Capítulo 47

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Depois de deixar Helena, Clarice e Bento na escola, Camila dirigiu até um parque próximo. Estacionou o carro, mas não saiu. Ficou ali, com as mãos firmemente segurando o volante, o olhar fixo em um ponto invisível à sua frente. Sabia que algo estava acontecendo. Lauren estava distante, preocupada, e, mesmo sem palavras, a tensão entre elas era palpável. A ideia de ser mantida no escuro enquanto algo tão grave rondava a segurança de todos que amava era insuportável.

Ela pegou o celular e digitou o número de Max. Conhecia o suficiente para saber que ele era o braço direito de Lauren em quase tudo e, se havia alguém que poderia esclarecer o que estava acontecendo, era ele. Quando ele atendeu, a voz grave e objetiva soou do outro lado.

— Max falando.

— Max, é a Camila — ela começou, com um tom firme. — Preciso falar com você. Pessoalmente.

Houve uma pausa do outro lado, e ela quase podia imaginar a expressão de surpresa no rosto dele.

— Camila? O que está acontecendo? Lauren sabe que você está entrando em contato comigo?

— Não, e não precisa saber. Isso é entre você e eu. Por favor, Max, é importante. Preciso que você confie em mim.

Ele hesitou por alguns instantes antes de suspirar.

— Está bem. Onde você está?

— Perto do parque de Cloverfield. Eu posso ir até você.

— Tudo bem. Me encontre no prédio de operações. Vou te enviar o endereço.

Camila assentiu, mesmo que ele não pudesse vê-la.

— Ok. Estou a caminho.

Ela desligou antes que ele pudesse reconsiderar e deu partida no carro. Sua mente estava focada, mas seu coração batia acelerado. Sabia que estava se intrometendo em algo perigoso, mas não podia mais ignorar. Lauren era sua companheira, e isso significava estar ao lado dela, não importa a situação.

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Pouco tempo depois, Camila estacionou em frente ao prédio discreto onde Max trabalhava. Um dos homens de confiança dele estava na entrada e a encarou com desconfiança. Ela se aproximou com passos firmes.

— Estou aqui para ver o Max — disse, sem hesitar. — Ele está me esperando.

O homem olhou para ela, relutante, mas pegou o rádio para confirmar. Depois de uma breve troca de palavras, ele deu um leve aceno e a conduziu para dentro.

Quando Camila entrou no escritório, encontrou Max inclinado sobre uma mesa cheia de mapas e anotações. Ele ergueu o olhar assim que a viu e franziu o cenho.

— Camila, o que você está fazendo aqui? Lauren não vai gostar nada disso.

— Eu já disse que ela não precisa saber — respondeu, com a mesma firmeza que usara ao telefone. — Eu vim porque quero entender o que está acontecendo. Sei que algo sério está acontecendo, Max. Lauren está em perigo, e não vou mais ficar no escuro.

Max suspirou, cruzando os braços e analisando-a por um momento.

— Camila, isso não é algo que você deva se preocupar. Lauren nunca te colocaria nessa situação. É perigoso, e você sabe disso.

— Sei, mas também sei que não posso ficar de fora. — Camila o encarou diretamente. — Não quero ser apenas uma espectadora na vida da Lauren. Ela é tudo para mim, e sei que o que está acontecendo coloca não apenas ela, mas as crianças, em risco. Não posso ignorar isso.

Max balançou a cabeça, visivelmente incomodado com a situação.

— Lauren quer te proteger, Camila. Você sabe como ela é. Ela jamais te envolveria nisso.

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