O barulho dos passos e das vozes ecoava pelos corredores estreitos do posto de saúde do Dendê. Assim que os homens cruzaram a porta com Wilbeth nos braços, ele continuava a gritar, o desespero escancarado em sua voz enquanto Beatriz seguia de perto, em lágrimas, completamente angustiada.
-AAAAA, DOUTOR! AAAAA! - Wilbeth berrava, contorcendo-se de dor na maca, enquanto o sangue ainda escorria pelo coto onde antes estava seu pé.
O médico, surpreendido pela urgência da situação, se aproximou rapidamente.
perguntou o doutor, olhando a cena -O que aconteceu?! - per com uma expressão de choque.
-EU PERDI O PÉ, PORRA! TÔ SEM PÉ, CARALHO! TU NÃO TÁ VENDO?! - Wilbeth gritou, quase sem fôlego, o rosto retorcido de dor e raiva. - FOI GRANADA, DOUTOR! AAAAA!
Beatriz se aproximou mais, tentando acalmar Wilbeth, mas ela mesma tremia, a imagem do amigo sem o pé gravada em sua mente. O doutor tentava manter a calma, mesmo diante da situação crítica.
-Calma, calma! Precisamos estancar o sangramento. Você tá perdendo muito sangue! - disse o doutor, já ordenando à equipe que preparasse o material para a sutura de emergência.
-ENTÃO PEGA A PORRA DO SANGUE LÁ NO POSTO, AAAAA! -Wilbeth rugiu de dor, o corpo tremendo a cada pulsação.
-Qual é o seu tipo sanguíneo? - perguntou o doutor, enquanto tentava controlar o fluxo de sangue que não parava de jorrar.
-TANTO FAZ, CARA! PEGA QUALQUER UM, AAAAA! Wilbeth gritou, impaciente, sem se importar com detalhes naquele momento de desespero.
De repente, a porta se abriu com força, e Radinho entrou apressado, respirando com dificuldade, as mãos trêmulas segurando um saco plástico sujo de sangue.
-Patrão, patrão! Achei teu pé! - disse Radinho, ofegante, enquanto mostrava o saco com o pé decepado de Wilbeth.
Wilbeth, ainda tomado pela dor e pelo desespero, olhou para Radinho com olhos arregalados. - E A BERENICE?! - ele gritou, mais uma vez, se referindo ao fuzil que sempre o acompanhava.
Radinho, com o fuzil de Wilbeth em mãos, levantou a arma. - Ela tá aqui também, tá salva! - respondeu, estendendo a arma com cuidado.
-ME DÁ, ME DÁ AAAAAA! - Wilbeth berrou, os olhos fixos na Berenice, como se a visão do fuzil lhe desse algum conforto em meio ao caos.
Enquanto os enfermeiros preparavam os procedimentos, o doutor olhava com urgência para a equipe, e a pressão no posto aumentava a cada segundo.
Depois de alguns minutos nos braços de Radinho, Beatriz conseguiu controlar um pouco o choro, mas sua expressão mudara. Agora, em vez de desespero, o que tomava conta de seu rosto era a raiva. Seu corpo ainda tremia, mas os olhos estavam fixos no chão, a mandíbula cerrada. Ela se afastou de Radinho, enxugando as lágrimas com as costas da mão, enquanto respirava fundo, como se estivesse se preparando para uma briga.
Radinho a olhava, surpreso. Não estava acostumado a ver Beatriz daquele jeito. Ela sempre fora a mais calma do grupo, mas agora... agora parecia uma fera prestes a explodir.
-Que merda é essa?! - Beatriz começou, a voz ainda rouca, mas cheia de fúria. -Como é que esses filhos da puta conseguiram botar uma bomba dentro do Dendê?! Quem foi o desgraçado que deixou isso acontecer?! - Ela falava rápido, o rosto vermelho de raiva. Eu juro por Deus, Radinho, se eu descobrir quem fez isso, eu mesma vou pegar esse fdp e encher de porrada até ele implorar pra sair desse mundo!
Radinho, ainda com o fuzil de Wilbeth na mão, piscou algumas vezes, atordoado pela mudança de comportamento. Ele olhava para Beatriz com a boca entreaberta, sem saber o que responder. Nunca tinha visto ela falar assim. O silêncio dele só fez Beatriz ficar mais irritada.
-Cê tá me ouvindo, Radinho?! - ela disse, a voz subindo. - А gente tem que descobrir quem fez isso! Quem foi o traíra que deixou essa porra entrar aqui! Wilbeth quase perdeu a vida e... - Ela pausou, balançando a cabeça em frustração.
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IMPUROS-Radinho
FanfictionAs vezes mudar e foda. mas sempre tem seus pontos positivos e principalmente pontos negativos.
