Vinte e quatro

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Felix mal conseguia se concentrar enquanto entrava no escritório de Jisung, cada passo pesado de ansiedade. Ele não queria usar seu próprio computador ou telefone para mandar a mensagem. Se Hyunjin estava certo e algo grande estava acontecendo, ele precisava ser cuidadoso. Sentando-se na cadeira giratória, Felix ligou o computador rapidamente, seus dedos já suando de nervoso enquanto digitava o e-mail que Hyunjin havia deixado no papel.

Ele começou a escrever, as palavras quase saindo sozinhas, motivadas pelo medo e a confusão:

Hyunjin, alguém tentou me matar hoje. Um carro quase me atropelou e... depois quase me deram um tiro. O que está acontecendo?

Felix releu a mensagem, as mãos tremendo, e a enviou antes de perder a coragem. Então, a espera começou. Cada segundo que passava parecia se arrastar interminavelmente. Ele olhava para a tela a cada minuto, esperando uma resposta que não chegava. O silêncio o fazia se contorcer de nervosismo. “Por que está demorando tanto?” pensava, o coração acelerado.

Após quinze minutos, que pareceram horas, a notificação de nova mensagem surgiu na tela. Felix quase saltou da cadeira ao ver a mensagem na caixa de entrada. Sem perder tempo, ele abriu o e-mail.

“Nunca ande sozinho. Nunca mais. Eles estão te observando. Eu vou te proteger, Felix, mas você precisa ser cuidadoso. Eles não vão parar.”

Felix piscou, tentando absorver a mensagem. O coração dele disparou ainda mais. Hyunjin estava falando como se fosse uma guerra silenciosa, algo muito maior do que ele conseguia compreender.

Felix rapidamente começou a digitar outra resposta, o medo se tornando mais palpável:

“Quem são eles, Hyunjin? Por que estão atrás de mim? Eu não entendo...”

Ele pressionou "enviar" novamente, o peito apertado. Desta vez, a resposta veio mais rápido.

“Não posso dizer mais agora. É perigoso para você saber demais. Apenas faça o que estou pedindo. Eu nunca vou deixar que algo aconteça com você, mas você precisa confiar em mim.”

Felix recostou-se na cadeira, sentindo o estômago revirar. Ele queria perguntar mais, queria entender o que estava acontecendo, mas sabia que Hyunjin não revelaria mais detalhes agora. Hyunjin estava vivo, estava observando... mas, por algum motivo, ele não podia estar presente o tempo todo. Algo maior estava em jogo, algo que Felix ainda não compreendia.

A última mensagem ficou ecoando em sua cabeça: Eu nunca vou deixar que algo aconteça com você.

Ele queria acreditar, queria confiar em Hyunjin como sempre fez. Mas o medo continuava corroendo seus pensamentos.

Minutos depois, Felix leu a última mensagem de Hyunjin e sentiu o coração pular no peito:

"Apague tudo. Não deixe rastros."

Sem hesitar, ele seguiu as instruções, apagando o histórico de mensagens e limpando qualquer evidência de comunicação. Quando terminou, desligou o computador, o estômago ainda embrulhado pela ansiedade. Ele passou a mão pelo rosto, tentando se acalmar, mas sua mente estava agitada, cheia de perguntas sem respostas.

Alguns minutos depois, ele ouviu o barulho da chave na porta. Jisung estava em casa. Felix endireitou-se rapidamente, respirou fundo e foi até a sala para recebê-lo, tentando esconder o nervosismo que ainda o dominava.

— Hey, amor — Felix disse, forçando um sorriso quando viu Jisung entrar. Ele segurava uma sacola de papel com o jantar.

Jisung olhou para Felix e franziu a testa levemente, percebendo a tensão no ar.

— Tudo bem? — perguntou, inclinando a cabeça enquanto colocava a sacola na mesa. — Você parece... preocupado.

Felix deu um pequeno sorriso, tentando soar convincente.

— Só um dia longo — ele respondeu, caminhando até Jisung e o abraçando pela cintura, descansando a cabeça em seu ombro. — Ensaios, sabe como é.

Jisung suspirou e passou as mãos pelos cabelos de Felix, carinhoso.

— Acho que você precisa relaxar um pouco. Vamos comer e depois podemos ver um filme, que tal?

Felix assentiu, sentindo o toque de Jisung aliviar um pouco a tensão, mas as palavras de Hyunjin ainda ecoavam em sua mente. Ele se afastou um pouco, sorrindo suavemente.

— Isso parece perfeito.

Jisung sorriu de volta e beijou a testa de Felix, sem perceber o turbilhão de emoções que o namorado escondia por trás de cada gesto.

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