O celular de Hyunjin vibrou no bolso, e ele se afastou para atender, deixando Felix e Minho sozinhos. O silêncio entre eles era pesado, carregado pela tensão do que acabara de acontecer. Felix olhava fixamente para o chão, as mãos ainda trêmulas, enquanto Minho mantinha os braços cruzados, claramente preocupado.
Minho lançou um olhar discreto para Felix, percebendo a profundidade do desespero no rosto dele. A sensação de impotência era palpável no ar.
— Vai ficar tudo bem — Minho murmurou, tentando oferecer algum consolo.
— Será? — Felix respondeu, a voz baixa, quase inaudível. Ele evitava o olhar de Minho, focando no som distante da voz de Hyunjin ao telefone.
Quando Hyunjin finalmente voltou, seu rosto estava sombrio. Ele suspirou pesadamente e parou em frente aos dois, seu silêncio prolongado deixando Felix ainda mais nervoso.
— Não encontraram Sabrina — Hyunjin começou, a voz grave, e Felix congelou, seus olhos arregalados de pavor. — Mas Jisung... Ele chegou lá minutos depois e... foi atingido. Dois tiros.
As palavras ecoaram como um trovão na mente de Felix. Era como se o mundo tivesse parado. Ele deu um passo para trás, como se tivesse levado um golpe no estômago. Sabrina, sua melhor amiga. Jisung, uma pessoa que ele tinha tanto carinho, tanto afeto, que sempre foi bom pra ele... E que ele não amava de verdade. Agora estava prestes a morrer.
— Não... não, isso não pode estar acontecendo — Felix murmurou, sua voz fraca enquanto começava a puxar os próprios cabelos. — Eu... não posso... perder os dois! Não agora!
Minho deu um passo à frente, querendo ajudar de alguma forma, mas ficou imóvel, sem saber o que dizer. As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Felix, e ele se virou para Hyunjin, desesperado.
— Ele vai morrer? Hyunjin, me diz que ele vai ficar bem! — Felix gritava, sua voz cheia de desespero. Ele estava à beira de um colapso, o medo de perder Jisung e Sabrina o consumindo. Parecia um karma.
Hyunjin se aproximou rapidamente e envolveu Felix em seus braços, segurando-o firme contra seu peito.
— Meus amigos já levaram Jisung para o hospital — Hyunjin sussurrou contra o ouvido de Felix, sua voz suave mas firme. — Ele está nas mãos dos médicos agora, ele tem uma chance. Vamos focar nisso. Ele ainda está vivo, Felix. Vai ficar tudo bem.
— E... e a Sabrina? — Felix soluçou, os dedos se agarrando à jaqueta de Hyunjin, tentando encontrar algum tipo de ancoragem naquele caos.
— Vamos encontrá-la. Eu prometo — Hyunjin respondeu, a voz firme. — Não vamos parar até encontrá-la.
Felix afundou no abraço de Hyunjin, as lágrimas escorrendo livremente enquanto sua mente girava com o peso da situação. O que era para ser apenas um encontro com velhos amigos se transformara em um pesadelo. O corpo de Felix tremia com o medo e a culpa que ele carregava.
Minho, que assistia de lado, suspirou pesadamente. Ele queria ajudar, mas também sabia que aquele momento não era seu para intervir. Ele apenas observou, com uma mistura de compreensão e tristeza nos olhos.
— Vai ficar tudo bem, Felix — Hyunjin continuava sussurrando, acariciando os cabelos de Felix, tentando acalmá-lo. — Vamos passar por isso juntos. Eu estou aqui com você.
E, mesmo que as palavras de Hyunjin fossem de conforto, Felix ainda se sentia afundando na culpa, no desespero de talvez perder as pessoas que mais importavam para ele.
...
Os três foram para o hospital. Minho entrou no hospital com Felix enquanto Hyunjin ficava no carro, de olho em qualquer observador que estivesse atras deles. Felix entrou no quarto de hospital com o coração pesado. Jisung estava deitado na cama, ainda pálido, mas com um leve sorriso quando viu Felix entrar. Os olhos de Jisung brilhavam com uma ternura que fazia Felix sentir uma pontada de culpa. Como ele podia estar ali, segurando aquele sorriso, enquanto seu coração pertencia a outra pessoa?
Felix se aproximou lentamente, sentando-se ao lado da cama e pegando a mão de Jisung com delicadeza. Ele sentiu a textura fria e frágil dos dedos de Jisung entre os seus, e seu coração apertou.
— Eu... preciso te contar uma coisa — Felix sussurrou, a voz trêmula, quase inaudível. Ele abaixou a cabeça, as lágrimas ameaçando escapar. — Não aguento mais, Jisung. Não posso continuar te enganando.
Jisung o olhou com uma expressão de confusão, o sorriso murchando aos poucos.
— Felix... o que foi? Está tudo bem? — perguntou, a voz fraca, mas cheia de preocupação.
— Hyunjin... ele está vivo. — As palavras saíram quase em um sussurro. — Ele está aqui, Jisung. Não estava morto como todos pensávamos.
Jisung franziu o cenho, processando o que acabara de ouvir. Ele piscou algumas vezes, como se estivesse tentando entender, mas sua expressão de confusão só se intensificava.
— Hyunjin... vivo? Mas... como assim? — Jisung balbuciou, buscando os olhos de Felix com desespero, querendo uma explicação.
As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Felix, que apertou a mão de Jisung, sentindo o peso das palavras que estava prestes a dizer.
— Eu nunca deixei de amar Hyunjin — Felix admitiu, sua voz quebrada, e cada palavra parecia um golpe. — Ele ainda é meu marido. E, por mais que eu tenha tentado... eu... eu não consegui te amar como eu amo ele.
Jisung piscou, atônito, enquanto as palavras de Felix se afundavam na realidade. Ele respirou fundo, lutando para esconder o brilho de tristeza que se formava em seus olhos.
— Então... tudo isso... — Jisung começou, mas sua voz falhou. Ele respirou fundo, fechando os olhos por um momento antes de encarar Felix. — Eu era... só uma... distração? — Ele falou devagar, a voz embargada, e Felix sentiu a dor naquelas palavras.
— Não... Jisung, não é isso! — Felix segurou as duas mãos dele, desesperado para que Jisung entendesse. — Eu me importo com você. Eu gosto de você. Mas o que eu sinto pelo Hyunjin é... diferente. É... profundo demais para ser apagado.
Jisung assentiu levemente, mesmo que ainda parecesse incrédulo e magoado.
— Mas por que você não disse nada antes? — Ele sussurrou, com a voz vacilante. — Por que me deixou... te amar desse jeito, Felix?
Felix abaixou a cabeça, a culpa pesando cada vez mais.
— Eu... não queria te machucar. Quis me convencer de que podia esquecer o Hyunjin e seguir em frente, mas quando o vi de novo... percebi que isso nunca ia acontecer — Felix disse, a voz embargada pelas lágrimas. — Me desculpa, Jisung... Me desculpa por não ter sido honesto.
Jisung fechou os olhos, tentando controlar a dor que transparecia em cada linha do rosto.
— E agora? — ele murmurou, abrindo os olhos para encarar Felix, buscando alguma resposta. — Agora que Hyunjin está vivo... o que isso significa?
Felix secou o rosto rapidamente, apertando as mãos de Jisung com mais força.
— Significa que preciso resolver as coisas com ele... preciso entender o que tudo isso significa para nós dois — Felix respondeu, a voz trêmula. — Mas... eu... vou me afastar, Jisung. Não posso continuar te machucando.
Um silêncio pesado tomou conta do quarto, e Felix sentiu cada segundo daquele silêncio como uma faca perfurando seu coração. Jisung o olhou por um momento, uma mistura de tristeza e resignação no olhar.
— Eu só... queria que você fosse feliz, Felix — Jisung sussurrou, forçando um sorriso triste, mesmo que as lágrimas começassem a se formar em seus olhos.
— Você merece alguém que te ame de verdade, Jisung — Felix disse, acariciando o rosto de Jisung suavemente. — Me desculpa... eu sinto muito mesmo.
Eles ficaram em silêncio por mais um momento, as lágrimas de Felix caindo silenciosamente, até que ele finalmente soltou as mãos de Jisung, sentindo o peso de sua decisão.
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Ecos Caóticos
أدب الهواةAnos após a trágica morte de Hyunjin, Felix tenta reconstruir sua vida. O acidente que tirou seu marido deixou uma marca profunda, mas, três anos depois, ele finalmente encontra conforto nos braços de Jisung, seu novo namorado. Em meio à agitação de...
