Quarenta e um

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Felix olhava para a janela do quarto do hotel, pensando nos ensaios e na apresentação que estava se aproximando. Ele precisava estar na companhia, precisava se preparar, mas sabia o que Hyunjin diria: era arriscado demais. Suspirou, frustrado, antes de olhar para Hyunjin, que digitava sem parar no notebook.

Hyunjin estava tão concentrado que mal percebeu o olhar de Felix sobre ele, o rosto iluminado pela tela do computador e os dedos rápidos e precisos.

Felix finalmente quebrou o silêncio.

— O que você descobriu? — ele perguntou, tentando esconder o nervosismo em sua voz.

Hyunjin parou de digitar por um instante, seus olhos se voltando para Felix. Ele passou a mão pelos cabelos, visivelmente cansado, e suspirou.

— Descobri que tem uma quantia absurda de dinheiro envolvida em uma operação grande... e parece que está sendo investida na Broadway — explicou ele, sua voz calma, mas carregada de tensão. — Mas ainda não sei quem está no comando disso tudo. Esse líder é um fantasma, alguém muito bem escondido.

Felix franziu o cenho, tentando processar a informação.

— Broadway? Mas... você acha que estão usando a apresentação como fachada para alguma coisa?

Hyunjin assentiu lentamente.

— É o que parece. O dinheiro está sendo direcionado para uma produção que nem existe no papel. Os fundos foram camuflados para parecer que são para apresentações de dança — ele disse, voltando a digitar e buscando mais informações. — E isso tudo acontece exatamente quando você vai se apresentar lá... Eu não gosto disso, Felix.

Felix suspirou, sentindo um arrepio de preocupação.

— Mas... e se eu não me apresentar? Se eu não estiver lá, talvez eles não façam nada.

Hyunjin o encarou, os olhos firmes e determinados.

— Eles sabem que você está envolvido. Se isso é uma fachada, eles vão seguir com o plano, com ou sem você. — Ele fez uma pausa, tentando ser realista, mas a preocupação por Felix era evidente. — A questão é que eu quero te manter longe disso. E se precisar, vou fazer qualquer coisa para isso.

Felix se remexeu no sofá, incomodado com a ideia de ficar escondido enquanto seus amigos e colegas corriam perigo.

— Eu não posso deixar meus amigos se arriscarem sozinhos, Hyunjin. Minho... ele estará lá. E Sabrina... não sei, talvez ela possa aparecer. Eu não vou me esconder.

Hyunjin se levantou e caminhou até Felix, ajoelhando-se em frente a ele e colocando as mãos em seus ombros, tentando passar confiança.

— Eu entendo que você quer proteger eles, mas, para isso, você precisa estar seguro. Não vamos resolver isso se você estiver no meio do perigo. Me deixe lidar com isso. — Ele buscava o olhar de Felix, a intensidade de sua determinação aparente. — Eu só quero que você confie em mim.

Felix olhou para ele, sua respiração um pouco trêmula. Ele queria argumentar, queria dizer que podia se defender, mas, ao ver a expressão preocupada de Hyunjin, algo em seu peito amoleceu.

— Eu confio em você, Hyunjin... mas é difícil, sabe? Ficar aqui sem fazer nada, sabendo que posso ajudar.

Hyunjin assentiu, apertando suavemente os ombros de Felix.

— Eu sei. Mas, por enquanto, isso é o melhor que você pode fazer. — Ele sorriu, tentando aliviar a tensão. — E eu prometo que vou descobrir quem está por trás disso e acabar com essa ameaça.

Felix, resignado, finalmente assentiu.

— Ok... eu fico. Mas quero saber de tudo, Hyunjin. Não esconda nada de mim.

— Prometo — respondeu Hyunjin, dando um leve beijo na testa de Felix.

Felix olhava para Hyunjin, os dedos entrelaçados sobre o colo enquanto tentava afastar os pensamentos ruins. Ele suspirou, inquieto, e desviou o olhar para a janela. As luzes da cidade brilhavam lá fora, mas nada parecia acalmar a angústia que sentia.

— Hyunjin... você tem alguma notícia da Sabrina? — perguntou, com a voz hesitante, virando-se para ele.

Hyunjin parou de digitar e olhou para Felix, a expressão séria.

— Ainda nada — ele respondeu calmamente, balançando a cabeça. — Jeongin e Seungmin foram atrás de informações, mas não encontraram nenhuma pista. — Hyunjin apertou os lábios, em um misto de frustração e preocupação. — É como se ela simplesmente tivesse desaparecido depois daquela confusão.

Felix sentiu um frio percorrer sua espinha, o peito apertado.

— Mas... ela estava lá, no banheiro, quando tudo começou — lembrando-se da última vez que tinha visto Sabrina.

Hyunjin assentiu, tentando processar tudo.

— Sim, pelo que você me contou, ela estava no banheiro quando os homens apareceram. E depois disso, ninguém mais a viu, não é?

Felix fez que sim com a cabeça, mordendo o lábio inferior, o coração acelerado. Ele não conseguia afastar a culpa e a ansiedade.

— Eu fico pensando se... se talvez ela tenha sido pega por aqueles homens. E se eles fizeram algo com ela? — Felix sussurrou, desviando o olhar para esconder as lágrimas que começavam a se formar.

Hyunjin levantou-se, caminhou até ele, e se sentou ao seu lado no sofá, colocando uma mão no ombro de Felix para reconfortá-lo.

— Ei... vamos encontrá-la, amor. Eu prometo. — Ele respirou fundo, tentando transmitir segurança. — Vou colocar todos os meus contatos nisso. Se ela está em perigo, não vamos descansar até que a encontremos.

Felix assentiu, tentando acreditar nas palavras de Hyunjin, mas o medo ainda estava presente.

— Ela é minha amiga, Hyunjin... eu não posso perder mais alguém. — Sua voz falhou, e ele apoiou a cabeça nas mãos, tentando conter as lágrimas.

Hyunjin colocou um braço ao redor de Felix, puxando-o para um abraço apertado.

— Eu sei. Sei que ela é importante para você. Nós vamos fazer o possível e o impossível para encontrá-la, eu prometo.

Felix fechou os olhos e se permitiu encontrar um pouco de consolo naquele abraço. Por um momento, ele se sentiu seguro, mas a sombra da incerteza ainda pairava sobre ele, o pensamento em Sabrina perdido em sua mente.

Depois de alguns minutos em silêncio, Hyunjin soltou um suspiro determinado.

— Eu vou continuar a investigar isso. Não vou parar até que tenhamos respostas — disse, voltando ao notebook e digitando com renovada determinação.

Felix observava Hyunjin com admiração, sentindo o alívio de saber que não estava sozinho. Ele murmurou baixinho, quase para si mesmo:

— Obrigado, amor... por tudo.

Hyunjin apenas olhou para ele e acenou com a cabeça, um leve sorriso de apoio nos lábios, enquanto continuava a busca incansável por respostas.

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