O vento de Los Angeles parecia mais cortante naquela manhã. No centro de operações, Max terminava de coordenar os reforços para as rotas vulneráveis. O telefone ao lado de sua mesa tocou, interrompendo o fluxo de comandos que ele dava aos homens.
— Fale — atendeu com voz curta, sem desviar os olhos do mapa.
— Max, é Camila — a voz do outro lado da linha era baixa, mas determinada.
Ele fechou os olhos por um segundo, sabendo que aquilo traria problemas.
— Camila, achei que havíamos concordado que eu cuidaria disso. O que foi agora?
— Não é suficiente, Max. — Ela fez uma pausa. — Quero participar da reunião que você vai fazer com os capos hoje à noite. Sei que tem algo acontecendo, e quero ouvir diretamente.
Max esfregou o rosto, exasperado.
— Camila, você não pode se envolver assim. Essa reunião é sobre decisões estratégicas que envolvem homens e armas. Isso não é para você.
— E proteger a minha família também não é? — rebateu, com um tom desafiador que o fez se calar. — Max, eu não sou só a namorada de Lauren. Sou alguém que ama as crianças e que está disposta a lutar por elas. Se você acha que eu vou ficar sentada, esperando algo acontecer, está muito enganado.
Ele soltou um longo suspiro antes de responder.
— Certo. Você pode vir, mas vai ficar em silêncio. Nenhuma palavra, nenhuma intervenção. E, se algo der errado, você segue as minhas ordens sem hesitar.
— Combinado — Camila respondeu, antes de desligar.
Max sabia que estava cometendo um erro, mas parte de si respeitava a coragem dela. Camila não era tão frágil quanto aparentava.
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Na mesma noite, Camila chegou ao local combinado. Era um restaurante italiano no centro, fechado para clientes, mas cheio de homens e mulheres que pareciam mais soldados do que empresários. Max a encontrou na entrada e a guiou até a sala privativa nos fundos. Assim que entrou, sentiu o peso dos olhares sobre si. A presença dela ali era inusitada, talvez até imprudente.
Lauren nunca permitira que Camila visse de perto aquela parte de sua vida.
Max apresentou os detalhes do relatório: os avanços de Ricci em territórios menores, os cortes nas rotas de transporte e a crescente tensão nas ruas. Cada palavra fazia Camila sentir a gravidade da situação. Lauren estava no centro de um conflito que poderia facilmente sair de controle.
— Precisamos retaliar agora — disse Henrique Cavalieri — Se ficarmos na defensiva por muito tempo, Ricci vai nos engolir.
— Concordo — respondeu outro. — Mas precisamos de uma abordagem limpa. Matar homens nas ruas não vai resolver o problema.
Max observava em silêncio, deixando que a discussão se desenrolasse. Ele sabia que a verdadeira decisão já havia sido tomada por Lauren, que estava em Chicago. Eles só precisavam ganhar tempo até que ela voltasse.
Camila, porém, não conseguia se conter.
— E se Ricci atacar de dentro? — perguntou, a voz firme, surpreendendo a todos. — Ele já mostrou que sabe como infiltrar aliados. O maior perigo pode não ser um ataque direto, mas alguém do lado de vocês que vai abrir as portas para ele.
O silêncio caiu sobre a sala. Max franziu o cenho, mas não a repreendeu. Era uma observação pertinente, mesmo que tivesse vindo de alguém de fora.
— Ela tem razão — Giovanni admitiu. — Precisamos revisar nossas alianças e limpar a casa antes de qualquer outra coisa.
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A Dama da noite
Fiksi PenggemarLauren Jauregui, uma líder implacável da máfia, carrega o peso de um passado marcado pela perda de sua esposa, enquanto dedica sua vida a proteger e criar suas filhas gêmeas. Camila Cabello, uma professora apaixonada pela educação e mãe solteira de...
