Beatriz acordou sobressaltada, o coração disparado. A luz da manhã entrava timidamente pela janela, mas o peso da noite anterior ainda estava presente. Sua cabeça girava com os pensamentos desordenados, o corpo sentindo o cansaço de uma vigília emocional intensa. Ela esfregou os olhos, tentando afastar a sensação de que havia perdido algo. Ou alguém.
O rosto de Radinho não saía de sua mente. Ela o viu. Ela tinha certeza de que o viu no baile. Mas ao mesmo tempo, a voz da razão dizia que isso era impossível. Ele estava morto. Havia meses que ela chorou por ele. Que ela o perdeu.
Beatriz balançou a cabeça com força, como se quisesse espantar a ideia. "Eu tô ficando maluca," pensou. Era mais fácil acreditar que sua mente estava pregando peças do que admitir que poderia ser verdade. Porque, se fosse, significaria que ele estava vivo todo esse tempo... e longe dela.
Ela se levantou lentamente, os pés descalços tocando o chão frio. O quarto estava silencioso, exceto pelo som distante das vozes na rua. O Dendê parecia mais agitado do que o normal, como se algo estivesse prestes a acontecer. Beatriz abriu a porta do quarto e foi direto até a sala, onde encontrou Wilbeth, sentado no sofá, com a expressão carregada.
— Bom dia... — ela murmurou, a voz rouca.
Wilbeth levantou os olhos para ela, mas não sorriu. Ele parecia preocupado, com o celular na mão, como se estivesse esperando uma notícia que nunca chegava.
— Bia, você tá bem? — ele perguntou, a voz mais suave do que o habitual.
Ela hesitou antes de responder, cruzando os braços como se precisasse se proteger.
— Eu tô... Acho que sim. Só um pouco cansada.
Wilbeth assentiu, mas seus olhos ficaram fixos nela por mais tempo do que o normal, como se estivesse analisando cada detalhe. Ele sabia que algo estava errado, mas escolheu não pressioná-la.
— Foguinho me avisou que conseguiu uma informação importante ontem à noite, no baile. — Ele começou, mudando de assunto. — Parece que alguém tá planejando atacar o Dendê.
Beatriz sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
— Atacar? Quem? — ela perguntou, tentando esconder a preocupação.
Wilbeth balançou a cabeça, frustrado.
— Ele não quis dizer quem foi que deu a informação. Só disse que era confiável. Mas se tem alguém querendo invadir o Dendê, a gente precisa se preparar.
Beatriz assentiu, mas sua mente estava longe. Radinho. Ele era a única coisa que conseguia pensar. A imagem dele no baile, desaparecendo na multidão, a atormentava. Ela precisava saber a verdade.
— Você acha que isso pode ter a ver com... — ela começou, mas parou. Não queria mencionar o nome de Radinho. Não na frente de Wilbeth.
Ele franziu a testa, percebendo a hesitação dela.
— Com o quê, Bia? O que você tá pensando?
Ela balançou a cabeça rapidamente.
— Nada. Esquece.
Wilbeth não parecia convencido, mas não insistiu. Ele se levantou, colocando o celular no bolso e pegando uma arma que estava sobre a mesa.
— Vou me reunir com os caras pra discutir o que fazer. Fica aqui, tá? Qualquer coisa, me liga.
Ela assentiu, observando enquanto ele saía. Assim que ficou sozinha, Beatriz sentou no sofá, abraçando os joelhos. O peso da dúvida estava sufocando. Ela precisava de respostas. Foguinho era a única pessoa que poderia ajudar, e ela sabia onde encontrá-lo.
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IMPUROS-Radinho
FanfictionAs vezes mudar e foda. mas sempre tem seus pontos positivos e principalmente pontos negativos.
