Vinte e oito

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Na manhã seguinte, Felix e Jisung estavam sentados à mesa da cozinha, o som suave da cafeteira enchendo o ar com o aroma de café fresco. O sol entrava pela janela, banhando a mesa de luz dourada. Felix olhava para sua xícara, distraído, girando o líquido dentro dela. Seus pensamentos estavam em outra parte, muito longe daquele cenário tranquilo. Jisung, por outro lado, parecia animado para começar o dia, comendo sua torrada apressadamente.

— Tenho que ir trabalhar agora — Jisung disse, se levantando e pegando a chave do carro. — Você vai para o ensaio depois, né?

Felix, que estava quieto até então, congelou por um segundo ao lembrar das palavras de Hyunjin. Nunca ande sozinho. Ele sabia que deveria tomar cuidado, mas não queria preocupar Jisung com a verdade. Mesmo assim, a ideia de andar pelas ruas sem proteção o deixou nervoso.

— Na verdade, você pode me levar? — Felix perguntou, sua voz soando um pouco hesitante. — Sabrina já está lá... Eu iria sozinho, mas acho que seria melhor se você me deixasse lá.

Jisung parou, olhando para Felix com um sorriso no rosto, sem perceber a tensão por trás do pedido. Para ele, parecia apenas que Felix estava querendo passar mais tempo juntos.

— Claro que eu te levo, amor — Jisung disse, se inclinando para lhe dar um beijo rápido na testa. — Sempre é bom começar o dia com a sua companhia.

Felix forçou um sorriso, tentando esconder o quanto estava nervoso. Ele sabia que não deveria dar pistas sobre o que estava realmente acontecendo, mas seu coração estava acelerado. Ele se levantou e pegou suas coisas rapidamente, desejando que o dia passasse sem mais surpresas.

— Obrigado, amor — Felix respondeu enquanto pegava sua bolsa, suas mãos ainda trêmulas.

— Você está bem? — Jisung perguntou, estreitando os olhos para Felix enquanto se aproximava dele, segurando seus ombros suavemente. — Parece um pouco distraído esses dias... Muito trabalho, né?

— É só isso, só... muito ensaio. — Felix respondeu, olhando para o chão, não querendo encará-lo diretamente.

Jisung assentiu, não insistindo, e foi em direção à porta. Ele sabia que Felix poderia estar se sentindo sobrecarregado, mas confiava nele. Quando entraram no carro, o caminho até a companhia de dança foi silencioso. Felix olhava pela janela, ainda nervoso com o incidente da noite anterior e o aviso de Hyunjin.

Enquanto estacionavam em frente à companhia de dança, Jisung se inclinou e deu um beijo suave nos lábios de Felix.

— Cuida de você, tá bom? — Jisung disse, sorrindo.

— Eu vou. Obrigado por me trazer, Ji. — Felix respondeu, tentando soar mais leve, mas ainda sentia o peso das preocupações em sua mente.

Ele saiu do carro, observando enquanto Jisung se afastava. Sabia que precisava ficar atento e seguir o conselho de Hyunjin, mas se perguntava até quando conseguiria esconder tudo de Jisung. Com um suspiro, Felix entrou na companhia de dança, tentando focar no ensaio, mas sua mente estava longe, em Hyunjin e no perigo que os cercava.

...

Enquanto ensaiavam, o estúdio de dança estava cheio de energia, o som da música preenchendo cada canto. Felix se movia com graça e precisão, seus passos leves e ágeis, quase como se flutuasse pelo espaço. Cada movimento seu era executado com uma delicadeza que hipnotizava todos que o assistiam. Seus braços se moviam como se desenhassem no ar, e seus giros eram tão suaves que atraíam os olhares de todos, homens e mulheres, que paravam para admirar sua performance.

Sabrina, que normalmente era a única capaz de acompanhar Felix em coreografias difíceis, estava do outro lado da sala observando. Para sua surpresa, Minho, um dos dançarinos mais talentosos da companhia, se aproximou de Felix e, com um sorriso confiante, entrou na dança, espelhando os movimentos dele.

— Vamos ver se consigo te acompanhar, Felix. — Minho brincou, se posicionando ao lado dele.

Felix, sem parar de dançar, lançou-lhe um sorriso de canto e aceitou o desafio. Os dois se moviam em sincronia, como se suas energias se complementassem. Minho era um dançarino habilidoso, e Felix sentia isso em cada movimento ao lado dele. Eles giravam, pulavam e deslizavam pelo chão com uma harmonia que poucos conseguiam alcançar. Felix sentiu uma adrenalina crescer dentro de si, como se estivesse se desafiando a ir ainda mais longe.

— Você é bom, Minho. — Felix comentou entre um passo e outro, o sorriso nunca deixando seu rosto.

— Nada mal você também, Lee. — Minho respondeu, arqueando uma sobrancelha. — Faz tempo que não me divirto assim num ensaio.

A troca de olhares entre os dois mostrava o respeito mútuo que sentiam como dançarinos. Minho era o único que conseguia igualar Felix naquela intensidade, e isso fez o coração de Felix bater mais rápido, mas desta vez por um motivo bom, sem o peso das preocupações que o assombravam. Minho era confiante e tinha um carisma que fazia o ambiente ao redor dele vibrar.

Quando a música finalmente terminou, Felix e Minho pararam de dançar, ambos ofegantes, mas com sorrisos estampados no rosto. O estúdio ficou em silêncio por um breve momento, e então os aplausos começaram, o que fez Minho dar uma risada baixa.

— Nada mal, hein? — Minho disse, estendendo a mão para Felix. — Você tem talento de sobra, cara.

Felix, ainda sorrindo, apertou a mão de Minho.

— Você também. — Felix respondeu, seu peito subindo e descendo rapidamente por conta do esforço da dança. — Acho que a gente se entende bem no palco.

— Isso eu já percebi. — Minho respondeu, piscando um olho.

Sabrina observava de longe, sorrindo levemente ao ver o quanto Felix parecia confortável dançando com Minho. Não era fácil encontrar alguém que o acompanhasse com tanta precisão e criatividade. A troca de energia entre Felix e Minho era clara e impressionante.

Depois do ensaio, enquanto Minho se afastava para pegar uma garrafa de água, Felix ficou um momento parado, respirando fundo e tentando acalmar seu corpo e mente. Por um instante, ele se permitiu esquecer o que havia acontecido nos últimos dias e apenas se concentrar na sensação boa de estar dançando com alguém que o entendia tão bem.

Minho olhou para ele do outro lado da sala e levantou a garrafa em sinal de cumprimento, Felix retribuiu o gesto com um aceno, satisfeito por finalmente ter um momento de leveza em meio ao caos.

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