Eu estava quase esperando esbarrar com Jenna — ou pior, com uma das garotas no caminho para as minhas aulas. Mas isso não aconteceu. Meu carma deve ter dado um giro súbito de 180 graus desde o início daquela manhã.
Quando o sinal da última aula finalmente tocou, eu já estava observando o ponteiro dos segundos se arrastar como uma lesma enquanto dava a volta no relógio da aula de química, era impossível eu estar mais feliz. Só queria ir embora dali. Aliyah ainda tinha que terminar a aula de biologia, e por isso precisei esperar por ela diante da escola, encostada em seu carro.
— Oi, Emma.
Ergui os olhos do meu celular e do jogo de paciência nele. Sorri, mas senti que estava forçando a expressão. — Millie Oi. Como... Ah, como está a sua costela? Ela abriu um meio sorriso. — Bem, não está tão ruim quanto as pessoas andam dizendo. Foi só um hematoma, mas minha mãe me obrigou a ir ao hospital para fazer um exame porque ficou toda paranoica, achando que eu havia quebrado alguma coisa. Só isso. —Ela disse aquilo com bastante tranquilidade, e senti como se um peso fosse retirado de cima do meu coração.
— Ah, isso é ótimo! Digo... não, na verdade, não é. Bem, todo mundo estava dizendo que ela estava quebrada, por isso... olhe, me desculpe, Millie, de verdade. Tudo isso é culpa minha. Eu não queria que você se machucasse, ou...
— Não, a culpa foi minha — disse ela, rapidamente. — Eu vim pedir desculpas. Não consegui encontrar você na hora do almoço.
— Você não precisa se desculpar.
— Preciso sim, e realmente lamento. Eu não devia ter tentado nada daquilo com você, e toda a cerveja que tomei não justifica o que fiz.
— É sério, está tudo bem — eu disse, ferventemente. — Eu não
queria que Jenna tivesse...
— Bem, não se preocupe. Ortega estava somente sendo Ortega. Você não tem culpa, Emma, então, não se preocupe. — Ela sorriu, e devolvi o sorriso.
Alguém limpou a garganta por perto, e nós duas nos viramos,
encontrando Jenna com uma expressão irritada no rosto. Eu a ignorei e voltei a olhar para Millie , que se esforçava para não dar a impressão de que queria sair correndo para longe. — Bem, espero que você melhore logo.
— Obrigado, Emma. E, falando sério, peço desculpas mesmo.
— Não se preocupe com isso. Até mais.
— Tchau — disse ela, já indo embora. Encarei Jenna com um olhar irritado e voltei a jogar paciência. Senti que ela ainda estava ali, me observando.
— O que ela queria? perguntou, após algum tempo.
— Pedir desculpas.
— Como assim? Só isso? Apenas pedir desculpas?
Eu saí do jogo e enfiei o celular no bolso, girando sobre os calcanhares para encarar Jenna — Sim, embora fosse você quem deveria se desculpar com ela por machucá-la! Ela teve que ir ao hospital por sua causa! Imaginei que conseguiria apelar para seu sentimento de culpa, e não acrescentei a informação de que ela só havia ido ao hospital por causa do pedido paranoico da mãe.
— Não comece com isso de novo... — Jenna havia dado um ou dois passos para se aproximar de mim, e agora estava virada em outra direção, mexendo no próprio cabelo.
— Começar com o quê, Jenna? — esbravejei.
— Você sabe que fica muito atraente quando está brava comigo — comentou, com a voz rouca. Minha mente se desligou por um momento e senti a respiração presa na garganta. Por que ela tinha esse efeito sobre mim? — Cale essa boca, Jenna.
Vá embora. Onde é que Aliyah estava, hein? Ela não devia demorar tanto... Olhei à minha volta. A maioria dos outros alunos já tinha ido embora, e alguns que ficaram para trás olhavam com curiosidade para o lugar
onde Jenna e eu estávamos. Finalmente, avistei Aliyah e Mickey ao lado do carro dela, conversando e com uma aparência toda doce e apaixonada. Droga. Queria que ela andasse logo.
— Você sabe que sempre pode pegar uma carona para casa comigo
— disse Jenna, em um tom normal de conversa. Eu me recusei a responder. — Emma? Após algum tempo, fui obrigada a olhar novamente para ela, e, quando o fiz, ela estava com um sorriso malandro e triunfante no rosto, pensando que havia ganhado a discussão.
— Você quer a carona ou não? Aliyah ainda vai demorar uma eternidade, nós duas sabemos disso. Minha oferta continua de pé pelos próximos trinta segundos. E o relógio está correndo. Eu realmente só queria voltar para casa. Quando Aliyah terminasse de conversar com Mickey, provavelmente já teria acabado a bateria do meu celular e estaria morrendo de tédio...
— Tic-tac... — provocou Jenna.
— Moto ou carro?
— Moto.
— Não.
Ela riu. — Você sabe que não detestou realmente a minha moto, Emmy. E isso lhe dá uma desculpa para ficar abraçada comigo.
— Hmmm, não.
Ela ficou com uma expressão estranha no rosto, de confusão, como se minha reação a irritasse. Eu realmente havia detestado a minha experiência na moto dela, e não tinha a menor pressa de repeti-la, a
menos que fosse absolutamente necessário. Por exemplo, se uma horda de macacos ninjas estivesse me perseguindo e a moto de
Jenna fosse minha última esperança de conseguir fugir. Então, ela suspirou e tocou levemente minha bochecha, virando meu rosto para que olhasse para ela. — Vamos lá, Emma. Não fique brava. Percebi que ela não estava mais falando sobre Millie.
— Não estou brava com você. Bem... na verdade, estou, pelo fato de você ter socado Millie. Mas, além disso... Não estou, você sabe, brava por causa de tudo o que aconteceu... naquela noite.
— Ah, deixe disso. Você passou o dia inteiro me evitando, e agora está agindo desse jeito esquisito.
— Não estou agindo de nenhum jeito esquisito.
— Está, sim. Você não está batendo boca comigo como geralmente faria, e não está agindo daquele jeito meigo e alegre também. Está brava.
Eu suspirei. — Não estou brava. É que...
— O quê?
Ah, meu Deus, não diga nada! Invente alguma coisa! Qualquer coisa, menos a verdade! E, como de costume, a minha boca parecia funcionar bem mais que meu cérebro.
— Estou preocupada por causa de Aliyah, e... simplesmente não quero que você se esqueça de mim, agora que nós... você sabe. Agora que fizemos aquilo. Meu Deus, não. Eu disse “fizemos aquilo”. Parabéns, Emma. Você é uma idiota completa. Jenna não pareceu ter percebido nada, entretanto. Ela simplesmente respondeu: — Emma, acho que já me obriguei a passar por essa tortura com você na manhã daquele outro dia. Eu lhe disse que não estava atrás de você somente por causa de sexo. Percebi no rosto de Jenna que ela estava sendo totalmente verdadeira. Seus olhos suplicavam que eu acreditasse e sua expressão era sincera, e não havia nem de longe sugestão daquele
sorriso malandro. Por isso, concordei com a cabeça. Tudo bem.
Ela soltou um breve suspiro de alívio. — Então... quer a carona?
Posso até mesmo te levar direto para a casa, se quiser.
Agora o sorriso malandro havia voltado, porque ela sabia que não conseguiria resistir à oportunidade de ficar com ela outra vez. E eu realmente sentia a tentação... mas foi então que me lembrei que ela havia vindo à escola de moto.
— Jenna, nada vai me fazer montar naquela moto.
Ela ergueu as mãos em sinal de rendição. — Tudo bem, tudo bem. O azar é seu...
Em seguida, franzi a testa. — Ainda estou brava com você por quase quebrar a costela de Millie. Isso é importante, porque você perdeu a cabeça e agiu como uma idiota — acrescentei antes que ela pudesse discutir.
Ela suspirou. — Eu sei.
Olhei em seus olhos, e a única resposta que consegui dar foi um aceno positivo com a cabeça. Ela abriu um meio sorriso arrependido que a deixou totalmente adorável; mas mantive a expressão neutra.
— Desculpe-me.
Acenei com a cabeça outra vez. — É melhor você ir embora.
— Hmmm. — Parecia que ela não concordava totalmente comigo.
— Tchau, Jenna — me despedi, sem alterar a voz.
Ela ficou ali por mais alguns momentos antes de ir embora, e juro que consegui ouvi-la rindo escondido. Bem... poderia ter sido pior. Havia uma voz baixinha no fundo da minha cabeça que dizia que eu não estaria metida em toda essa confusão se não tivéssemos resolvido fazer aquela maldita barraca do beijo, em primeiro lugar.
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The Kissing Booth
Fiksi PenggemarEmma Myers vive um dilema romântico: Ela está apaixonada pela irmã mais velha da sua melhor amiga, mas não pode ficar com ela, pelo menos é o que ela acha. *Essa história é uma adaptação do livro A Barraca do Beijo* (Jenna é uma personagem intersexu...
