XXXV - Entropia

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— Qual foi?! — Exclamou Aurora estapeando o ombro do parceiro.

— Poxa, é uma piada. Nossa, amor, seu senso de humor tá enfraquecendo só de passar tempo com o Gabi. — Olhei para ele contendo seu sorriso de um jeito pretensioso — Enfim... como tá a tia Sara? — Inspirei fundo e fulminei a testa dele, tentando perceber como alguém conseguia ser tão detestável. E sem nem suar.

— ... Gabi? — A voz da Aurora me forçou a tirar os olhos daquele idiota e relaxar o maxilar — Tava perguntando pela tia Sara. Ela nunca mais ligou pra mim.

— Como assim? Ela tava reclamando que você não atendia as chamadas dela tem coisa de um mês e uns centavos. — Abanou a cabeça de forma violenta.

— Eu não lembro de nada disso. Amor, tá sabendo de alguma coisa?

— E por quê você fala como se eu soubesse o que você faz no seu celular? — Cuspiu, me pegando de surpresa. Conseguia ouvir um "sua idiota" ou algo pior seguindo essa frase dele. Por quê tanta agressividade?

— Eu pergunto de outro jeito então. Quando ela chamava, se é que ela chamava, você atendia?

— Óbvio que não. Eu repito, é o seu celular.

— Ahh, peraí que a conversa aí muda! Então ela ligava, você é que não atendia e não falava que ela tinha ligado?

— Ué, mas você tem um registo de chamadas. — Rolou os olhos para trás.

— Sabendo que o meu celular não grava direito essas coisas? Mas cara, se você sabia, não era mais fácil falar?

— Mas por quê essa conversa? Aconteceu alguma coisa com ela? — Perguntou olhando para mim. Dei de ombros.

— Aconteceu... aconteceu bastante coisa ainda. Ela se di...

— Eu fui atacado perto da faculdade. — Falei em tom grave para evitar que ela continuasse o resto. Suas sobrancelhas se contorceram todas quando ouviram — Tive de passar por cirurgia e tudo.

— Cê tá falando sério, Gabi? — Puxei a camiseta para cima para verem a cicatriz da cirurgia com os pontos ainda visíveis. Aurora susteve a respiração e levou as mãos à boca — Meu Deus do céu!

— Era desse acidente que o seu tio Chris tava falando mais cedo.

— Meu Deus, cara... e os bandidos já foram apanhados?

— O caso ainda tá sendo investigado. Grão a grão a gente chega lá.

— Tomara que um ser desses morra na cadeia. — Disse em êxtase, o rosto cada vez mais vermelho. Começou a virar lentamente a cara para o Cardozo com um olhar de morte.

— Se era assim tão importante, podiam ter mandado mensagem para você ver depois. Não tinha como saber que...

— Se era tão importante? — Cada palavra saiu lentamente, como se ela estivesse aprendendo a falar agora — Você tá se ouvindo?! Gabi foi esfaqueado, porra! — Gritou com os olhos marejados.

— Calma, amor...

— Calma o caralho! — Isso. Isso. Briguem.

— Me escute, me escute. — Abriu os braços e pediu calma com as mãos — A gente pode discutir isso outro dia, hoje à noite, o que você quiser. Só se acalma primeiro, por favor, isso não vai ser legal para o bebê.

— Amor, nem vem com esse papo pra cima de mim. — Pousou as mãos sobre as mãos dela, que só dirigiu um olhar de repulsa para o gesto dele — Me solta. — Pediu num tom morto.

— Me escuta, meu bem, por favor. A gente vai discutir isso quando você quiser, do jeito que você quiser. Eu sou o cafajeste que você quiser... eu só não vou falar nada enquanto você não se acalmar. — O seu olhar saiu das mãos para o rosto cínico dele, fulminando os olhos. Depois de alguns segundos inspirando e expirando profundamente, seu rosto foi normalizando, e sua postura relaxou como um todo.

Olho de ÂmbarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora