Trinta e sete

179 25 7
                                        

Quando o ensaio finalmente terminou, Felix, Minho e Sabrina decidiram sair para comer algo. O sol começava a se pôr, tingindo o céu com tons de laranja e rosa, e o trio aproveitou o clima agradável para caminhar até uma lanchonete próxima.

— Eu preciso de um hambúrguer bem gorduroso depois daquele ensaio. — Sabrina disse, rindo, enquanto caminhavam pela rua. — Só de pensar no tanto de energia que gastamos, já estou com fome de novo.

— Faz sentido. Se a gente dançar mais como hoje, vai precisar de uma lanchonete fixa do lado do estúdio. — Minho brincou, arrancando risadas de Sabrina e Felix.

Eles se sentaram em uma mesa do lado de fora da lanchonete, onde o ar fresco os envolvia. Minho e Sabrina continuavam conversando e rindo, enquanto Felix mexia no celular, esperando Jisung. Ele viu que não havia mensagem nenhuma de Hyunjin, e aquilo o deixou mais inquieto. Precisava de uma distração, mas Sabrina acabou indo ao banheiro, deixando Felix e Minho sozinhos na mesa.

Felix suspirou, percebendo que aquele era um bom momento para desabafar, já que a ansiedade não o deixava em paz.

— Minho… posso te perguntar uma coisa? — Felix começou, olhando para Minho.

— Claro, manda ver. — Minho respondeu, voltando sua atenção completamente para ele.

Felix hesitou por um momento, mas sentiu que precisava falar sobre Jisung, mesmo que só para tentar organizar seus pensamentos.

— Eu… estou com algumas coisas na cabeça sobre Jisung. — Ele disse, mais para si mesmo do que para Minho. — Eu adoro ele, mas… eu não sei mais o que fazer. Sinto que estou… mentindo para ele.

Minho permaneceu em silêncio, ouvindo atentamente. Seu rosto não demonstrava muito, e Felix não conseguia entender o que ele estava pensando.

— Como assim mentindo? — Minho perguntou, com um tom de voz mais sério do que o usual.

Felix suspirou de novo, os olhos se fixando na mesa.

— Não mentindo literalmente, mas… eu não sou honesto com ele sobre meus sentimentos. Tenho pensado em terminar, mas não consigo. Ele é tão bom comigo, e eu gosto dele, de verdade. Só que… — Felix hesitou. Ele sabia que não poderia falar sobre Hyunjin abertamente, então continuou de forma vaga. — Só que tem outra pessoa, entende?

Minho ficou quieto por um momento. Seus olhos se estreitaram ligeiramente, mas ele manteve a calma.

— Isso é complicado. — Ele finalmente disse, a voz firme, mas sem julgamento. — Parece que você está preso entre o que acha certo e o que realmente quer.

Felix sentiu o peso das palavras de Minho, mas ainda não conseguia entender o que o olhar dele estava transmitindo. Havia algo nos olhos de Minho, uma expressão que Felix não sabia se era empatia ou… outra coisa.

— É exatamente isso. — Felix respondeu, franzindo o cenho, incerto. — Só não sei como sair dessa situação sem machucar ninguém.

Minho balançou a cabeça lentamente.

— Às vezes, é inevitável que alguém se machuque, Felix. O importante é ser honesto consigo mesmo. Isso é o que realmente importa no final das contas.

Antes que Felix pudesse responder, um ruído alto de pneus cantando invadiu a rua. O som de um carro acelerando na direção deles fez o coração de Felix parar por um segundo. Ele mal teve tempo de processar o que estava acontecendo quando um carro preto invadiu a calçada com força.

— Cuidado! — Minho gritou, empurrando Felix para o lado.

Eles caíram no chão com o impacto do empurrão, enquanto o carro passava raspando por eles. As pessoas ao redor começaram a gritar, correndo em todas as direções, o caos se instaurando. Felix estava atordoado, a respiração pesada, o corpo colado ao asfalto. Quando ele tentou se levantar, dois homens mascarados desceram do carro, vindo diretamente em sua direção e de Minho.

— O que está acontecendo?! — Felix murmurou, a adrenalina disparando por suas veias.

Os homens pareciam determinados a alcançá-los. Antes que Felix pudesse reagir, ele sentiu uma mão agarrar seu pulso com força. Ele virou a cabeça rapidamente e viu Hyunjin, seus olhos arregalados, a expressão grave.

— CORRE! — Hyunjin gritou, sua voz urgente. — CORRAM!

Felix ficou imóvel por uma fração de segundo, mas a urgência nos olhos de Hyunjin o trouxe de volta à realidade. Ele puxou Minho pelo braço, ajudando-o a se levantar, e os três dispararam pela rua, fugindo dos homens mascarados que continuavam a persegui-los.

As ruas estavam escuras, apenas a luz fraca dos postes iluminando o caminho. Felix sentia seu coração quase sair pela boca, mas ele continuava correndo, sua mão ainda agarrada firmemente pela de Hyunjin. O vento frio da noite batia em seus rostos enquanto passavam por becos e esquinas, tentando despistar os perseguidores.

— Quem… quem são esses caras?! — Felix ofegou, sem conseguir esconder o pânico em sua voz.

— Não importa agora! — Hyunjin respondeu entre respirações pesadas. — Só continuem correndo!

Minho estava logo atrás deles, a respiração tão pesada quanto a de Felix, mas ele não parava. O som de passos ecoava atrás deles, os homens mascarados não estavam longe. Eles viraram uma esquina rapidamente e entraram em um beco estreito.

— Aqui! — Hyunjin os puxou para dentro de uma pequena porta lateral de um prédio abandonado.

Eles se enfiaram no interior escuro do prédio, tentando recuperar o fôlego. Felix se encostou contra a parede, o peito subindo e descendo descontroladamente.

— O que... está... acontecendo? — Felix perguntou, mal conseguindo respirar, os olhos arregalados, tentando entender a gravidade da situação.

Hyunjin olhou para ele, os olhos intensos.

— Não dá tempo de explicar tudo agora. Mas aqueles caras são da facção.

Felix tentou processar o que Hyunjin estava dizendo, mas a confusão dominava sua mente. Minho estava calado, ainda respirando fundo ao lado deles.

— Isso tem a ver com… aquela investigação, não tem? — Felix perguntou, tentando juntar as peças.

Hyunjin assentiu, o olhar sério.

— Sim. Eu estava perto de descobrir algo importante, de alguma forma descobriram que eu estou vivo… e agora eles querem que eu me entregue e acho que querem te usar como isca, Lix.

Felix sentiu um frio percorrer sua espinha. A situação era muito mais séria do que ele havia imaginado.

O pânico começou a tomar conta de Felix de novo, mas dessa vez por uma razão diferente.

— Sabrina! — ele exclamou, se afastando de Hyunjin de repente. — Nós fugimos e deixamos ela lá sozinha!

Hyunjin franziu a testa e agarrou os ombros de Felix com firmeza, tentando mantê-lo calmo.

— Ela está bem — Hyunjin disse, sua voz mais tranquila agora. — Eu já cuidei disso, mandei alguém atrás dela. Ela não vai se machucar.

— Mas… e se… — Felix ainda estava agitado, seu corpo tremendo, como se a adrenalina da fuga ainda corresse em suas veias.

— Amor, olha pra mim — Hyunjin sussurrou, puxando-o mais perto. — Ela está segura. Você confia em mim?

Felix olhou para Hyunjin, e algo no olhar dele fez o coração de Felix desacelerar. Era como se o mundo ao redor desaparecesse, e tudo que restava fosse o calor dos braços de Hyunjin ao seu redor. Ele assentiu, sem palavras, e se agarrou a ele, enterrando o rosto no peito de Hyunjin.

Minho observava a cena em silêncio, parado no canto do beco, a respiração ainda irregular. Seus olhos se estreitaram levemente enquanto ele via a maneira como Felix se aninhava contra Hyunjin. Foi como se uma ficha caísse. Minho não conseguia ignorar o que via diante dele.

Aquele era o homem que Felix mencionara mais cedo, na lanchonete. O homem de quem ele falava quando dizia que "todos mereciam amor". O brilho nos olhos de Felix, o jeito que ele se apertava contra Hyunjin… Não era o que ele via entre Felix e Jisung.

Ecos Caóticos Onde histórias criam vida. Descubra agora