Jisung deitou-se no quarto de hóspedes, mas, mesmo com a luz apagada, seus olhos permaneciam abertos, encarando o teto. Um peso apertava seu peito, uma sensação de inquietude que ele não conseguia entender. Ele se virou de um lado para o outro, mas o desconforto parecia crescer. Decidido, levantou-se da cama, jogou um casaco sobre os ombros e saiu do quarto.
Ao chegar à sala, esperava encontrar o ambiente em silêncio, mas se surpreendeu ao ver Minho sentado no sofá, sozinho e com o olhar perdido. Minho parecia absorto, sua expressão carregada de uma tristeza que Jisung não tinha visto antes.
— Minho? — Jisung chamou, caminhando em direção a ele, o olhar curioso e um pouco preocupado.
Minho ergueu os olhos rapidamente, mas logo desviou, evitando o olhar de Jisung. Ele mordeu o lábio, respirando fundo, antes de balbuciar:
— Acho… acho que você deveria ir embora, Jisung. — Sua voz saiu baixa, quase um sussurro.
Jisung franziu o cenho, confuso.
— Ir embora? Por quê? Eu achei que você queria que eu ficasse… — Ele deu mais um passo na direção de Minho, tentando entender o que estava acontecendo. — Você está bem?
Minho suspirou, passando a mão pelo rosto, como se buscasse forças para dizer o que estava pensando.
— É que… eu… — Ele hesitou, claramente lutando para encontrar as palavras certas. — Eu não tô aguentando mais, Jisung.
— Não tá aguentando o quê? — perguntou Jisung, ainda mais perdido.
Minho abaixou a cabeça, as mãos apertando os joelhos. Ele fechou os olhos por um instante, reunindo coragem antes de finalmente levantar o olhar e encarar Jisung, seu rosto revelando a sinceridade e a dor que ele vinha escondendo.
— Eu não tô aguentando mais esconder o que sinto por você. — A confissão saiu num tom grave e sincero, pegando Jisung completamente de surpresa.
Jisung ficou paralisado, encarando Minho enquanto assimilava aquelas palavras. Era algo que ele nunca havia esperado ouvir, especialmente depois de tudo o que tinha acontecido com Felix.
— Minho… — Ele começou a falar, mas a voz falhou.
Minho rapidamente desviou o olhar novamente, como se já arrependido. Ele passou a mão pelo cabelo, claramente desconfortável, e respirou fundo antes de continuar.
— Eu sei que você acabou de terminar com o Felix. — disse Minho, em um tom de desculpa, sua voz quase trêmula. — E eu… eu não queria te colocar nessa posição. Não agora. Mas eu não consigo mais fingir que tá tudo bem.
Jisung continuou em silêncio, processando as palavras de Minho. Ele sentiu o peito apertar, uma mistura de emoções confusas. Ele e Minho haviam se aproximado muito nos últimos dias, mas agora tudo parecia diferente, como se um véu houvesse sido levantado entre eles.
— Minho… eu não fazia ideia que você… sentia isso por mim. — Jisung admitiu, a voz suave, como se ainda estivesse absorvendo a revelação. — Eu…
Minho balançou a cabeça, o rosto assumindo uma expressão de remorso.
— Eu sei. — Ele suspirou. — E não é justo eu te falar isso agora, logo depois do que aconteceu com o Felix. Me desculpa, Jisung. Eu só… — Ele hesitou, olhando para as mãos. — Eu só precisava que você soubesse.
Jisung deu um passo hesitante em direção a Minho, sentindo o peso das palavras dele no ar. Ele se sentou ao lado de Minho no sofá, observando-o com um olhar que misturava compaixão e incerteza.
— Não precisa se desculpar, Minho. Eu só… eu realmente não sabia. — Jisung confessou, os olhos fixos em Minho. — E eu… eu não sei o que dizer agora.
Minho sorriu, mas era um sorriso triste, quase resignado.
— Eu não espero que você diga nada. — Ele deu de ombros. — Só queria ser honesto com você. Porque fingir que não sinto nada… tá me machucando. E eu sei que é egoísta, mas… precisava tirar isso do meu peito.
Jisung estendeu a mão e a pousou suavemente sobre a mão de Minho, um gesto de apoio e compreensão.
— Eu… Tô aqui pra você.
Os dois ficaram em silêncio, suas mãos entrelaçadas, ambos absorvendo o momento. Naquele instante, o silêncio parecia dizer tudo o que as palavras não podiam expressar.
Minho se levantou devagar, olhando para Jisung uma última vez antes de esboçar um sorriso triste.
— Boa noite, Jisung. — Ele murmurou, a voz baixa e hesitante, como se ainda estivesse digerindo a intensidade do momento que acabara de passar.
Mas, sem pensar, Jisung segurou o pulso de Minho, impedindo-o de ir. Seu coração batia rápido, e antes que pudesse racionalizar o que estava fazendo, ele se aproximou, olhando nos olhos de Minho por um segundo. Jisung ergueu a mão até o rosto de Minho, segurando-o com delicadeza, os dedos roçando a pele quente e suave.
E então ele o beijou.
Foi um beijo suave, hesitante, cheio de incertezas, mas também com uma ternura que falava mais do que qualquer palavra. O choque inicial passou rapidamente, e, quase ao mesmo tempo, Jisung se afastou, seus olhos se arregalando enquanto a realidade do que havia feito caía sobre ele.
— Minho, me desculpa, eu… eu não devia… — Jisung balbuciou, sentindo o calor subir para o rosto, mas antes que pudesse se afastar completamente, Minho o puxou de volta.
Minho olhou para ele com uma mistura de surpresa e desejo nos olhos, e, sem hesitar, aproximou-se de novo, capturando os lábios de Jisung com um beijo mais intenso. Esse beijo era cheio de urgência e paixão, como se Minho estivesse finalmente deixando sair todos os sentimentos reprimidos que tinha por ele.
Jisung sentiu suas defesas desmoronarem, e o peso que ele carregava desde o término com Felix parecia desaparecer naquele momento. Ele relaxou sob o toque de Minho, suas mãos deslizando pelo peito dele e se agarrando em sua camisa, puxando-o para mais perto, sem querer soltá-lo.
Eles se entregaram àquele beijo, deixando que o mundo ao redor desaparecesse, absorvendo o calor e a intensidade que ambos sentiam. A cada segundo, o beijo parecia se aprofundar, as mãos de Minho agora segurando a nuca de Jisung com firmeza, mantendo-o próximo enquanto explorava cada detalhe daquele momento.
Quando finalmente se separaram para tomar fôlego, seus rostos ainda estavam próximos, as respirações entrelaçadas e os olhos fixos um no outro.
— Eu não sabia que sentia isso… assim. — Jisung sussurrou, com um sorriso tímido, quase em choque consigo mesmo.
Minho sorriu, dessa vez com uma felicidade genuína, tocando o rosto de Jisung com carinho.
— E eu esperei tanto pra te beijar… não posso deixar você ir agora. — Minho respondeu, sua voz carregada de sinceridade e afeto.
Jisung apenas assentiu, ainda sem palavras, enquanto seus lábios voltavam a se encontrar, dessa vez com uma certeza que ambos compartilhavam. Naquele instante, qualquer dúvida ou arrependimento parecia distante, e tudo o que importava era o que eles estavam construindo ali, juntos.
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Ecos Caóticos
FanfictieAnos após a trágica morte de Hyunjin, Felix tenta reconstruir sua vida. O acidente que tirou seu marido deixou uma marca profunda, mas, três anos depois, ele finalmente encontra conforto nos braços de Jisung, seu novo namorado. Em meio à agitação de...
