Radinho piscava lentamente, os olhos pesados e embaçados. A luz fluorescente acima dele parecia brilhar com uma intensidade irritante, fazendo sua cabeça latejar. Tentou mover os braços, mas estavam presos, não por algemas, mas pela dor excruciante que irradiava de seu peito. Um cheiro forte de antisséptico e metal tomava o ar ao seu redor. Ele estava em uma sala branca, fria, estéril. Não havia dúvida: era um hospital.
Aos poucos, sua mente começou a clarear, fragmentos da última noite voltando como flashes. O tiroteio. A curva no morro. Foguinho correndo. Ele ficando para trás. Os tiros acertando... e depois, o silêncio. Ele levou a mão ao peito, sentindo a grossa bandagem sobre uma ferida que ainda queimava. Um calafrio percorreu seu corpo.
Antes que pudesse organizar os pensamentos, ouviu o som de uma cadeira rangendo ao lado. Radinho virou lentamente a cabeça e viu um homem sentado ali, Seu rosto era sério, de traços duros, com olhos frios que o observavam atentamente. Ele segurava um caderno nas mãos, rabiscando algo com uma caneta que fazia um som irritante ao bater contra o papel. Radinho reconheceu aquele rosto imediatamente. Roberto. O pai de Beatriz.
"Você finalmente acordou," Roberto disse, sem sequer olhar diretamente para ele. A voz era grave, carregada de uma calma que parecia calculada, quase cruel. Ele fechou o caderno e o colocou sobre a mesa ao lado. "Achei que não fosse sobreviver. De certa forma, fico aliviado. Tenho planos para você."
Radinho tentou se levantar, mas a dor o obrigou a voltar para a cama, soltando um gemido abafado. Ele olhou para Roberto com os olhos estreitos, carregados de raiva. "O que você quer, filho da puta ? Onde eu tô?" A voz dele era rouca, fraca, mas cheia de rancor.
Roberto deu um sorriso pequeno, um sorriso que não chegava aos olhos. "Calma, garoto. Você está seguro... por enquanto. Vamos dizer que você está sob minha proteção agora." Ele se inclinou para frente, descansando os cotovelos nos joelhos, como se estivesse falando com um velho amigo. "Você foi um dos poucos que sobreviveu naquela confusão. Meus caras te trouxeram aqui. E agora... bom, agora eu preciso de você."
Radinho o encarava, confuso. "Do que você tá falando? Que porra é essa? Eu não trabalho pra ninguém. Não sou seu capacho, seu merda."
Roberto riu baixo, balançando a cabeça como se estivesse lidando com uma criança teimosa. "Não se preocupe, garoto. Você não tem escolha. Aquele tiro no seu peito... foi quase fatal. Se não fosse por mim, você estaria morto agora. E acredite, eu não faço favores de graça."
Radinho apertou os dentes, sentindo a frustração e a impotência crescerem. Ele não queria estar ali. Tudo nele dizia para correr, lutar, fazer qualquer coisa para escapar daquela situação. Mas ele estava fraco, ferido, e diante de alguém que claramente tinha o controle.
"O que você quer de mim?" ele finalmente perguntou, a voz baixa, mas carregada de desafio.
Roberto se levantou, ajeitando o terno com calma. "Simples. Quero informações. Sobre o Wilbeth. Sobre o Evandro. Sobre toda aquela rede podre que vocês chamam de família." Ele deu um passo em direção à cama, inclinando-se para que seus olhos ficassem no mesmo nível dos de Radinho. "E quero que você me ajude a derrubar cada um deles. Inclusive Beatriz, se for necessário."
Radinho sentiu o sangue ferver ao ouvir o nome dela. Ele apertou os punhos, mesmo com a dor latejando em seu peito. "Nunca vou fazer isso. Nunca vou trair eles. Nunca vou trair ela." Sua voz agora era firme, mesmo com a fraqueza em seu corpo.
Roberto deu um sorriso frio. "Você diz isso agora, garoto. Mas todo homem tem um ponto de ruptura. E eu tenho muito tempo para encontrar o seu." Ele colocou a mão no ombro de Radinho, apertando levemente, como um aviso. "Pense bem. Sua vida agora está nas minhas mãos. E eu ainda vou precisar de você."
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IMPUROS-Radinho
ФанфикшнAs vezes mudar e foda. mas sempre tem seus pontos positivos e principalmente pontos negativos.
