Quarenta e dois

173 18 2
                                        

Minho estava sentado ao lado da cama de Jisung, que parecia mais animado do que qualquer paciente com dois tiros deveria estar. Jisung gesticulava enquanto falava, a voz leve e brincalhona, mesmo que, de vez em quando, ele franzisse a testa ao sentir dor.

— Então, Minho — Jisung começou, com um sorriso maroto. — Você sabia que eu quase virei chef de cozinha antes de me envolver com a música?

Minho ergueu uma sobrancelha, intrigado.

— Sério? Isso é novo pra mim — disse ele, sorrindo de canto. — E o que te fez desistir?

Jisung deu uma risadinha e fez um gesto dramático com a mão.

— Ah, sabe como é... descobri que não posso fritar um ovo sem queimar a cozinha. — Ele riu, e Minho riu junto, balançando a cabeça.

— Talvez seja melhor você ficar com a música mesmo — brincou Minho. — Menos risco de explosões.

Jisung deu uma risada baixa e então olhou para Minho, a expressão suavizando.

— Você é um bom ouvinte, sabia? — disse ele, um pouco mais sério, mas com um brilho de agradecimento nos olhos. — Nem todo mundo quer ouvir sobre as loucuras de um cara como eu.

Minho deu de ombros, fingindo indiferença.

— Eu gosto de ouvir suas histórias, Jisung. Você tem um jeito... único de ver o mundo.

Jisung sorriu e balançou a cabeça.

— É bom ouvir isso. Sabe, mesmo com tudo o que aconteceu com o Felix e tal... é bom ter alguém por perto. — Ele suspirou, olhando para o teto por um momento antes de continuar. — Acho que fiquei tão preso em tentar manter o relacionamento que esqueci como é bom apenas... conversar, sem se preocupar com o amanhã.

Minho assentiu, sentindo uma pontada de compreensão.

— Às vezes, a gente precisa de um tempo pra redescobrir o que nos faz bem — disse ele, com um tom gentil. — E eu gosto de estar aqui com você, Jisung. Não é um esforço, entende?

Jisung olhou para ele, um brilho de surpresa e gratidão nos olhos.

— Obrigado, Minho. Sério... acho que eu precisava ouvir isso.

Minho sorriu e estendeu a mão, apertando suavemente a de Jisung.

— Sempre que precisar, eu tô aqui.

Jisung retribuiu o sorriso, e por um momento, os dois ficaram em silêncio, apenas aproveitando a presença um do outro. As risadas e as brincadeiras ainda estavam ali, mas agora havia também uma conexão mais profunda, construída na calma daqueles momentos compartilhados.

Ecos Caóticos Onde histórias criam vida. Descubra agora