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Radinho caminhava com dificuldade pelas ruas, o braço ainda doendo devido ao ferimento que havia sofrido. A adrenalina o ajudava a continuar, mas ele sabia que não podia se dar ao luxo de relaxar, especialmente com a situação tão complicada em que estava envolvido. Seu coração estava apertado, ainda com as lembranças dos últimos dias, das escolhas difíceis e do caos em que sua vida se transformou. Ele sabia que a situação não estava fácil, mas não havia outro caminho a seguir.

Quando chegou em casa, a dor no braço o fez estremecer, mas ele não parou. Com passos lentos e pesados, ele entrou na casa, e foi aí que algo inesperado aconteceu. Ele viu sua mãe, Dona Catarina, parada na sala, os olhos fixos nele, sem acreditar no que estava vendo.

Ela o olhava como se fosse um fantasma, seus olhos se arregalando ao perceber que era ele de verdade. Havia semanas em que ela estava completamente devastada, acreditando que seu filho estava morto. O mês de angústia e incertezas pesava sobre ela como uma prisão. Ela se aproximou dele, incrédula, com as mãos trêmulas e os olhos cheios de lágrimas.

"Meu Deus, meu filho..." Ela mal conseguia falar, a voz tremendo. Ela o abraçou com uma força tão intensa que Radinho sentiu um nó se formar na garganta. Era um abraço de quem havia sofrido pela perda, de quem acreditava que nunca mais veria o filho.

Radinho, embora tentando ser forte, sentiu a pressão de tudo o que estava acontecendo. A dor no braço, a confusão mental, mas principalmente o peso da culpa por tudo que tinha acontecido. Ele não sabia o que dizer. A expressão da mãe, entre alívio e medo, o fez hesitar.

"Mãe..." Ele murmurou, com a voz rouca, tentando controlar as emoções. Ela o afastou um pouco, ainda olhando para ele como se quisesse ter certeza de que estava realmente ali, com vida.

"Eu pensei que tivesse morrido..." Ela disse, sua voz falhando enquanto as lágrimas caíam. Ela segurou o rosto dele com as mãos, verificando se ele estava realmente ali, vivo e bem, ou o mais próximo disso.

Radinho suspirou profundamente, fechando os olhos por um momento. "Eu sei, mãe... Eu sei... mas eu tô aqui agora. Eu... não queria fazer você sofrer, não queria que você passasse por isso."

Ela soltou um choro abafado e o abraçou novamente, mais uma vez, com a mesma força. O que quer que estivesse acontecendo no mundo lá fora, nada mais importava naquele momento. Ela o tinha de volta, e isso era o único que ela conseguia pensar.

"Eu te amo tanto..." Ela dizia, apertando-o, sem querer soltar, como se temesse que ele desaparecesse a qualquer momento.

Radinho não conseguia falar, o peso de tudo o deixava sem palavras. Ele sabia que, mesmo depois do abraço e do alívio temporário, a vida deles não voltaria a ser a mesma. As consequências do que ele tinha feito, o envolvimento com o tráfico, a violência que havia permeado sua vida, tudo aquilo ainda estava à espreita. E ele tinha que lidar com isso. Mas, naquele momento, no abraço apertado de sua mãe, ele sentia que, pelo menos por um segundo, ele tinha encontrado um refúgio, um lugar onde ainda era o filho dela, e onde o amor dela por ele era a única coisa que parecia importar.






Wilbeth respirava fundo, o ar pesado e quente ao redor dele, enquanto seus olhos fixavam o corpo inerte de Roberto. Sua expressão era uma mistura de ódio contido e uma determinação sombria, o tipo de olhar que prometia que nada seria esquecido ou perdoado. Ele se aproximava lentamente, cada passo ecoando pelo espaço silencioso. Beatriz, ainda ajoelhada e mergulhada em sua confusão, mal registrava a presença de Wilbeth até que ele estava ao lado dela.

Sem uma palavra, ele sacava sua arma. O som metálico do engatilhamento cortava o ar, fazendo Beatriz erguer a cabeça em um susto.

"Wilbeth, não..." ela sussurrou, sua voz falhando enquanto via o brilho do aço refletir na pouca luz da sala.

IMPUROS-Radinho Onde histórias criam vida. Descubra agora