Cidade República, Noite...
Bara caminhava em direção ao estádio, três horas antes do início das partidas. Ao virar uma esquina, encontrou um homem sentado no meio-fio. Suas roupas estavam imundas, reduzidas a trapos, e seu corpo era doentiamente magro, com cabelos longos e indomáveis. Ao seu lado, um chapéu velho e surrado.
Bara se aproximou, observando os Dobradores passarem e zombarem da mera presença daquele homem. Ele parou diante dele, chamando a atenção de alguns moradores de rua próximos. Apesar da aparência deplorável, os olhos do homem carregavam uma centelha de esperança.
Bara: Ei, você se importaria se eu me sentasse? — perguntou, decidindo adiar seus planos e percebendo que tinha tempo.
???: Faça como quiser — respondeu o homem, de forma simples.
Bara sentou-se ao lado dele.
Bara: Você se importaria de me dizer seu nome?
???: Shu — respondeu o homem.
Bara: Vou ser sincero com você, Shu. Sou um dos Avatares, mas não faço ideia de como ajudar a Cidade República. Esperava que você pudesse me dar alguma ideia, considerando a sua situação — explicou, com um tom triste.
Shu ficou em silêncio por um momento.
Shu: Sei quem você é, e se minhas palavras puderem ajudar outros não-dominadores, não vejo motivo para não contar. O que gostaria de saber primeiro?
Bara: Como você foi parar aqui, pedindo esmolas? — perguntou.
Shu: Eu tinha uma fazenda numa vila pequena da Nação da Terra. Não era muito, mas sustentava minha família. Isso mudou rapidamente quando um grupo de dominadores de terra atacou nossa comunidade. Destruíram nossas terras e mataram muitos, inclusive minha esposa. Felizmente, um grupo de soldados em treinamento em Omashu veio em nosso socorro e subjugaram os invasores, mas já era tarde demais.
Shu: Ouvi falar que havia oportunidades na Cidade República, então trouxe meu filho para cá. Fomos assaltados por um grupo chamado Tríade da Ameaça Tripla, que nos tomou tudo — disse, a voz pesada.
Shu: Tentei encontrar emprego, mas as vagas para não-dominadores já estavam todas ocupadas. Vi muitos pedindo esmolas, a maioria crianças órfãs.
Shu: Acabei me juntando a eles e uso todo dinheiro que consigo para alimentar meu filho e a mim. Um grupo de vagabundos nos aceita, mas a comida é escassa. Alguns pescam ilegalmente nos canais, mas eu não arrisco deixar meu filho sozinho — concluiu.
Bara: E os não-dominadores que conseguem empregos? — indagou.
Shu: São mal pagos e quase sempre maltratados.
Bara refletiu por alguns instantes.
Bara: Nem todos os dobradores são como os que você descreve, mas se a situação é essa, então a Cidade República está em um estado tão ruim quanto o que o Mestre Tenzin disse.
Bara: E as Indústrias Futuro?
Shu: São uma salvação, mas a força de trabalho é limitada e atendem tanto dominadores quanto não-dominadores. O pior é que há vagas, mas nunca aceitam não-dominadores. Preferem sobrecarregar os dominadores a contratar alguém como eu — explicou.
Bara pensou por alguns minutos antes de dizer:
Bara: Que tal você trabalhar comigo na arena de Pro-Bending?
Shu piscou, surpreso e sem saber o que dizer.
Shu: Você está falando sério? Por que faria isso por mim? Como pode?
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Dois Avatares?
FanfictionAo longo da história, sempre existiu um Avatar, não é mesmo? Na Tribo da Água do Sul, o Lótus Branco encontra uma garotinha com uma habilidade impressionante para dobrar água, fogo e terra. Poucas semanas depois, um Grande Mestre do Lótus Branco inv...
