XLIII - Resiliência

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Os meus dentes acabarem intactos depois de tanto ranger eles é mais uma prova de Deus.

O caminho todo fiquei soltando fogo nas ventas e massacrando os dedos para ouvir o estalo.

Nada funcionou.

Por quê?! Ele só magoou ela, por quê ele recebe colher de chá?

Entrei no quarto batendo a porta com força. Denílson e Viviane esticaram o pescoço na hora para ver o que tinha provocado o barulho que eles ouviram.

— Assustando geral de graça, ó Ater. — Reclamou Denilson, virando depois para o que estava fazendo antes.

— Esses novatos hoje em dia... tudo fresco.

— Não tô com cabeça, gente. — Viviane olhou para mim com os olhos bem abertos.

— Caraca, Gabi, a gente tava brincando. O que é que tá rolando?

— Eu não... não dá pra explicar.

— Tenta. — E contei tudo que aconteceu hoje, exatamente do jeito que eu lembrei, mais a vez que ela falou que o Nickolas foi ter com ela, antes de contar o que esse merda fez com ela. Senti um peso sair de cima de mim quando acabei, minha respiração muito mais leve.

— E isso foi exatamente assim que você falou?

— Eu sei! Mulher não faz sentido, Viviane!

— Não? Ou você não quer ler os sinais que... ela tá dando espaço para o outro cara? — Comecei a negar com a cabeça instantaneamente — E eu falo isso como uma irmã mais velha, Gabi. Me escuta. Você me conta isso sobre qualquer outra garota que você tá ficando, nove em dez vezes eu ia falar o mesmo, que ela tá desarmando você pra não ver esse outro cara como inimigo. Aí quando você vê...

— Você tá insinuando o quê, que...? — Ela acenou com a cabeça lentamente, olhando de um jeito hesitante para o Denílson — Não, não, não... não pode. Pelo histórico deles, isso não faz sentido nenhum.

— Eu também não gosto que existem infinitos maiores que outros, mas não vou ficar fazendo as contas como se o que eu gosto fosse a verdade. De novo, Gabriel, amo a Luana, ela é literalmente a pessoa perfeita pra você, mas se você estiver falando cem por cento a verdade e foi exatamente o que você falou, precisam conversar sobre isso.

— Eu sei... caralho! — Dei um soco na parede, desejando com toda a força que no lugar da parede estivesse o rosto loiro daquele idiota.

— Gabriel! O que é que deu em você? — Viviane me empurrou de lado — Você ainda vai furar a parede!

— Mano, não sei... eu não tô legal, cara. Preciso sair, respirar... alguma coisa.

— Cara, vem comigo. Eu sei o que vai ajudar você.

— Eu não vou fumar essas vossas merdas, tô falando já.

— Bora. — Pegou as chaves e abriu a porta do quarto. Fomos até a parte de trás do nosso prédio, revelando uma parte do jardim para onde a gente tem visão a partir da janela do quarto.

— Onde a gente tá indo? — Denílson continuou em silêncio, seguindo agora uma trilha no meio do gramado para uma parede de árvores. Quando a gente ultrapassou as árvores, a vista abriu para um descampado com um lago perto das árvores de borda, que tinha uns bancos de madeira velhos por perto. Ele ainda se estendia por uma área considerável.

— Isso é um espaço que a gente costuma ficar pra... você sabe. — Bateu com os dois dedos nos lábios — É um espaço perfeito, principalmente pra ver as estrelas no céu.

Olho de ÂmbarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora