Capítulo 46

105 5 3
                                        

O telefone de Dinah tocou novamente, mas desta vez o número que apareceu na tela fez seu estômago se revirar. Ela não precisava de mais uma ligação de Max; ela já sabia o que ele queria, mais uma pressão, mais uma exigência. O problema estava em sua frente, agora, em sua própria casa, e nada parecia estar no controle.

Normani estava de pé ao lado da janela, com Mattheo em seus braços, olhando para a cidade de Los Angeles. Seu rosto estava tenso, os olhos fixos no horizonte, como se ela estivesse tentando enxergar o futuro da família, que parecia cada vez mais incerto. A guerra entre facções estava chegando mais perto, e os negócios de Dinah estavam sendo engolidos pela pressão externa. A publicidade já não estava tão forte como antes, e os investidores estavam se afastando. Dinah sabia que, se não tomasse uma atitude rápida, a empresa – e tudo o que ela construiu com Lauren – cairia.

Ela atendeu o telefone, seu tom de voz já marcado pelo desgaste.

— Dinah, precisamos de uma solução agora. Os detalhes estão vazando, e os inimigos da Cosa Nostra não estão mais apenas mirando em Lauren. Estamos em risco, todos nós. — Max falou do outro lado, com a urgência que Dinah temia.

Ela fechou os olhos por um instante, respirando fundo.

— Não me faça mais promessas vazias, Max. Eu já estou no limite. A empresa está falindo, e Normani e Mattheo estão em perigo. Não podemos mais lidar com isso como se fosse apenas uma questão de negócios. Eu preciso de algo real, e rápido.

Max fez uma pausa. Dinah sabia que ele estava considerando suas palavras, mas o silêncio entre eles estava se estendendo demais.

— Eu entendo, Dinah. — Sua voz soou mais baixa, como se ele estivesse considerando algo além da frieza usual. — Mas isso não muda nada. A situação exige que você escolha um lado. Nós precisamos de seu apoio mais do que nunca.

Dinah olhou para Normani, que estava visivelmente abalada. Ela sabia que sua esposa estava se sentindo impotente diante da situação. A pressão que Dinah enfrentava não era apenas profissional, mas também pessoal, e isso a corroía. Cada passo parecia levá-la mais para o fundo, e a cada escolha errada, as possibilidades de um futuro tranquilo para sua família diminuíam.

— Eu vou resolver isso, Max. — Dinah respondeu finalmente, com firmeza. — Mas isso não significa que vou colocar tudo o que amo em risco por causa dessa guerra. Preciso de uma estratégia, algo que nos dê uma saída. Não quero mais ser apenas uma peça nesse jogo sujo.

Ela desligou antes que ele tivesse a chance de continuar. A conversa a deixou em um estado de tensão ainda maior, e o peso de suas responsabilidades parecia estar se tornando mais insuportável a cada segundo. A única coisa que ela sabia era que precisava agir rápido.

Normani se aproximou, colocando Mattheo de volta no sofá antes de se sentar ao lado de Dinah.

— O que vamos fazer agora? — perguntou Normani, com os olhos cheios de preocupação, mas também com uma determinação que Dinah reconhecia. Elas haviam superado momentos difíceis antes, mas agora parecia que as opções estavam se esgotando.

Dinah passou a mão pelos cabelos, pensando nas possibilidades. A guerra estava engolindo tudo ao redor, e, para ela, não havia mais margem para falhas.

— Vamos fazer o que for necessário para proteger nossa família. Vou dar um jeito. — Dinah olhou para a tela do computador, onde as finanças de sua empresa estavam à vista, despedaçando-se à medida que o caos se aproximava. Ela precisava de algo decisivo.

Horas depois, Dinah teve uma reunião secreta com um dos investidores mais poderosos que ainda confiavam nela, mas não mais do que o mínimo necessário. A negociação foi difícil, e a cada palavra dita, Dinah sentia a pressão esmagando seu peito. Mas, ao final, ela conseguiu firmar um acordo que salvaria sua empresa, mesmo que temporariamente. Ela tinha garantias que precisaria para seguir adiante, e esse alívio foi o suficiente para dar uma folga ao coração apertado que carregava.

A Dama da noite Onde histórias criam vida. Descubra agora