Coração frio

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— Gabriel! — Chamou Luana, e foi quando olhei para ela. Estava um grupo de cinco homens de boina e farda esverdeada.

— Sou o oficial Almeida, pertencente a Delegacia Federal do Rio de Janeiro. — Exibiu o distintivo. — A gente está aqui por uma denúncia anónima por posse de quantidades ilegais de droga. Onde estão as suas coisas? — Lu reagiu antes de mim, mas quando as palavras chegaram a mim, parecia que eu tinha ouvido uma lousa sendo arranhada com um garfo.

— Como é que é?!

— Só pode ser trote, isso não tem cabimento nenhum! — Rebateu Luana.

— Sr. Gabriel, onde você tem as suas coisas? — Apontei para dentro do campo, na direção do vestiário. Eles apontaram com a cabeça, como que pedindo que eu fosse na frente. Luana tentou ir com eles, mas um dos caras impediu ela de ir com o braço.

O vestiário estava vazio, e quando abri a minha porta do armário, lá estava a mala, de qualquer jeito. Quando eles pegaram e abriram um dos bolsos pequenos, começaram a sair... blocos castanhos?! E lâminas de comprimidos?! Isso saiu daonde?!

— Sr. Ater, ponha as mãos atrás da cabeça e ajoelhe. Você tá preso por posse ilegal de droga. — Falou o oficial. Não esperou nem que eu fizesse como mandou, pegou nos meus braços e botou algemas apertadas.

Os caras do time já estavam entrando em campo. O último a passar pela gente foi o Cadete, que tinha esboçado um rosto preocupado, mas no último segundo virou o rosto sorrindo.

Eles me empurraram para fora do campo, e lá via Luana se debatendo com os policiais. O momento em que seus olhos encontraram os meus, o mundo tinha desaparecido. Só existia o rosto angustiado e assustado dela, que não ia conseguir me falar que ia ficar tudo bem. Foi quando o mundo começou a rodar, e nem o brilho dela iluminou a escuridão que se seguiu.

Despertei num lugar com cheiro de medicamento, com uma luz branca forte diretamente nos meus olhos, que estava me causando dor de cabeça

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Despertei num lugar com cheiro de medicamento, com uma luz branca forte diretamente nos meus olhos, que estava me causando dor de cabeça. Tentei proteger meus olhos, mas senti uma dor no pulso.

Algemado.

Ainda estava usando o equipamento de futebol, mas estava deitado numa cama de algum tipo de enfermaria. Não havia ninguém lá dentro, somente sombras na porta de vidro gradeado discutindo alguma coisa sobre algum artigo do código penal. Seus murmúrios foram ficando mais altos aos poucos até cessarem totalmente. A maçaneta começou a girar lentamente, e quando abriu, revelou o Sr. Torres, que continuou na porta, agora de costas para mim

— Sr. Delegado, não é assim que tratamos os nossos jovens. — Repreendeu. A voz dele parecia tão grave que deu até vontade de encolher na cama — Não pode fazer isso.

— Tava tentando adquirir alguma informação, Superintendente.

— Que informação? — Ficou parado algum tempo. Finalmente entrou, mas dessa vez com uma pasta marrom nas mãos. Pegou óculos do bolso de dentro do casaco de listras azuis e cinza, igual a última vez que li ele.

Olho de ÂmbarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora