Dois dias se passaram, e para Beatriz, parecia que o mundo tinha desabado. Aqueles dias tinham sido um verdadeiro inferno. O morro virou um campo de batalha, com tiroteios por todos os lados, envolvendo as forças de Evandro, Salvador, Bagdá, e até a Polícia Federal. O caos era constante, e o som de tiros, explosões e sirenes ecoava dia e noite.
Beatriz, tentando manter a sanidade, não tinha saído do lado de Wilbeth. Ficou no posto o tempo todo, olhando por ele enquanto ele ainda se recuperava. Mesmo com os barulhos e o perigo lá fora, o medo de perder Wilbeth era ainda maior. Cada minuto que passava parecia durar uma eternidade.
Finalmente, depois de tanto horror, as coisas começaram a se acalmar no morro. Os tiros pararam, o som das sirenes ficou mais distante, e aos poucos, as pessoas começavam a sair de suas casas, como se o pesadelo estivesse se dissipando, ao menos por enquanto.
Beatriz, exausta, estava sentada ao lado da cama de Wilbeth, segurando sua mão, quando ouviu uma batida na porta da sala onde ele estava internado. Ela se endireitou, o coração acelerando de repente, enquanto olhava na direção da porta.
A porta se abriu lentamente, revelando um homem moreno, bem arrumado, com uma expressão fria e calculada. Ele usava roupas alinhadas e tinha uma arma discretamente presa à cintura. O bigode no rosto bem cuidado era a única marca de leveza em sua aparência séria. Ele entrou com passos firmes, como se soubesse exatamente o que estava fazendo, e seus olhos imediatamente encontraram os de Beatriz.
Ele parou em frente a ela e, com um tom formal, mas carregado de autoridade, se apresentou:
- Meu nome é Evandro.
Beatriz ficou paralisada por um momento, o nome ecoando em sua cabeça. Ela sabia quem ele era, tinha ouvido histórias, visto seu nome sussurrado com medo entre as pessoas. Beatriz, apesar do choque de ver Evandro ali, tentou manter a calma. Ela se levantou lentamente, sentindo o peso da situação.
- Beatriz... - disse ela, sua voz baixa, mas firme.
Evandro estendeu a mão para ela, e por um momento, hesitou, mas acabou apertando a mão dele. Ele sorriu, um sorriso que parecia gentil à primeira vista, mas Beatriz podia sentir algo de frio por trás daquela expressão.
- Ah, então você é a famosa Beatriz... Prazer em conhecê-la, finalmente - ele disse, com um tom que soava quase como uma piada interna, mas Beatriz não conseguiu esboçar nenhuma reação.
Evandro soltou a mão dela e deu uma olhada ao redor da sala, até que seu olhar se fixou em Wilbeth, deitado, ainda inconsciente.
- Então... como tá o nosso amigo aqui? - ele perguntou, apontando para Wilbeth, mas parecer realmente interessado na resposta. - Ou melhor, o que sobrou dele, né? - completou com um sorriso malicioso, referindo-se ao fato de Wilbeth ter perdido o pé.
Beatriz travou a mandíbula, tentando não reagir àquela piada de mau gosto. - Ele tá se recuperando, mas foi uma situação complicada... - respondeu, sua voz ficando mais fria.
Evandro balançou a cabeça, como se estivesse concordando, mas ainda com aquele sorriso desconcertante no rosto. - Complicada é pouco, né? Pô, perder um pé...
Beatriz não respondeu, o desconforto crescente em seu peito. Ela sabia que Evandro não estava ali por cortesia, e menos ainda para fazer piadas. Algo estava por trás daquela visita, e o modo como ele brincava com a situação deixava claro que ele tinha outros interesses.
- Mas falando sério - ele disse, mudando o tom para algo mais suave, mas ainda com um certo ar de sarcasmo -, eu espero que ele se recupere logo. Um homem como o Wilbeth, com tanto a oferecer... é uma pena vê-lo assim, né?
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IMPUROS-Radinho
FanfictionAs vezes mudar e foda. mas sempre tem seus pontos positivos e principalmente pontos negativos.
