Se no final do tudo,
o que sobra são resquícios
de dúvidas já pensadas,
o que é o acabar,
se não o recomeçar
da filosofia.
E toda vez que a chuva cai,
tenho esse sentimento,
de que o mundo está acabando,
por mais uma vez.
Vejo memórias pelas ruas me guiando,
como um GPS feito de nostalgia,
me levando para cantos explorados,
ao mesmo tempo inesperados
da minha mente.
Quando o tempo passa,
os motivos se vão,
as perguntas se perpetuam,
e em uma tortura infinita,
as possibilidades me afetam.
Como um final aberto em uma trilogia,
um livro sem continuação anunciada,
um momento adiado ao infinito.
Quanto maior o sentimento
maior é a questão.
E na solidez da certeza,
se perdem as respostas,
e perde-se o amor.
Questionar não se torna nada mais
do que um pede-se de dor
ao impossível.
E mesmo que esse poema tenha acabado no parágrafo anterior
meus sentimentos ainda tocam o chão,
minha dor ainda sente o vento,
meu calor sente ansiedade no as vezes da saudade,
meus desejos ainda veem as luzes e se questionam sobre astigmatismo.
Meus ouvidos ainda ouvem e tocam
o cheiro ensurdecedor
da realidade.
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(H) Arts
PoetryUm cofre poético do qual a chave se perdeu em um mar de sentimentos.
