguia entender por que ela causava esse efeito em
mim.
Ela me ergueu do balcão, carregando-me para longe da cozinha. Não
tinha certeza se aquilo era uma boa ideia, mas a sensação de ter
seus lábios nos meus deixava minha mente nebulosa, e eu não
conseguia me concentrar por tempo suficiente para pensar direito.
Não foi até cairmos em algo macio e confortável — um colchão —
que minha consciência dormente pareceu acordar.
— Jenna. — Tentei me afastar. Sabia o que estava para acontecer. —
Jenna...
— Sim? — ela murmurou, e começou a mordiscar o lóbulo da minha
orelha.
Aquilo fez com que faíscas corressem por meu corpo, e por um
segundo esqueci do que ia dizer.

— Não podemos... eu não sou...
— Hmmm? — ela se afastou apenas o bastante para me olhar nos
olhos.
Ainda não conseguia me lembrar do que ia dizer. Ela pareceu
compreender, entretanto, seus olhos se arregalaram e ela disse: —
Ah, não... não foi a minha intenção... você sabe... eu não...
— E-eu não posso fazer isso — gaguejei. Torci o corpo e levantei da
cama, indo até a porta do quarto e ajeitando minha blusa. Não
conseguia pensar direito quando estava assim, tão perto dela. Tinha
que sair dali, tinha que refletir sobre tudo.
Uma mão no meu braço me puxou de volta, e outra passou ao lado
da minha cabeça para fechar a porta. Jenna estava bem diante de
mim. Eu não tinha saída — a porta estava às minhas costas, com a
maçaneta pressionando a minha coluna, e Jenna bem na minha
frente.
— Jenna — eu disse com firmeza. — Eu não vou fazer isso. Nada vai
acontecer entre nós, porque simplesmente não combinamos. Você
intimida os garotos para que eles fiquem longe de mim. E eu não
sou... não sou nenhum brinquedo que você pode usar quando é
conveniente. Entendeu?
Jenna suspirou suavemente, e seu hálito tocou o meu rosto. Ainda
tinha o cheiro e o sabor de hortelã e algodão-doce.
— Nunca achei que você fosse algo para eu usar quando fosse
conveniente — murmurou, olhando em meus olhos.
— Certo. Mas me diga, honestamente. Você namoraria comigo?
Você, a Rainha dos Joguinhos?
Ela suspirou outra vez, encostando a testa na minha. — Diga você.
Gemi de frustração. — Você não está facilitando as coisas, Jenna!
Nós discutimos e você age como uma cafajeste. Isso sem falar no fato
de que você é a irmã mais velha de Aliyah, mas...
— Mas...?
Por mais humilhante que fosse, resolvi falar sem reservas. — Mas
senti alguma coisa quando nos beijamos. Não sei que diabos devo
fazer. Não vou ficar com você se for apenas uma coisa casual.
— Você quer saber a verdade, Emma? — Jenna parecia estar ficando
realmente frustrada agora, e seus olhos estavam na altura dos meus.
— Você é a única garota que é ela mesma quando está perto de mim,
e gosto disso. Mas o fato de que você não me quer como eu quero
você está me deixando louca.
Você é a única garota que não se jogou aos meus pés. Não tenho
nem olhado para nenhuma outra por causa de você. Sabia disso?
Você é a única garota em quem consigo pensar.
Uau.
Certo.
Bem, não era como se ela acabasse de confessar que me amava há
anos...
Mas nossa! Quem imaginaria que eu, Emma Myers, a garota sem
qualquer experiência com namoros, seria quem levaria Jenna Ortega à
loucura?
Eu estava atordoada. — E há quanto tempo você está sentindo isso?
Só por curiosidade.
Ela deu de ombros. — Uns dois meses.
Concordei com a cabeça, tentando desesperadamente dar a
impressão de que estava calma e racional. — Achei que você tinha
dito que me via como uma irmã mais nova.

The Kissing BoothHistórias para pegar e não largar. Descubra agora